Copa do Mundo 2014: seminário apresenta possibilidades de crescimento e o perfil do turista castelhano em Torres

18 de julho de 2011

 

 

Por Guilherme Rocha  

 

                      Apresentar as possibilidades de projetos que visam a qualificação das micro e pequenas empresas do litoral norte para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Este foi o tema principal do seminário "2014 é logo aqui", que o SEBRAE-RS promoveu na última terça-feira (12), no Centro Municipal de Cultura. Além disso, foi apresentada uma pesquisa encomendada pelo órgão, em parceria com a Unisinos, com dados qualitativos sobre a percepção dos turistas castelhanos quanto ao turismo no litoral gaúcho. Estes mesmos turistas, uruguaios e principalmente argentinos, seriam o público estrangeiro alvo caso Torres venha a ser bem aproveitada durante a Copa do Mundo.

                       

                Empreendedorismo e Qualificação

   

                      Um bom público compareceu ao auditório para a apresentação do seminário. Representando o prefeito municipal João Alberto, o vereador Zé Ivan abriu o debate indicando que "é possí­vel fazer muita coisa positiva em Torres se todos participarem em conjunto. Se acreditarmos e persistirmos podemos trazer turismo e inovação í  cidade durante o perí­odo da Copa". Seguiu-se então a apresentação do projeto 2014 por Amanda Pain, coordenadora do programa do Sebrae. "Quem se preparar bem terá possibilidades de crescer durante esse perí­odo. Uma chance para alavancar o empreendedorismo da região, e atrair um turista que goste tanto da cidade a ponto de querer voltar outras vezes mesmo depois da Copa do Mundo". Ainda que Torres tenha ficado de fora do cí­rculo de planejamento organizacional da Copa, a relativa proximidade com a cidade sede de Porto Alegre ou com centros de treinamento das seleçíµes (Osório foi pré-selecionada como opção) pode atrair investimentos ao municí­pio.  

                      A apresentação destacou uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas durante a Copa de 2010, na ífrica do Sul, traçando um prognóstico do espectador estrangeiro para a maior festa do futebol mundial. Dentre as informaçíµes coletadas, tem-se que o turista de Copa tí­pico é solteiro do sexo masculino (embora também haja grande número de casais), na faixa etária entre 25 e 34 anos, que viaja entre 2 e 3 cidades durante o perí­odo do evento. "A grande maioria destas pessoas entrevistadas estará visitando o Brasil pela primeira vez durante a Copa do Mundo, o que é uma oportunidade para atrair novos turistas mostrando o melhor que temos. Outro ponto importante é ter preços competitivos que chamem a atenção dos visitantes, repetindo o sucesso da Alemanha, que em 2006 proporcionou uma Copa com boa organização e justa relação custo-benefí­cio para, posteriormente, ter um significativo incremento no setor turí­stico", analisou Amanda.  

                      A coordenadora do projeto ressaltou ainda a importância de um planejamento comunicacional em três lí­nguas, com informação, sinalização e profissionais capacitados em inglês e espanhol. "Serão mais de 30 bilhíµes de reais investidos na Copa do Mundo, portanto será indispensável í  capacitação e adequação dos setores envolvidos para receber positivamente os exigentes turistas vindos dos quatro cantos do planeta". Ela explica que o propósito básico do projeto Sebrae 2014 é a de identificar, disseminar e fomentar oportunidades de negócio para que as micro e pequenas empresas aproveitem o embalo da Copa do Mundo para lucrar mais.  

                      "Dividimos nosso programa em um esquema baseado nas três áreas do futebol. A defesa, primeira etapa, é necessária para minimizar os riscos, preparar o negócio através de seminários temáticos e palestras, incentivando a inteligência competitiva. Já o meio-campo é a melhoria na performance, estudo de informaçíµes e qualificação pelos empreendedores, elaboração de planos de negócio baseados na inovação, buscando descobrir as especificidades carentes e supri-las. Já o ataque é a área responsável por marcar o gol, cativar os usuários dos serviços, através de promoção comercial, informação de qualidade e em três lí­nguas na internet. Será criado ainda um portal do Sebrae-RS que congregue material promocional trilingue de várias empresas, buscando o fortalecimento na unificação de dados", explicita Amanda.    

                      Trabalhar a imagem das micro e pequenas empresas é outro objetivo do programa. "O incentivo ao profissionalismo do artesanato, turismo e rede hoteleira da Torres também devem ser estudados, pois são áreas de destaque da região e que podem agregar bons resultados".   Amanda finalizou lembrando do assunto sustentabilidade ambiental, assunto muito em voga por todo o planeta e que, se bem trabalhado, poderia ser um diferencial ao Brasil na Copa de 2014. "O mundo todo estará com as atençíµes voltadas para o nosso paí­s, portanto vincular a preservação ecológica com o empreendedorismo é um negócio interessante. A Copa do Mundo será uma oportunidade de se ganhar mais, porém tão importante quanto é aproveitar o momento do evento é cativar o torcedor de futebol de outros paí­ses, convencer que vale a pena voltar ao Brasil.

 

       

 

                O perfil do turista castelhano

   

                Após o detalhamento do projeto "2014 é logo aqui", foi apresentada uma pesquisa sobre o perfil do turista castelhano que visita o litoral gaúcho durante o veraneio. Desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Mercado da Unisinos, em parceria com o Sebrae-RS, a pesquisa analisou as caracterí­sticas socioeconí´micas, experiências e demandas do público alvo, no caso os uruguaios e argentinos, em relação a sua estadia de férias em terras brasileiras, além de realizar um prognóstico de intençíµes para a Copa de 2014. "Esta pesquisa tem o intuito de subsidiar o desenvolvimento de novos serviços para as pequenas e médias empresas do RS, a fim de receber esta demanda no perí­odo da Copa do Mundo. Para tanto, realizamos entrevistas qualitativas e de profundidade com 15 indiví­duos, e entrevistas quantitativas com 421 turistas castelhanos pelo litoral", indicou o professor Marcelo Fonseca, da Unisinos, um dos realizadores da pesquisa.

   

O que eles são

   

                      A partir da coleta destes dados, tem-se que a grande maioria dos turistas castelhanos no litoral gaúcho são argentinos (93%), com pequena presença de uruguaios (7%). Destes argentinos que vêm para cá, a grande maioria é de cidades interioranas como Corientes, Misiones e Córdoba, com apenas 4% sendo originários da capital Buenos Aires. "Estes turistas castelhanos debandam para o Torres buscando majoritariamente por praia, descanso e paisagens diferentes. Eles gastam uma média de 64 dólares diários por pessoa, e costumam ficar entre 10 e 15 dias por nossas praias" destaca Marcelo. Dentre os entrevistados, se tem que a maior parte (74%) empreende a viagem com a famí­lia, seja por carro (54%) ou í´nibus (40%), e estes costumam ser turistas cativos, que voltam para cá numa média de 3 vezes a cada 5 anos. O aluguel de casas e apartamentos ainda é o meio de hospedagem mais popular (60%)   frente aos hotéis (36%) e pousadas (2,5%) "Constatamos também que existe uma relação direta entre o meio de transporte e o local de hospedagem. Os turistas que vêm de carro geralmente alugam casas, enquanto os que chegam de í´nibus ficam mais em hotéis", analisa o pesquisador.

   

O que eles consomem

   

                      Dentre os produtos mais consumidos, temos roupas e acessórios (30%), bebidas (18,5%), artigos de praia (12%) e artesanato (12%). Destacam-se em popularidade os biquí­nis, pela beleza, e sapatos, pelo preço baixo. A busca por informaçíµes turí­sticas sobre o litoral gaúcho ocorre principalmente pela internet (39%) ou por meio de amigos (30%). "No geral o público castelhano se diz muito bem recebido por aqui como turista, mas sente falta de informaçíµes mais detalhadas em sua lí­ngua, embora eles admitam o esforço da comunidade torrense para se comunicar em espanhol. Outro dado interessante é o grau de satisfação em relação í  segurança, o argentino se sente mais seguro em Torres do que em outros lugares", constatou Marcelo. Além da segurança (80%), a pesquisa apontou o atendimento nos estabelecimentos comerciais (78%) e a variedade de opçíµes de hospedagem (78%) como pontos de destaque positivo. Já os pontos negativos para o turista castelhano ficam por conta dos altos preços de hospedagem e alimentação e a pouca variedade de entretenimento e cultura. "Durante as férias os argentinos são mais boêmios, e sentem falta de opçíµes para se divertir na noite. O público jovem, naturalmente mais exigente, reclamou bastante nesse ponto".

                          Em relação í  Copa do Mundo, 21% dos entrevistados acham que muito provavelmente irão prestigiar o evento no Brasil, principalmente se sua seleção nacional estiver jogando por perto. "Será uma boa oportunidade para Torres ganhar dinheiro em um perí­odo de baixa temporada. Para tanto será necessário fazer investimentos para destacar a cidade, como cursos de capacitação aos empreendedores, qualificação de pessoal, estí­mulo a comunicação bilí­ngue e inserção forte e organizada nos meios virtuais. Se houver uma preparação adequada, o municí­pio poderá aproveitar bem as oportunidades proporcionadas durante a Copa do Mundo", finalizou o Marcelo Fonseca.    


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