DOIS ESTUPROS SEM SOLUí‡íO NA MESMA REGIíO DE TORRES DEMONSTRAM FRAGILIDADE NO SISTEMA DE PROTEí‡íO í€ MULHER

4 de novembro de 2013

 

As chamadas Polí­ticas Públicas Afirmativas em prol dos direitos e da defesa das Mulheres ainda engatinham em temas antigos, básicos e vitais para esta militância. A questão dos estupros criminosos ainda é tratada de forma altamente conservadora pelas autoridades que coordenam esta polí­tica moderna de direitos humanos, pelo menos foi o que aconteceu em Torres, embora se veja reclamaçíµes similares espalhadas por todos os pagos do RS e pelo Brasil afora.

 

Nos últimos trinta dias, a cidade de Torres teve a infelicidade de ter dois casos de estupro violento a duas cidadãs da cidade. São casos ainda sem pistas maiores e que possuem a coincidência de terem sido executados em uma mesma região, o que preocupou a sociedade e gerou movimentos e pressão social. E as ví­timas “ corajosamente decididas a irem í s últimas conseqí¼ências no sentido de tentarem fazer sua parte para prender e punir os responsáveis (ou responsável), acabaram tendo a chance de sentir o quão as polí­ticas públicas não estão integradas para apoiar ví­timas e polí­cia para que os casos sejam resolvidos e as mulheres sejam atendidas de forma coerente com o alto grau de ufanismo marqueteado pelos polí­ticos que adotam estas bandeiras como forma de se promoverem.

 

Seis casos de maio a outubro. Dois anos para resultado de teste de DNA

 

Conforme dados da Polí­cia Civil de Torres, de maio de 2013 até quarta-feira passada, dia 30 de outubro, foram seis casos de estupro na comarca. Dois fora de Torres, um com autoria e encaminhamento e outro com suspeita de autoria em Arroio do Sal; dois com autoria conhecida e os encaminhamentos jurí­dicos finalizados pela Polí­cia Civil, aqui dentro de Torres; e estes dois últimos, nos 30 dias passados, ambos ainda sem pistas maiores, embora um exame de DNA esteja sendo feito em Osório para checar se um suspeito é ou não o estuprador, pois realizou o crime de touca ninja. E estes dois com coincidências, pois foram realizados em bairros vizinhos: Igra Sul e Centenário.

E é o tempo do resultado do exame que de certa forma assusta a sociedade. O prazo do resultado pode demorar dois anos, conforme informa a Polí­cia Civil. Esta demora acaba deixando ví­tima e acusado até dois anos vivendo em constante ansiedade. A ví­tima do estupro cruzando diariamente pelo suspeito, sem saber se ele é ou não o autor, mas sem saber, também, o que ele (autor) seja capaz de fazer após ser denunciado. E o próprio denunciado vivendo até dois anos sendo acusado de ser estuprador, quando pode não o ser. Uma bomba pronta para acender a doença no doente que estupra; e uma bomba pronta que acende em inocentes ansiosos e que podem surtar por pura falta de alternativa dada a eles pelo Estado.

 

Cadê a rede de proteção na cidade?

 

A FOLHA conversou com ví­timas e a reportagem do jornal chegou í  conclusão que falta coordenação para proteção í  mulher vitimada. Em um dos casos, a ví­tima ficou por horas no Hospital Navegantes para ser examinada, e não o foi. Uma médica (mulher!) de plantão, Doutora Y, afirmou que não podia examinar a estuprada, que não teria equipamento para tal. E sequer verificou a saúde da mulher, que além de estar em choque após ter sido violentada, queria saber se estava pelo menos com sua saúde em dia.

A mesma ví­tima, há duas semanas (aproximadamente) pediu uma reunião com a gestora das polí­ticas públicas para as Mulheres da cidade de Torres, pedindo uma reunião conjunta com a secretaria de Saúde, para tentar ver de que forma uma polí­tica afirmativa poderia ajudar a aliviar sua ansiedade, já que tem vivido na base de vários remédios para conviver com o trauma, e teve de abandonar sua casa, com medo de ser revisitada pelo estuprador (caso muito comum na literatura sobre o assunto) na busca de vingança ou em recaí­das doentias (hediondamente criminosas). Para a ví­tima, é este o fórum que ela deveria buscar, pois vive em Torres, é mulher e foi violentada, uma afronta aos direitos humanos fundamentais e, muito mais, uma afronta í  militada busca por polí­ticas afirmativas neste sentido. E até   quarta-feira ( 30) não havia sequer recebido um telefonema.

 

Falta de humanismo

 

Outro fato que chamou a atenção pode ter sido um lapso, mas alerta perante a efetiva atenção que as mulheres e as entidades públicas deveriam ter para casos hediondos como estes. Uma ví­tima chegou ao CAPS com um diagnóstico por escrito de uma psicóloga da secretaria de saúde (posto), exigindo tratamento psiquiátrico urgente. Mas a chefe atendente do Centro de Atendimento Psicossocial (talvez porque não tenha lido a receita) perguntou í  ví­tima o que havia acontecido e sugeriu que ela (ví­tima) participasse de um grupo psicoterápico para uma melhor analise de diagnóstico. Foi necessário que a ví­tima se impusesse, para que o CAPS encaminhasse o tratamento urgente, como pedia a receita da psicóloga. Imaginem uma vitime ter de impor nestas horas?

O lado bom foi que, a partir deste mal entendido, a ví­tima esta sendo muito bem atendida justamente pelo CAPS em todas as necessidades.

 

Nota 10 para a polí­cia civil e militar em humanismo

 

A mesma ví­tima não poupou elogios a todas as açíµes da Brigada Militar e da Polí­cia Civil. A BM foi preste ao tentar pegar o estuprador prontamente, logo que a ví­tima foi liberada pelo criminoso, em ato feito dentro da casa da mulher vitimada pela violência. A Polí­cia Civil foi também ágil e competente ao encaminhar todas as investigaçíµes possí­veis. O delegado Celso Jaeger fez questão de colocar mulheres no caso. E duas investigadoras estão gerenciando todas as pistas e denúncias que possam ser importantes para resolver o caso.

O humanismo e solidariedade também foram parte do atendimento í  ví­tima. No exame realizado em Osório, necessário para colher material do estupro para cruzar com os suspeitos, a mulher violentada foi tratada com civilidade e carinho solidários ao caso. Só foi examinada por mulheres; os homens que a levaram para Osório foram educados e solidários com o momento difí­cil em que a ví­tima passava, e os policiais (homens e mulheres) da delegacia de polí­cia pegaram o caso com gana de realização: querem resolver este caso de qualquer forma e valorizam a disposição da vitime se expor em nome da segurança dela e de outras torrenses que possam ser violentadas pelo doente mental criminoso.

 

Movimento na cidade pede abaixo assinado

 

Na rede social Facebook, o movimento de mulheres está bombando. Até um abaixo assinado pedindo apoio de autoridades de escalíµes maiores do Estado para resolver os dois casos está sendo feito. Há muita coisa exagerada no ar, embora também haja muita verdade e certa razão de apreensão da sociedade. Afinal de contas, são dois casos de estupro sem solução em Torres, onde há uma coincidência de região da cidade. E a única prova cabal para prender estuprador que ataca de touca ninja é a do DNA. E o exame pode demorar dois anos. O que dizem os polí­ticos torrenses e do Estado do RS sobre isto é o que a sociedade quer ouvir.

 

 

 

 

 


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