EDITORIAL – Crise de identidade?

20 de novembro de 2010

 Torres passou no final de semana passado pelo seu primeiro verdadeiro teste que projeta o perfil da temporada de veraneio. Além da dificuldade da atual administração de oferecer as ruas da cidade sem buracos, poças e má sinalização, um problema que parece crí´nico na maioria das cidades que recebem visitantes em suas temporadas de veraneio, a questão da identidade turí­stica mais uma vez ficou evidente. í‰ que o evento chamado de Moto Beach, que acontece anualmente por aqui, se realizou durante um feriadão, época que outros turistas comparecem í  cidade para usufruí­rem de outras atraçíµes locais. E por isso não se pode avaliar o resultado, tanto do evento, quanto do movimento de feriado se não obtivesse o evento, o que confunde os empresários e trabalhadores que vivem da atividade do Turismo.    E não se pode, muito menos, avaliar o perfil do turista que a cidade busca para o seu fomento da atividade.  

Foram várias as reclamaçíµes dos operadores da rede hoteleira e da rede de restaurantes formatada para atender preferencialmente os turistas por conta dos exageros que o Moto Beach ofereceu para o equilí­brio das operaçíµes. O excessivo barulho que as motos ocasionam durante os três dias pela cidade; o afunilamento no trânsito na região da Rota Gastroní´mica (local considerado o mais charmoso para o trade do turismo local, pelo grande número de restaurantes que lá existem e pela sua localização na Beira do Mampituba); e o comportamento moralmente questionável demonstrado por parte dos motociclistas que participaram do evento foram algumas delas.  

Já na sessão da Câmara Municipal da última segunda-feira, os elogios ao Moto Beach foram quase unânimes. Os vereadores que falaram sobre o evento na tribuna parabenizaram os realizadores e lembraram-se das divisas monetárias que o mesmo deixa na cidade. A prefeitura em release para a imprensa também ressaltou o sucesso do Moto Beach e o recorde de público e de organização da atração deste ano, o que é inquestionável se visto desta forma.  

 Mas a cidade de Torres ainda está muito verde em sua cultura perante o turismo, profissionalmente falando. Não possuí­mos sequer um público-alvo definido no sentido de priorizar açíµes de infraestrutura, formato e perfil de eventos e diferenciais competitivos buscados para atingirmos com qualidade e segurança a busca de um público e sua fidelidade, como possuem a maioria das cidades turí­sticas do mundo. Portanto, seria prudente que não atacássemos a ânsia de buscarmos movimento na cidade visando somente quantidade de visitantes, sem avaliarmos o perfil e a identidade dos públicos destes mesmos eventos com o verdadeiro visitante de Torres: o que busca a cidade por se identificar com ela e não por um evento especí­fico. Muito menos deverí­amos utilizar áreas nobres da cidade para abrigar eventos de atração pontual, qual seja, que agradam a alguns e desagradam outros.    

Urge que implementemos um plano qualitativo de busca de turistas para a cidade. Com este plano, os gestores e o trade do turismo poderão com mais segurança definir o tipo de evento que a cidade comporta para sua busca estratégica, assim como a localização de eventos paralelos que a mesma receberá, o que é saudável, desde que feito com planejamento. í‰ de alta periculosidade perder clientes cativos pela generalização de eventos paralelos.

 A sazonalidade e a dependência da economia local ao movimento do verão é a mola precursora da motivação de nossa população. Mas não podemos deixar que a ânsia fale mais alto que a racionalidade. O verão está apenas iniciando, e o turista fiel í  cidade deveria ser sempre mais respeitado que os turistas eventuais ou í s vontades de moradores locais.


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