EDITORIAL – Bandeira branca

25 de fevereiro de 2012

 

Está iniciando mais um ano útil no Brasil. í‰ corriqueiro que em nossa nação as pessoas, empresas e polí­ticos acabem deixando tudo para começar após o carnaval. Mas o que se observa no preâmbulo deste novo perí­odo de começo da rotina dos brasileiros é um conceito generalizado negativo da sociedade civil perante a classe polí­tica em geral. Principalmente a classe média, que afinal é a classe formadora de opinião da nação, tem deixado claro que não acredita mais na polí­tica. São campanhas nas redes sociais sugerindo que deputados, senadores e vereadores ganhem salário mí­nimo e se obriguem a ser atendidos pelo SUS e seus filhos estudem nas escolas públicas; são afirmaçíµes generalizadas de corrupção dos polí­ticos no poder; são afirmaçíµes públicas irí´nicas que sugerem que a sociedade não deva mais acreditar em polí­ticos, dentre outras manifestaçíµes da classe média, justamente í quela que forma opinião para a nação como um todo.

Esta espécie de inconsciente coletivo colocado público acaba prejudicando ainda mais a sociedade e deixando os sonhos individuais mais distantes ainda. A classe baixa, í quela que decide os votos baseada na opinião da classe média, acaba também tendo a tendência de votar pelo bolso, pela esperteza, pela sensação de benefí­cios egoí­stas fornecidos por polí­ticos oportunistas. E ao eleger estes mesmos oportunistas, renova-se um ciclo vicioso negativo, onde os erros acontecem, a sociedade reclama mais uma vez e a classe pobre acaba decidindo no pleito seguinte seus eleitos através de conceitos pouco cidadãos, iniciando mais um ciclo ruim.

í‰ natural que seja a classe média que defina conceitualmente os rumos da polí­tica nas naçíµes. í‰ ela que trabalha duro para gerar empregos através de seus empreendimentos em empresas médias e pequenas; é ela em geral que ocupa cargos estratégicos nas grandes empresas e nas grandes organizaçíµes privadas e publicas em geral; é a classe média que se arrisca em nome do desenvolvimento dos locais. Portanto, o absolutismo negativo referente í  classe da polí­tica destas famí­lias inteiras somente atrapalha o verdadeiro desenvolvimento da nação. Os polí­ticos irão continuar sendo nomeados através do voto. Não há possibilidade de isto não ocorrer. E cabe justamente í  classe que forma opinião, estudar as intençíµes dos candidatos para saber escolher os melhores. Cabe também í  mesma classe formadora de opinião que se informe sobre o funcionamento das coisas relacionadas í  sua cidade, seu Estado, sua nação. í‰ vital que os formadores de opinião saibam discernir muito bem a responsabilidade real, tanto das mazelas quanto das conquistas coletivas dos lugares onde moram, trabalham e têm seu lazer.  

Não adianta tentar mobilizar grupos inteiros para causas impossí­veis. í‰ justo, legí­timo e saudável que haja manifestaçíµes no sentido de mudanças nas causas coletivas. E é saudável também que haja correntes divergentes e até conflitantes neste processo. Mas não é salutar para a democracia as açíµes públicas que sugerem coisas absurdas, sarcásticas, absolutas e preconceituosas, visado denegrir de forma generalizada uma classe inteira da sociedade, neste caso a classe polí­tica.     Nada disto surte efeito. Quem acaba se beneficiando é o esperto, que se aproveita da dúvida para se eleger fazendo e prometendo para tal aquilo que não faz parte do trabalho de um polí­tico, ou pelo menos não deveria fazer.

O rancor e os surtos de ódio contra a polí­tica e os polí­ticos são atualmente os principais entraves que a sociedade enfrenta para ter serenidade e responsabilidade de eleger seus polí­ticos em suas cidades, seus Estados e no Brasil. Seria muito mais saudável que os opositores incondicionais da polí­tica como um todo se filiassem a um partido e participassem ativamente da atividade que afinal define os rumos do coletivo de nossas vidas. Eles estão sendo polí­ticos a criticar, mas erram ao generalizar.

  Sugerir que um polí­tico trabalhe com salário mí­nimo e sem benefí­cios, quando é sabido que para serem eleitos estes gastam quantias grandes de seus orçamentos e, após eleitos, se obrigam na maioria das vezes a largar suas atividades profissionais não é uma forma de brigar saudavelmente por mais moralidade na polí­tica. A corrupção e as mordomias estão, sim, exageradas, principalmente no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas dos Estados. Brigar e mobilizar para diminuir os exageros é justo, mas sugerir a exterminação da classe é no mí­nimo ingênuo.  


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