EDITORIAL -Cabide de emprego?

15 de maio de 2012

 

Estamos prestes a vivenciarmos mais uma eleição municipal e  o clima polí­tico saudavelmente esta apimentando a cada dia. í‰ época de coligaçíµes e o mercado está aberto. Partidos perambulam de lá e para cá informando coligaçíµes antecipadamente. Caciques partidários se sentem dono do passe das agremiaçíµes e colocam suas siglas em negócios sem sequer conversar internamente com seus correligionários. Reuniíµes são feitas sem a presença da presidência das agremiaçíµes, onde outros negociam em nome do partido e anunciam aos quatro ventos coligaçíµes, uniíµes, frentíµes, dentre outras manobras.   E o que se deduz é que, na maioria das vezes, empregos de todos os ní­veis é o que verdadeiramente está em jogo. Companheiros de militância querem saber em alguns casos se seus empregos atuais estarão disponí­veis a seguir, assim como outros companheiros de outros partidos querem saber se seus empregos, não conseguidos nos últimos anos, poderão ter um novo horizonte e, consequentemente, planejarem sua volta fisiológica para cargos nas prefeituras e na Câmaras municipais.

Tudo isto faz parte do jogo da polí­tica. Estar dentro da máquina pública deve ser uma saudável busca de quem escolheu para si estar no meio polí­tico-partidário. Poder é governar. Governar e adquirir experiência. E Experiência é fundamental para os currí­culos. Mas isto deveria ter limite.

Não é saudável que o processo de aprendizado se inicie da falta de experiência total í  experiência parcial, subindo aos poucos para a experiência necessária. Mas é isto que assistimos em várias organizaçíµes partidárias. Em troca de votos da famí­lia, da militância em um bairro, uma associação de classe, etc., muitos polí­ticos prometem emprego para pessoas que não possuem perfil nenhum para o trabalho. E após a vitória são obrigados a cumprir o prometido, o que gera o problema. O resultado disto é a morosa, burocrática e emperrada máquina pública. Além de ser formada por funcionários estatutários estáveis, recebe após o pleito mais gente sem motivação efetiva para o trabalho. Os estáveis se desmotivam por estarem sempre ligados a correntes diversas de poder que resolvem as coisas politicamente, além de terem í  estabilidade de emprego a seu favor, o que não é um supra-sumo da motivação profissional.   E aí­ aparecem os CCs sem experiência.  E os estáveis têm , ainda, de  ensinar colegas contratados politicamente e nem sempre se sentem bem ao fazerem isto. E o resultado pode ser danoso, como geralmente o é. Pessoas procuram serviços nas prefeituras e algumas vezes ficam sem qualquer resposta, o que, além de ser um desrespeito ao contribuinte, se trata de um ponto negativo para as próprias coligação que estão no poder. Ou seja, todos perdem.

Polí­ticos sérios deveriam evitar contratar pessoas sem experiência ou sem motivação para trabalharem em seus governos como ocupantes dos  cargos de confiança. Não é saudável para as cidades, muito menos para o conceito da polí­tica, já em petição de miséria, que pessoas coloquem gente dentro de administraçíµes como se  fossem somente peças fictí­cias,  que só ajudam aos mesmos que mantenham seus votos naquele determinado segmento, naquela determinada famí­lia, naquele determinado sindicato.

Chega de a administração pública servir de cabide de emprego para pessoas despreparadas, muitas delas comprovadamente com dificuldade de conseguirem empregos fora da Coisa Pública. Polí­tica executiva e legislativa é coisa séria. As próprias famí­lias e entidades deveriam de se abster de sugerir empregos para pessoas-problema em seus lares, em seus ambientes corporativos.   Não dá para a sociedade reclamar dos serviços públicos, polí­ticos militarem por melhorias no mesmo serviço, quando no lado inverso acabam colaborando para a manutenção da baixa produtividade do setor público por indicarem pessoas sem experiência ou perfil para o trabalho.  


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