A extensa Planície Arenosa Costeira do Rio Grande do Sul foi formada pelas subidas e descidas do nível do mar. Esses movimentos originaram uma imensa praia arenosa caracterizada pela presença de dunas costeiras. As dunas se desenvolvem a partir da interação do vento, da areia e da vegetação. Do mar vem a areia, que carregada pelo vento acumula-se ao encontrar um obstáculo. Com o crescimento da vegetação típica, a areia vai sendo fixada, formando dunas de diferentes desenhos e tamanhos. Tem-se então o sistema de dunas. As mais próximas ao mar, são baixas e nestas a vegetação é capaz de resistir ao sal e í s subidas do mar “ são ditas dunas embrionárias. Logo atrás, estão as dunas mais altas com vegetação variada e delas podemos ver a amplidão da praia “ a estas se denomina dunas primárias e secundárias.
As dunas fazem parte da história do litoral emoldurando cerca 622 quilí´metros de extensão, desde o Chuí até Torres. Uma grande parte delas foi sacrificada em prol do crescimento das cidades litorâneas. Em 1940 a cidade de Torres já sofria com a migração das dunas ao redor da cidade, como destaca Muri no livro Remembranças de Torres.
…as dunas chegavam a grande altura e tinham seu início no local onde se encontra o colégio São Domingos e iam até a Praia da Cal […] Ary Alves, da secretaria, da Agricultura, deu início, naquele tempo, í contensão das areias com a plantação intensiva de acácias e eucalíptos.
Ruschel também lembrou as dificuldades passadas pela cidade na década de 30 onde funcionários da prefeitura removiam, com carrinhos de mão, as areias que avançavam sobre as casas.
As areias da praia da Cal se libertaram entre 1910 e 1920. Migraram logo para os banhados do interior. Mas depois marcharam para o norte, por trás da torre do Farol: grandes lençóis deslizavam por sua encosta, impulsionados pelo vento sul. Um extenso cí´moro soterrou o velho cemitério, cujo cruzeiro ficou só com a ponta de fora; os mortos da comunidade passaram a ser enterrados na parte alta da torre, ao lado do farol da marinha recém construído.
Há bem pouco tempo as dunas avançavam sobre o calçadão. Muitos prefeitos passaram e as dunas incólumes permaneciam atrapalhando o passeio no calçadão. A luta das pás contra as areias foi vencida pelas areias.
Hoje ao passearmos pelo calçadão encontramos alguns amontoados de galhos e ficamos sem saber o porquê deste entulho. Os mais curiosos encontram respostas nas diversas placas explicativas espalhadas pela orla. í‰ o plano de manejo das dunas que foi iniciado em 2009 e que continua sendo realizado por técnicos da Prefeitura de Torres em parceria com o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA). Este plano de manejo tem o objetivo de preservar este ecossistema e fixar as dunas através de colocação de cobertura morta e galhação associada ao plantio de vegetação (quase 10 mil mudas de margarida nas dunas foram plantadas). Isso fez com que as dunas não mais migrassem com o vento e ainda contassem com a proteção de cercas montadas com troncos de podas de árvores da cidade. Aparentemente este problema está resolvido e a solução foi quase a mesma descrita por Ruschel.
Na década seguinte (1940) o problema foi transferido ao estado, através do Serviço de Fixação de Dunas. Funcionários da Secretaria da Agricultura faziam cercas de tiriricas nos cumes dos areais, fazendo-os desviar para o banhado
Roni Dalpiaz
Site: www.ronidalpiaz.com.br e-mail: ronidalpiaz@gmail.com
Referências
http://www.nema-rs.org.br
RUSCHEL, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre: EST, 2004.
MURI, Guido. Remembranças: As vivências de uma comunidade. Porto Alegre: Pallotti, 1996.


