EDITORIAL – Chega de roubo em nome da governabilidade

11 de julho de 2011

 

 

Mais um ministro é demitido por estar envolvido em supostos desvios de dinheiro público. Desta vez foi o dos Transportes, Alfredo Nascimento, presidente licenciado do PR (Partido Republicano). Desde que iniciou sua gestão, há apenas seis meses, a presidenta Dilma já teve de se confrontar com dois escândalos, envolvendo dois teóricos homens de confiança do governo: ministros de Estado.  

O que mais preocupa em tudo isto é a insistência de todos os meios de comunicação em justificar baseados na necessidade da governabilidade (maioria na Câmara e no Senado),  os acordos esdrúxulos feitos em Brasí­lia entre partidos que se dizem base de governo.  Esta tal  de Governabilidade parece ser sempre pano de fundo para explicar o inexplicável: a insistente inércia dos presidentes nos últimos anos em manter pessoas e agremiaçíµes notadamente fisiologistas e feitoras de negociatas entre os lí­deres e autoridades, que afinal têm a responsabilidade e o dever de levar nosso paí­s nas costas.   Parece que não é possí­vel governar sem maioria na Câmara e no Senado. Parece que a aceitação incondicional a todas as medidas decididas pelo governo é tema vital para governar uma nação, mesmo que estas aceitaçíµes estejam muitas vezes longe de ser parte das ideologias de partidos. Parece que efetivamente a ditadura disfarçada é a única forma que os governantes conservadores, os atuais, conseguem enxergar horizontes para as possibilidades de realização de seus projetos.  

Vemos na imprensa praticamente todos os dias cenas de coluna policial quando se fala em administração pública. São escândalos atrás de escândalos que se passam na frente da sociedade, dando a impressão que não adianta descobrir um ou outro, ou retirar pessoas envolvidas neles, que se pode encaminhar a resolução do problema. Incrivelmente aparecem no outro dia verdadeiros substitutos escalados para manter a roubalheira que está instalada na maioria das administraçíµes públicas, principalmente nos polí­ticos e funcionários públicos que trabalham em Brasí­lia.    

Por outro lado vemos partidos sem nenhuma afinidade ideológica convivendo em paz, mas em uma paz selada por favores fisiologistas e por omissão dos sérios em tentar evitar que os ladríµes se abasteçam através de suas negociatas polí­ticas. Vemos inclusive partidos que definitivamente existem somente para se locupletar do poder a favor de seus bolsos. Mesmo assim, são bem-vindos no poder, tudo em nome da tal Governabilidade, conseguida através da maioria na Câmara e no Senado.    

Com certeza um governo sem maioria parlamentar seria mais profí­cuo para o Brasil. Se mensurarmos o prejuí­zo econí´mico, social, didático e de energia que os espertinhos provocam em um governo montado para ter maioria nas casas legislativas, certamente chegarí­amos í  conclusão que a demora de aprovação de alguns projetos de lei, ou até a desistência de outros, por falta de apoio para suas aprovaçíµes, acaba se tratando de um prejuí­zo muito menor para o Brasil, além de fazer a sociedade assistir discussíµes polêmicas, praticamente produto que não existe hoje, justamente pela possibilidade do governo trabalhar como se uma ditadura fosse, tal é seu poder polí­tico. Seria muito mais didático e saudável vermos brigas acaloradas na TV, protagonizadas pela oposição ou pela situação, onde os assuntos debatidos seriam institucionais, de valores sociais, morais, afinal, de ideais.    

Não é mais admissí­vel que nosso paí­s mantenha esta negociata polí­tica aberta entre partidos (ou coisas parecidas que são algumas agremiaçíµes), por conta da Governabilidade, da maioria no congresso. Sabe-se que polí­ticos sérios, mesmo estando juntos do governo, quando os assuntos forem de peso ideológico acabarão debatendo e até votando contra o estabelecido. Assim como se sabe que polí­ticos e partidos desonestos muitas vezes nem sabem o que está sendo votado ou discutido. Só sabem que devem votar com o governo, assim como sabem que podem cobrar isto, seja lá qual for a moeda escolhida.

 Cabe í  sociedade expor estes malfeitores da nação. Talvez aí­ a mesma sociedade não repita seus votos. E é através da quebra desta tal de premissa da governabilidade que deverí­amos começas isto.    


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