Dr.Natal

19 de agosto de 2011

 

 

Lá pelos idos dos anos sessenta do século passado, um jovem recém saí­do da   Faculdade de Medicina chegou ao litoral norte gaúcho e se estabeleceu em Torres. Aqui deitou não apenas raí­zes profissionais, mas também se enamorou de uma torrense, casou com ela, teve filhos, criou e educou seus rebentos, estabeleceu fortes laços com a grande famí­lia da esposa, sem esquecer de manter os laços com a sua própria grande famí­lia italiana lá do alto da serra. Aqui fez também um grande e fiel cí­rculo de amizades.    

                      Isso não tem nada de especial. Isso os demais cidadãos dito comuns também fazem. O que tem de muito especial na vida do nosso admirável Dr. Natal é que além dos milhares de clientes cujos corpos e almas passaram aflitos pelos seus consultórios e pelo Hospital ao longo da sua carreira, ajudou a vir ao mundo mais de onze mil bacurizinhos brasileiros, independente de serem filhos de mães ricas, pobres ou remediadas, brancas, pardas ou negras, de terem a carteirinha de saúde do INAMPS, do IPE ou de qualquer outro órgão de assistência í  saúde ao longo dos tempos ou, mais modernamente, de algum plano de saúde. Independente de poderem ou não pagar pelo parto e pela atenciosa assistência pré-natal que prestava í s suas gestantes, todas indistintamente foram atenciosamente atendidas, cuidadas, orientadas, apoiadas nos momentos difí­ceis, não interessando se podiam ou não pagar pelo atendimento.  

                      Adepto ferrenho do dito parto normal, levava í s últimas instâncias o trabalho de parto a fim de evitar uma intervenção cirúrgica “ a cesariana, e ficava ali ao longo do dia ou da noite, na espera, no controle, timão firme nas mãos até que aquela nova vida saí­sse das entranhas maternas e lhe caí­sse, aos prantos, nos braços na busca do porto seguro que ele era capaz de oferecer antes de passá-lo ao abraço emocionado da mãe ou aos cuidados da enfermeira da sala de parto. Tantas mil vidas chegadas assim ao mundo, isso sim é excepcional, é admirável, é maravilhosamente irrevogável da história dos torrenses.

                        Lembro do Dr. Natal em muitos momentos da nossa vida em Torres, do seu nariz adunco de descendente de italianos e do seu sorriso matreiro, mas lembro nitidamente do brilho do seu olhar claro que transmitia firmeza, serenidade, alegria, constância e fidelidade perene ao seu juramento hipocratiano. Por tudo isso e por ter contado com ele muitas e muitas vezes na vida da nossa famí­lia e, em especial, no nascimento da nossa filha, preciso dizer-lhe que foi muito bom, muito especial tê-lo conhecido na terra que também adotamos um dia, preciso dizer-lhe mais uma vez   Muito Obrigado! no meu nome e no nome de todas as mães, filhos e famí­lias que tiveram o privilégio de encontrá-lo um dia.  


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