Está acontecendo em Porto Alegre e região metropolitana a edição anual do Fórum Social Mundial Temático, um braço do Fórum Social Mundial, que já teve outras ediçíµes também na Capital gaúcha. Neste ano o tema é de certa forma o mesmo de outras ediçíµes. Mas foca de forma específica as rebeliíµes que ocorreram na primavera árabe, com os conflitos que derrubaram ditaduras naquela região do planeta; foca o movimento importante que aconteceu em Nova York, onde cidadãos questionam o modelo capitalista atual, e foca, acima de tudo, as questíµes ambientais confrontadas com o estilo de vida dos seres humanos, que prenuncia o término das reservas naturais do planeta caso não hajam açíµes fortes para modificar a tendência.
O perfil dos participantes deste tipo de encontro na maioria das vezes é formado de pessoas que são radicais quando defendem suas ideologias. São rebeldes que pedem mudanças rápidas em comportamentos das pessoas, não engolem açíµes somente reparadoras e acabam sugerindo projetos que dificilmente são aceitos pela categoria de autoridades mundiais da política, que afinal são as categorias representantes do povo no que diz respeito ao poder de mudança. Mas as sementes plantadas nas manifestaçíµes, nos debates, nas palestras e nos produtos finais são sempre bem-vindas para a sociedade mundial como um todo. í‰ nestes encontros que se iniciam movimentos estruturados político-institucionais que sugerem mudanças de rumo no comportamento humano, mais uma vez lembrando que a civilização necessita caminhar para tal ponto, sob pena de se auto-exterminar por falta de alimento, água, ar e outras necessidades básicas. São os movimentos radicais que acabam sempre sendo os nascedouros de mudanças reais da sociedade. Elas não são í quelas sugeridas pelos protagonistas, rebeldes pouco flexíveis, mas são modificaçíµes que nasceram com eles, os mesmos rebeldes, muitos sem causa, mas portadores da vontade e da coragem de mudar o que está claro que necessita de mudança.
O que seria da liberdade sexual feminina se não tivesse havido movimentos formados inclusive com o incentivo das prostitutas, profissão mais antiga do mundo, que existe até estes nossos tempos? O que seria da liberdade entre as raças se não tivesse havido tantas batalhas por esta conquista? O que seria da igualdade civil entre opçíµes sexuais se não houvesse os movimentos radicais neste sentido, por todo o mundo?
O Fórum Social, mesmo radical e de certa forma preconceituoso contra tudo e todos que defendem o sistema econí´mico e social atual, acaba sendo uma das mais importantes ferramentas de debate quanto ao futuro do planeta. São pessoas na maioria sem vínculo formal com movimentos organizados e de poder (embora sempre sejam seguidos por oportunistas), que de certa forma buscam melhoras no comportamento social da humanidade, buscam quebras de paradigmas. Talvez a questão mais vital que deve ficar como legado deste encontro como outros que existem em outros setores de ideal seja a da auto-sustentabilidade do planeta. Para as autoridades que assistem aos movimentos, cabe tirar das gavetas as idéias de melhorar a mobilidade humana na busca da despoluição do planeta Terra; de incentivar o aumento do consumo de alimentos sem adição de produtos químicos e de trabalhar no sentido de gerar mais emprego e renda mundo afora de forma socializada: em massa e com justiça da relação trabalho & remuneração. São três pontos vitais que desacelerarem ou até inverterem a tendência mundial de exterminação dos recursos naturais do Planeta Terra e não são nenhum pouco utópicos: já fazem parte da agenda de governantes de todo o Brasil, por exemplo.
í‰ certo, também, que não será através de pacotes prontos e ditatoriais que se conseguirá resultados nas mudanças das coisas. Talvez esteja aí o maior desafio: mudar comportamentos em temas profundos e culturais, mas mudar através de leis democraticamente aceitas. A história mostra e tem insistido em mostrar que regimes centralizados e de exceção não dão certo, somente prometem, mas não conseguem cumprir, tanto os que tendem í s ditaduras de direita, quanto os que tendem a se movimentar para ditaduras de esquerda. E os encontros, mesmo que radicais e sugerindo mudanças í s vezes ditatoriais, não possuem poder de ação, somente de mobilização. Cabe í sociedade aproveitar os debates e tirar deles as idéias que podem ser âmagos das mudanças necessárias.


