EDITORIAL – Favelados aumentando: uma consequencia do Êxodo Rural do Brasil

27 de dezembro de 2011

 

 

 

Um levantamento divulgado na semana passada pelo IBGE mostra dados preocupantes no que diz respeito í  efetiva resolutividade das polí­ticas públicas de inclusão social no Brasil. Nos últimos 20 anos, o  número de pessoas que vivem em locais conceituados como favelas praticamente dobrou no paí­s. São 11 milhíµes de pessoas vivendo em áreas apelidadas pelo IBGE de aglomerados subnormais, que por sua vez não possuem acesso í  esgoto tratado, água limpa, energia legal e geralmente ocupam locais irregularmente, perigosos, poluidores ambientais, consequentemente colocando os moradores que optaram por lá morarem de estarem, além de em condiçíµes subnormais, como pessoas fora da lei.

 

O dado preocupa por dois enfoques: o primeiro é objetivo: dobrar o número de pessoas em 20 anos mostra um caminho errado, perigoso, de alerta, que deve preocupa qualquer governante sério. O segundo é sintomático: trata-se do resultado da falta de aproveitamento de oportunidade que uma nação com o potencial agrí­cola como o Brasil deixa anualmente de aproveitar,  pela efetiva omissão dos governantes, que mais ficam em discursos de reforma agrária ou de fomento í  agricultura familiar, ao invés de valorizarem as cidades do interior da nação como lugares muito mais fáceis de viver. O êxodo rural continua sendo uma realidade triste; triste porque é uma tragédia anunciada na maioria dos casos, triste porque famí­lias de agricultores pequenos são desmontadas pelo sonho de viver na cidade grande e perto do dinheiro, como imaginam muitos jovens e adultos que se transferem diariamente do campo para a cidade grande , e acabam na maioria povoando favelas e trabalhando em bicos insalubres como a coleta de lixo, por exemplo.    

 

Nossa ação parece que caminha justamente na contramão desta desgraça agora transformada em estatí­stica. Polí­ticas de fomento í  coleta e separação de lixo nos grandes centros com o discurso empreendedor, chamando os catadores de lixo individuais de empresários de forma hipócrita, somente abrem mais chances para que mais gente more em favelas, na busca de dinheiro fácil conseguindo catando lixo, quando se sabe que se trata de uma das atividades mais insalubres que existem, que se for avaliada pelas normas de trabalho no Brasil, deveria mais que dobrar os rendimentos dos trabalhadores com carteira assinada por adicionais de insalubridade, coisa que eles não têm, pois são donos do próprio negócio.  Fomentar profissíµes irregulares como camelí´s, cuidadores de carro, dentre outras, acaba sendo também mais uma forma de apoiar o êxodo rural e empoleirar gente desinformada em áreas irregulares e inabitáveis como mostra o levantamento feito pelo IBGE.  

 

 Um responsável diagnóstico sério sobre o assunto deveria efetivamente produzir uma polí­tica pública eficaz para segurar as famí­lias nas cidades do interior, tanto no campo quanto nas cidades, nelas em empregos dignos, com possibilidades muito maiores de obtenção de ao menos uma digna qualidade de vida. Não é dando Bolsa Famí­lia, regularizando moradores irregulares de periferia e fomentando atividades irregulares perante a lei e í  dignidade humana para os viventes das favelas que a nação terá efetivamente uma nação responsável para iniciar o caminho inverso desta tendência, que não é chute, trata-se de estatí­stica triste, estatí­stica triste e contundente.

 


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