EDITORIAL – Fórum Social: um movimento progressista necessário

28 de janeiro de 2012

Está acontecendo em Porto Alegre  e região metropolitana a edição anual do Fórum Social Mundial Temático, um braço do Fórum Social Mundial, que já teve outras ediçíµes também na Capital gaúcha. Neste ano o tema é de certa forma o mesmo de outras ediçíµes. Mas foca de forma especí­fica as rebeliíµes que ocorreram na primavera árabe, com os conflitos que derrubaram ditaduras naquela região do planeta; foca o movimento importante que aconteceu em Nova York, onde cidadãos questionam o modelo capitalista atual, e foca, acima de tudo, as questíµes ambientais confrontadas com o estilo de vida dos seres humanos, que prenuncia o término das reservas naturais do planeta caso não hajam açíµes fortes para modificar a  tendência.

 

O perfil dos participantes deste tipo de encontro na maioria das vezes é formado de pessoas que são radicais quando defendem suas ideologias. São rebeldes que pedem mudanças rápidas em comportamentos das pessoas, não engolem açíµes somente reparadoras e acabam sugerindo projetos que dificilmente são aceitos pela categoria de autoridades mundiais da polí­tica, que afinal são as categorias representantes do povo no que diz respeito ao poder de mudança. Mas as sementes plantadas nas manifestaçíµes, nos debates, nas palestras e nos produtos finais são sempre bem-vindas para a sociedade mundial como um todo. í‰ nestes encontros que se iniciam movimentos estruturados polí­tico-institucionais que sugerem mudanças de rumo no comportamento humano, mais uma vez lembrando que a civilização necessita caminhar para tal ponto, sob pena de se auto-exterminar por falta de alimento, água, ar e outras necessidades básicas. São os movimentos radicais que acabam sempre sendo os nascedouros de mudanças reais da sociedade. Elas não são í quelas sugeridas pelos protagonistas, rebeldes pouco flexí­veis, mas são modificaçíµes que nasceram com eles, os mesmos rebeldes, muitos sem causa, mas portadores da vontade e da coragem de mudar o que está claro que necessita de mudança.

 

O que seria da liberdade sexual feminina se não tivesse havido movimentos formados inclusive com o incentivo das  prostitutas, profissão mais antiga do mundo,   que existe até estes nossos tempos? O que seria da liberdade entre as raças se não tivesse havido tantas batalhas por esta conquista? O que seria da igualdade civil entre opçíµes sexuais se não houvesse os movimentos radicais neste sentido, por todo o mundo?

 

O Fórum Social, mesmo radical e de certa forma preconceituoso contra tudo e todos que defendem o sistema econí´mico e social atual, acaba sendo uma das mais importantes ferramentas de debate quanto ao futuro do planeta. São pessoas na maioria sem ví­nculo formal com movimentos organizados e de poder (embora sempre sejam seguidos por oportunistas), que de certa forma buscam melhoras no comportamento social da humanidade, buscam quebras de paradigmas. Talvez a questão mais vital que deve ficar como legado deste encontro como outros que existem em outros setores de ideal seja a da  auto-sustentabilidade do planeta. Para as autoridades que assistem aos movimentos, cabe tirar das gavetas as idéias de melhorar a mobilidade humana na busca da despoluição do planeta Terra; de incentivar o aumento do consumo de alimentos sem adição de produtos quí­micos e de trabalhar no sentido de gerar mais emprego e renda mundo afora de forma socializada: em massa e com justiça da relação trabalho & remuneração. São três pontos vitais que desacelerarem ou até inverterem a tendência mundial de exterminação dos recursos naturais do Planeta Terra e não são nenhum pouco utópicos: já fazem parte da agenda de governantes de todo o Brasil, por exemplo.  

 

 í‰ certo, também, que não será através de pacotes prontos e ditatoriais que se conseguirá resultados nas mudanças das coisas. Talvez esteja aí­ o maior desafio: mudar comportamentos em temas profundos e culturais, mas mudar através de leis democraticamente aceitas.   A história mostra e tem insistido em mostrar que regimes centralizados e de exceção não dão certo, somente prometem, mas não conseguem cumprir, tanto os que tendem í s ditaduras de direita,  quanto os que tendem a se movimentar para ditaduras de esquerda. E os encontros, mesmo que radicais e sugerindo mudanças í s vezes ditatoriais, não possuem poder de ação, somente de mobilização. Cabe í  sociedade aproveitar os debates e tirar deles as  idéias que podem ser âmagos das mudanças necessárias.  


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