Brocca pressionado
A combinação de período pré-eleitoral com a incumbência de exercer a presidencia da Câmara está deixando o presidente da casa legislativa de Torres, Idelfonso Brocca, com crises de perda de paciência. í‰ que é natural que oposição e situação realizem manobras políticas utilizando a sessão da casa e o regimento interno como forma de ataque e defesa pré – eleitoral.
Na terça-feira passada (22) o vereador Gimi solicitou de última hora a entrada de dois processos na Ordem do Dia. Brocca não colocou o assunto na pauta alegando falta de tempo para discussão e o vereador insistiu, afirmando que seu pedido deveria ser votado para que, então, fosse aprovado ou rejeitado.
Na prática, parece que o que Gimi queria era irritar seu adversário de partido, e conseguiu. Brocca também queria irritar Gimi, e conseguiu. Mas o que ficou no final foi um bate boca entre os dois vereadores, gravado e veiculado ao vivo nas rádios, onde ofensas de ditador e respostas í s ofensas foram as protagonistas. Gimi insistiu que Brocca estaria sendo ditador tantas vezes, que Brocca, para tentar encerrar o assunto, confirmou: ditador, sim, mas não vai ir para a pauta a matéria. Após o presidente da casa se desculpou.
Voto importante
Voltou, sem aviso prévio, o vereador Tiago de Sousa (PMDB) í sua cadeira da Câmara municipal, conseguida através de boa votação na eleição de 2008. Neste momento de coligaçíµes e formatação das chapas que irão concorrer no pleito de outubro, a volta do vereador significa muito, para ambos os lados.
í‰ que um voto na Câmara Municipal é muito valorizado pelo executivo. Os técnicos e os políticos da prefeitura sabem bem como é difícil governar quando não se tem maioria na casa. Inclusive, as coligaçíµes do PMDB estão e serão muito baseadas nisto, qual seja: partido que tem mandato tem muito mais direitos í CCs e regalias eleitorais do que outro, que apoia, mas não tem cadeira na Câmara Municipal.
No ano passado, quando em sua saída da Câmara, quando pediu licença, o vereador Tiago jogou contra seu próprio partido, o PMDB. Ele se inscreveu na chapa de oposição que acabou elegendo o atual prefeito Idelfonso Brocca (PP), evitando que o PMDB tivesse na presidência um vereador da base, justamente em ano eleitoral, muito mais político que outros.
Agora cabe averiguar para que lado o jovem vereador Tiago irá tender. Se mantém sua rebeldia contra o PMDB, ou se apoia o seu partido, que passa a ter novamente maioria na casa legislativa.
Definiçíµes para… as definiçíµes finais…
Está, aos poucos, se desenhando o horizonte que a cidade terá í frente nas eleiçíµes de outubro. O PMDB faz reunião para sua pré-convenção na quarta-feira (30). Em princípio, dela deve sair a chapa inteira que representará o PMDB e os partidos coligados no pleito. Já o PT não fala muito. Nas últimas duas semanas, foram divulgadas duas alianças: Primeiro o PP, depois o PDT. O PP tomou a liberdade de anunciar que entra como vice na chapa de Nílvia Pinto Pereira (PT). E tomou a liberdade também de dizer que a votação agora no partido dos progressistas torrenses será para escolher nomes para representar a sigla na vaga, por eles já decidida que é deles.
Existem várias pessoas na cidade que já se pronunciaram que gostariam de representar o partido em uma eventual chapa para a prefeitura. Broca foi o mais enfático, mas Rogerinho se manifestou neste sentido, Tenora também (duas vezes), além de representantes do partido que não possuem cargos eletivos. O advogado Cezar Grazziotim, o empresário Hélio Krás, o empresário Ataualpa Lumertz, dentre outros. Existem potenciais candidatos na cidade, também, que estão filiados ao PP e que podem ser bem citados. Carlos da Delta, muito bem relacionado com o partido e com o empresariado, é um exemplo.
Mas parece que o presidente da Câmara não quer abrir mão desta chance. E a coisa deve pegar dentro do PP. í‰ que existe muita gente por aí que não engoliu a coligação com o PT, e agora pode querer compensar escolhendo nomes.
Todas estas especulaçíµes, algumas bastante práticas e factíveis, podem ser derrubadas nas convençíµes obrigatórias das siglas. Durante o mês de junho próximo, que inicia na semana que vem, muitas coisas podem acontecer, inclusive viradas de mesa, com insinuaçíµes, inclusive, judiciais.
Falando em temas judiciais
Um político importante de Torres falava nesta semana que esta campanha política deverá ser marcada como uma das mais judicializadas. í‰ que entrou o Ficha Limpa em ação, e agora o congresso votou e aprovou um PL que evita que candidatos inscritos com contas reprovadas anteriormente não entrem no rol dos ficha-suja. Existem as redes sociais e não está claro (nem nunca será) o que pode e o que não pode ser feito através delas por candidatos que disputam pleito.
Além disto, especificamente em Torres, o pau deve pegar. A candidata Nílvia concorre pela segunda vez í prefeitura. E a candidata se diferenciou no pleito de 2008 por protagonizar cenas bastante agressivas contra os adversários, o que deve se repetir neste ano.
Trata-se de uma coisa ruim para o eleitor. Muitos boatos poderão se tornar fatos de campanha, as redes sociais devem ser as protagonistas destas informaçíµes pouco confiáveis, e a judicialização em alguns casos será necessária. Cabe ao MP estar atento para ambas as possibilidades. Primeira, a de haver exploração do judiciário pelos partidos em nome da vontade de denegrir a imagem dos oponentes. Segundo, atenção í laranjas contratados para influenciar a eleição através das redes sociais. A punição exemplar deveria ser a saída. Olho no lance.


