Após todas as derrocadas que estão assolando o primeiro mundo, onde o exagero da presença do Estado na maioria dos países da Europa obriga atualmente que os governos cortem as despesas na própria carne, por conta do sacrifício necessário para retomar o equilíbrio orçamentário, no Brasil, principalmente no RS, parece que os partidos, sem exceção, mantêm as idéias retrógadas de aumentar a presença do Estado na vida dos cidadãos. Na Europa, servidores públicos estão tendo cortado seus salários ao meio, demissíµes em massa de servidores estão sendo feitas, a venda de estatais está sendo exigida pelos bancos. Tudo para pagar a conta de direitos sociais dados ao povo acima das possibilidades orçamentárias reais. Planos de governo e propostas eleitoreiras implementadas sob o signo que dinheiro nas naçíµes dá em árvore foram executadas, e hoje toda a sociedade de lá paga a conta: os que produzem e os que são beneficiários, pois as medidas são radicais e absolutamente necessárias, para todos.
Aqui no RS o governo Tarso resolveu fazer o caminho inverso da modernidade. Anunciou nesta semana a criação de mais uma empresa pública, agora para comandar a arrecadação dos pedágios e a aplicação dos recursos. A lógica aplicada imagina que o Estado administra melhor recursos financeiros, materiais e humanos, quando na prática não existe no RS nenhuma empresa estatal que seja eficiente se for aplicada sobre elas os padríµes de mensuração de eficiências similares aos aplicados nas empresas privadas. Além disto, ainda convivemos anualmente com a divulgação de prejuízos acumulados nas empresas públicas. Na prática, elas (empresas estatais) só servem afinal para propiciarem mais empregos para companheiros partidários, ou para gerar mais empregos públicos através de concursos públicos, tema que também dá votos, pois atualmente o sonho de consumo do cidadão brasileiro é ser um servidor público, estável e com ganhos salariais muito acima da média privada.
Na gestão do governo Yeda, o Estado do RS esteve próximo a implementar um plano de duplicação de rodovias, que previa a assunção dos investimentos e da manutenção dos projetos pela iniciativa privada, em troca de pedágios. Os membros do PT e outros partidos de esquerda brecaram o governo e abortaram um plano onde atualmente nosso Estado poderia estar sem os gargalos do trânsito que amargamos. No mesmo governo Yeda, houve uma proposta de construção e administração de presídios com recursos de terceiros em troca de uma espécie de aluguel futuro. Mais uma vez os políticos socialistas brecaram o processo. O atual governador Tarso Genro, inclusive afirmou que o governo federal não iria apoiar financeiramente a construção de presídios terceirizados. Ele era titular da pasta do Ministério da Justiça, portanto tinha peso político para fazer este corte federal. O plano de construção de presídios também foi abortado.
No segundo ano do governo Tarso o que vemos são estradas esburacadas e presídios sendo mais uma vez interditados. Não existe plano para melhorar isto. Os planos são ideológicos e baseados na lógica da presença total do Estado no processo. Mas não há dinheiro público previsto para que o Estado consiga duplicar estradas, tão pouco para construir presídios como a demanda exige.
Estamos em uma democracia. O RS claramente tem preferido dar o poder para governos mais intervencionistas e vendedores de idéias, com pouca efetividade nas açíµes. A população, portanto, está com pouca moral para exigir melhorias. O povo do RS quer um Estado mais socialista, com mais presença do Estado, mas com poucos investimentos em infraestrutura em troca. E para referendar esta situação, não existe nenhuma agremiação partidária forte atualmente que se comprometa e fazer o contrário. Privatizar no Brasil, principalmente no RS, se trata de uma palavra demonizada pela cultura socialista em que estamos. E os políticos, na maioria covarde, não querem ir contra a maré. Isto retira o contraditório, abate a possibilidade das pessoas incultas verem outros lados. E sem contraditório ativo, nenhuma sociedade vai adiante com sucesso. A oposição ideológica é necessária, mas parece que no Brasil todas as agremiaçíµes têm a mesma ideologia: ter um Estado grande e recheado de empregos. O dinheiro? Dá em árvore.


