EDITORIAL – Alturas de edifí­cios na zona oito: PAREDí•ES OU PAREDINHAS?

4 de junho de 2014

 

Esta mais uma vez em debate a já atrasada modernização do Plano Diretor de Torres. Dentre outras decisíµes, sempre a que fica em voga é a liberação, parcial ou total, da altura dos prédios na chamada ZONA oito, que pega as quadras de beira de praia na Praia Grande, aqui em Torres.

O incrí­vel é que as opiniíµes são polarizadas. A maioria das pessoas e entidades não quer liberar o que chamam de paredão na beira da praia. Outros alegam sombra na praia ( o que é difí­cil “ somente no final de tarde nos veríµes). E a tendência é de que tudo continue como está, com permissão de prédio de no máximo 9 metros de altura ( três andares mais cobertura).

Mas o que não está sendo levado em consideração é o futuro de nossa área nobre (turí­stica), caso se prolifere prédios pequenos. Eles terão de serem construí­dos uns grudados no outro simplesmente porque não existe chance de viabilidade econí´mica para que um empreendedor construa um edifí­cio pequeno destes sem a utilização total da área. E prédios uns grudados nos outros geram falta de ventilação, ou seja, o paredão será substituí­do por uma paredinha – mas de 10 metros, que gera todos os problemas do paredão, até mais, se não vejamos.

1 – Os edifí­cios pequenos terão uma garagem por apartamento; e os outros veí­culos terão de ficar na rua. Isto gera alto impacto de vizinhança.

2 “ Os apartamentos serão do estilo mais popular (vários por prédios) e acabarão sendo fonte de investidores que os comprarão para alugar por diária no veraneio – o que sabemos que gera casos de 10 pessoas acomodadas em um apartamento de um quarto, em muitos casos aqui em Torres, o que gerará muito mais impacto de vizinhança do que já gera hoje.

3 “ Os donos das casas atuais não vão querer vender suas residências (terrenos para as construtoras) pelo preço que viabilize o negócio para o empreendedor. Como já é hoje, poucos negócios saem e na maioria é por um aperto financeiro da famí­lia. E os donos de casas na maioria usam muito pouco suas residências, pois – por vários motivos diversos – não vêm para Torres. Passam aqui pequenos perí­odos e as casas ficam sem utilidade, fechadas, dando aspecto de a cidade ser desprestigiada, em pleno verão.

4 “ Tudo isto breca a aceleração da Construção Civil na cidade. E esta atividade é a maior geradora de emprego, principalmente para pessoas com baixo grau de instrução escolar. Isto gera um grande problema social local.

5 “ E a prefeitura deixa de multiplicar por 10, 20, ou 30, a arrecadação de IPTU no futuro. Uma casa paga UM IPTU; um edifí­cio multiplica isto POR MUITO, até por 30 vezes. E sabemos que as cidades são as primas pobres no sistema tributário no Brasil. De cada R$ 100 recolhidos de impostos gerais na nação, somente R4 10 ficam para as cidades. R$ 70 fica para o governo central e os outros R$ 20 para os Estados federativos.

Portanto, há de se avaliar a possibilidade de trabalhar o Plano Diretor para que se libere altura na Zona oito, mas para construir somente prédios com recuos laterais, frontais e de fundo agressivos. Aí­ teremos umas oito ou 10 Torres de edifí­cio em toda a área oito, com apartamentos de luxo, todos com três ou quatro vagas nas garagens por unidade, o que traria de volta os veranistas abonados que trocaram Torres por Punta Del Este ou por Santa Catarina, em alguns casos até por Xangri-lá. Esta decisão não gera sequer 1/3 do impacto que prédios pequenos geram ao sistema urbano. E as sombras (se houverem) ficarão em pequenos fragmentos, projetados í  beira da praia somente no final de tarde.

Além disto, teremos prédios lindos e luxuosos em Torres, o que chama muito mais a atenção dos turistas do que paredes de pequenos prédios sob pilotis.

Paredíµes, nunca; mas não adianta trocar paredíµes por paredinhas que incomodam mais ainda.  


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