EDITORIAL – GENERALIZAí‡í•ES POLITIQUEIRAS

17 de fevereiro de 2014

 

Um ví­deo colocado na web já algum tempo, mas pinçado novamente nesta semana virou tema de debate de direitos humanos no Brasil, principalmente no RS. í‰ que a filmagem mostra o deputado Luiz Carlos Heinze (PP) discursando em defesa dos agricultores, que estão sendo retirados pelo governo federal de suas terras no RS para assentamentos de movimentos sociais (quilombolas e í­ndios). No discurso, Heinze chama gays, negros e í­ndios como tudo de ruim. Mostra uma veia preconceituosa que ainda existe na sociedade e tenta, afinal, errar de novo ao colocar os agricultores contra PESSOAS e não contra UM FATO: AS DESAPROPRIAí‡í•ES e os erros do governo federal.

Na verdade este deslize pessoal do deputado é fruto de outros deslizes protagonizados por seus concorrentes polí­ticos. Estes "concorrentes" se posicionam no outro extremo e também discursaram (e discursam) contra segmentos sociais, discursos estes que colocaram í­ndios e quilombolas e muitos outros segmentos considerados "de vulnerabilidade social contra segmentos sociais inteiros, numa também generalização politiqueira, que busca tão somente manipular massas de pessoas como manobra eleitoreira.   Um exemplo didático desta mazela é a classe chamada das elites por boa parte da esquerda do Brasil. Esta classe foi (e ainda o é – mesmo que menos) demonizada por polí­ticos de esquerda em palanques eleitorais e em movimentos polí­ticos. E o pior: para cunho eleitoreiro dos polí­ticos, esta categoria demonizada chamada pela esquerda das elites foi generalizada injustamente. Empresários ou grupo de pessoas bem sucedidas profissionalmente foram colocadas neste balaio de gatos, numa campanha suja de selar segmentos inteiros, que consequentemente gerou ódio (e ainda gera) em pessoas incautas e de pouco alcance cultural “ infelizmente a maioria da população do Brasil, que ouviram (e ouvem) estes discursos generalistas malignos.

Polí­ticos despreparados e imediatistas usam muito esta generalização como forma de conseguir se eleger. Outros, efetivamente psicopatas, utilizam esta manobra de forma orquestrada: eles prevêem a oportunidade e colocam as chamadas massas de manobra em seus planos eleitorais (ou melhor, eleitoreiros). Ao invés de em palanque e em campanha polí­tica criticarem, por exemplo, a má distribuição de terras, (o real problema), criticam os donos das terras, como se eles fossem todos diabos que querem ver os pobres e necessitados mortos por inanição, o que está muito longe de ser a verdade. Em outro exemplo, polí­ticos manipuladores de massa criticam os baixos salários no mercado de trabalho chamando empresário de as elites, ao invés de criticarem a falta de regras mais justas na relação entre capital e trabalho, a única verdade absoluta neste tema. E o resultado disto é a plantação, adubação e colhimento do ódio de segmentos fragilizados, ódio este que não é direcionado para um tema; acaba sendo direcionado para segmentos de pessoas de forma generalizada, que acabam sendo agredidas de graça por conta desta ótica obtida tão somente por manobras eleitoreiras.

Como em toda humanidade e em todos os segmentos sociais, existem empresários e lí­deres sociais mal intencionados, mas a maioria deste segmento – do chamado pela esquerda polí­tica do Brasil de das elites – são pessoas do bem, que querem participar do coletivo e somente usufruem ter mais recursos por pura capacidade de trabalho e por pura capacidade competitiva. Se a regra social está errada, que se mude a regra, mas que se critique a regra e não quem se beneficia dela.

Como em toda humanidade e em todos os segmentos sociais, também existem negros, gays e í­ndios mal intencionados: eles não são deuses para serem perfeitos. Mas assim como existe gente má nestes segmentos colocados na sociedade como discriminados, a maioria deles são gente do bem, que quer tão somente não ser enxergado como ser inferior, o que não são, efetivamente.

 E como em toda a humanidade e em todos os segmentos sociais, existem polí­ticos maus e polí­ticos bons. A maioria deles (polí­ticos) é de gente de bem, que quer melhorar a vida coletiva. Muitos acabam sendo medí­ocres por não terem o alcance necessário quando diplomados í  função, mas são gente de bem. Mas o problema são os maus polí­ticos. E esta mazela social é encontrada na maioria das vezes naqueles que utilizam grupos sociais para conseguirem seus feitos eleitoreiros. E infelizmente esta classe (de maus) está em evidência no Brasil: a sociedade brasileira está sendo manipulada dos dois lados (esquerda – mais progressista e direita “ mais conservadora) por táticas de manobrar massas, táticas estas que sistêmica e insistentemente colocam segmentos sociais contra outros segmentos sociais, de forma generalizada. Ao invés de se comportarem como uma minoria de polí­ticos bons e bem sucedidos eleitoralmente, que brigam por causas sem pessoalizar as mesmas, estes (os maus) colocam gente contra gente, e aí­ o conflito está montado.

O ví­deo pinçado estrategicamente (por ser ano eleitoral) do deputado Luiz Carlos Heinze demonstra o quão esta luta de generalizaçíµes está na moda na polí­tica brasileira.  O próprio pinçamento do ví­deo e sua divulgação em jornais de alcance nacional mostra que é moda estimular esta verdadeira guerra de generalizaçíµes artificiais e politiqueiras.   Mas o ví­deo em si também denuncia e prova cabalmente esta prática: mostra um polí­tico em campanha colocando a categoria dos pequenos produtores rurais contra í­ndios e outros segmentos, quando o problema está na forma de fazer esta reforma fundiária. E a culpa é do sistema e não dos í­ndios nem dos pequenos agricultores, ambos vitima de incompetência do governo do Brasil em gerir o processo de forma justa.

 E esta mazela se repete por palanques de todos os pagos deste Brasil. Basta filmar í­cones da esquerda e í­cones dos conservadores que veremos as generalizaçíµes expostas em ví­deo, numa covarde luta por um lugar no poder.  

 


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