De que inteligência estamos falando?

11 de fevereiro de 2011

O lugar dos sentimentos na vida mental foi surpreendentemente desprezado pela pesquisa cientí­fica ao longo dos anos, em detrimento do intelecto, deixando as emoçíµes como um continente em grande parte inexplorado pela psicologia cientí­fica. Neste vazio, despejou-se uma enxurrada de livros de auto-ajuda, mas sem muita base cientí­fica, embora possam ajudar muitas pessoas, de alguma forma. Hoje a ciência pode finalmente abordar com autoridade essas questíµes urgentes do psiquismo (mente) no que ela tem de mais irracional, para mapear com alguma precisão os fatores determinantes do comportamento humano.    

Esse mapeamento propíµe um desafio aos que defendem uma visão estreita da inteligência, afirmando que o QI (quociente de inteligência) é um dado genético que não se pode mudar com a experiência de vida, e que nosso destino é em grande parte determinado por ele. O argumento ignora a questão mais desafiante: o que podemos mudar para ajudar nossos filhos a se darem melhor na vida? Que fatores entram em jogo, por exemplo, quando pessoas de alto QI enfrentam dificuldades de ordem social, relacional, enquanto as de QI   modesto se saem melhor neste quesito? O que estaria em jogo?    

Na verdade o QE (quociente emocional), a inteligência emocional, que incluem autocontrole, zelo e persistência, capacidade de motivar-se, flexibilidade, discernimento. Estas aptidíµes podem ser ensinadas í s crianças. A importância da inteligência emocional está presente na formação de uma sociedade. O egoí­smo, a delinqí¼ência, e a mesquinhez parecem estar estrangulando a bondade de nossa vida em comunidade. Há crescentes indí­cios de que posiçíµes éticas fundamentais na vida vêm de aptidíµes emocionais subjacentes. Existem pessoas que sofrem de uma deficiência moral, uma incapacidade de empatizar  com o outro, de autocrí­tica e auto controle de seus impulsos. Mesmo munidas de um QI   elevado, são ignorantes, limitadas do ponto de vista emocional, assim, fracassam, por exemplo,   na habilidade de trabalharem em equipe,  de se relacionarem, enfrentarem desafios da vida, já que possuem, na maioria das vezes,  uma baixa tolerância í  frustração, ficando a mercê de seus impulsos   primitivos.    

Por isso, a raiz do altruí­smo está na empatia, ou seja, na capacidade de ler emoçíµes nos outros e de envolvimento. Desta maneira amplia-se o significado de ser inteligente, colocando as emoçíµes como um dos fatores essenciais para aptidão em viver bem e feliz. Com a inteligência emocional podemos preservar nossos relacionamentos mais valiosos, obtemos êxito profissional, social, pessoal. A incapacidade de lidar com nossas emoçíµes poderá trazer riscos nocivos a nossa saúde fí­sica (exemplo:fumar um cigarro atrás do outro por ansiedade), assim como desestabiliza nosso equilí­brio emocional, podendo nos colocar em situaçíµes desastrosas do cotidiano.

   Apesar de considerarmos o fator genético como influente na formação de nosso temperamento, o psiquismo é maleável, dinâmico, mutável, ou seja, temperamento não é destino. As liçíµes emocionais que aprendemos na infância, em casa, na escola, podem moldar o modo de interpretar a vida (sentir e percebe-la) e agir, tornando- nos mais aptos ou inaptos em termos de inteligência emocional. Isso significa que a infância e a adolescência são etapas evolutivas oportunas para determinar nosso hábitos emocionais e padríµes de comportamento,  que irão afinal governar a maneira como levaremos nossas vidas.


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