A judicialização da administração pública nos municípios é causada por duas coisas distintas. A primeira é a falta de preparo dos promotores e juízes. Na maioria jovem e de formação jurídica, com quase nada de formação matemática e de lógica, os membros do judiciário que habitam as comarcas das cidades acabam aplicando a constituição do Brasil independentemente se medir se economicamente aquilo é viável. Os tribunais de justiça dos Estados, então, são os que acabam dando o destino certo das decisíµes de primeira instância. E isto se tornou um ciclo vicioso de difícil solução. Como iremos querer que pessoas despreparadas julguem uma causa de forma coerente, aberta, holística?
Mas a principal mazela do sistema, a verdadeira causa de judicilaliização da coisa publica, principalmente nos municípios, se trata da injustiça do sistema de distribuição de tributos no Brasil. í‰ nas cidades que as pessoas vivem. í‰ na cidade que as pessoas sentem na carne o í´nus e o bí´nus de todas as medidas governamentais, de todas as esferas e em todas as instâncias. Portanto, é natural, também, que as brigas jurídicas ocorram nos municípios, nas regiíµes, nas comarcas de ponta. Mas quem é o primo rico dos tributos é o governo federal. Dos quase 40% de impostos que nós, brasileiros, pagamos ao consumir e ao produzir, 70% ficam com o governo federal. Somente 6% ficam com as cidades. Não precisa ser expert para avaliar que o sistema é burro, quase que suicida. Não é de se espantar do porquê de Brasília ser a Ilha da Fantasia do Mundo, que usufrui da maior renda per capita do Brasil, que apresenta os melhores salários dos servidores públicos, que esnoba o povo brasileiro no quesito consumismo. Não é de se espantar, também, quando vemos sistemas inteligentes de desvios de recursos implantados lá na capital brasileira, como estamos assistindo de camarote e í cores o desdobramento do Mensalão, o maior escândalo de desvio de recursos públicos da história brasileira.
O chamado Pacto Federativo, qual seja, um novo marco de distribuição dos pesados tributos do Brasil, urge que venha í tona. í‰ difícil que o congresso nacional apóie a medida por si só, já que deputados e senadores são os que mais usufruem destas maravilhas da Ilha da Fantasia chamada Brasília. Mas se a sociedade se unir, utilizar as redes sociais, utilizar os jornais e revistas e, enfim, se mobilizar para eleger uma nova gleba de políticos, que busquem no bojo de seus ideais, libertar as cidades do imperialismo tributário exercido pelo governo federal e pelos governos estaduais no Brasil, poderá se dar início a uma nova era. Após, sim, a nação poderá dar o seguinte passo: o de diminuir sensivelmente a carga tributária cobrada dos que produzem na nação para pagar bandos de pessoas muitas vezes preguiçosas, acomodadas, que só vivem buscando uma fórmula para trabalhar menos e ganhar mais, fórmula do diabo, diga-se de passagem.
Nossa constituição atual dá espaço para promotores e juízes decretarem nas cidades que todos são ricos, todos têm atendimento, todos têm direitos a tudo, mesmo que não haja recursos nas cidades para tal feito. O sistema se assemelha, por exemplo, ao de nós, simples viventes, decretarmos em nossas casas, para nossas famílias, que somos ricos. Logo em seguida, darmos um cartão de crédito corporativo para os membros de nossos lares e dizer: "podem buscar o que vocês acham que de direito têm que depois pagamos a conta.
Só que se sabe que a conta chega. Mas sabe-se, também, que em nossas casas, não podemos aumentar impostos ou arrochar pessoas e empresas para pagar nossas faturas como fazem os governos imperialistas, como o do Brasil e do RS. Vamos parar no SPC e, logo após, vamos í falência familiar, financeira e moral.


