EDITORIAL – GOVERNO NO LAZER?

24 de dezembro de 2012

A sociedade poderá neste veraneio diagnosticar uma demonstração do perfil do governo do Estado do RS. A governadoria de Tarso Genro, em nome da ampla coligação entre partidos que estão alinhados no poder, está disponibilizando, na beira da praia, mais especificamente em Capão da Canoa, praticamente uma sede do palácio Piratini aos contribuintes do RS. São casas de serviços, dispostas uma ao lado da outra, que disponibilizam aos gaúchos serviços essenciais, a maioria deles disponí­veis nas cidades do RS ou na capital gaúcha durante todo o ano. Mas são serviços essenciais do dia-a-dia produtivo dos cidadãos; que servem para que as pessoas e famí­lias fiquem enquadradas nas leis e nas oportunidades que o Estado disponibiliza a todos, sem exceção.   E são disponibilizados no veraneio na beira da praia, lugar que teoricamente os gaúchos escolhem para descansar justamente das rotinas e das burocracias cada vez maiores do dia a dia produtivo, das épocas de trabalho e de aulas, das épocas de rotina. O governo leva a rotina para onde as pessoas buscam fugir dela. E aí­ perguntamos: Será a intenção do governo servir o cidadão como sugere? Ou será que os partidos no poder utilizam o veraneio e a aglomeração estatisticamente dividida entre famí­lias gaúchas em um mesmo lugar para buscar votos, para buscar conquistas os gaúchos pela mordomia, mesmo que fora de época e de sentido, pois em local onde as pessoas buscam descanso e fugas da rotina?

Certamente tem gente no Estado que apóia e aplaude as açíµes do governo Tarso Genro. Certamente , ao contrário, tem pessoas que são contra: querem paz em suas férias. Mas o que a sociedade deve saber medir é o custo financeiro que estas atividades oneram os cofres públicos, sustentados com os impostos absurdos cobrados dos brasileiros, principalmente do povo do Rio Grande do Sul. Em um Estado que não consegue sequer pagar o piso legal dos professores num sistema de ensino falido; em um Estado onde o sistema de Saúde Pública está precário e pessoas morrem em filas nos hospitais; em um Estado onde a infraestrutura urbana, que serve os cidadãos 365 dias ao ano é precária e expíµes esgoto í  céu aberto, vilas irregulares no entorno das cidades, dentre outras mazelas sociais e urbanas; em um Estado onde a segurança pública é precária í  ponto de os cidadãos do bem serem obrigados a cercarem suas casas, morarem em edifí­cios e condomí­nios fechados, quando prefeririam morar em casas, somente para se defender dos ataques de bandidos crescentes;  não se poderia admitir que o setor público fosse í  praia para buscar votos ao oferecer serviços í  população. A atitude mais responsável seria o contrário: governantes ficarem trabalhando na capital e em seus postos de trabalho espalhados pelo RS para melhorar o ambiente coletivo quando os cidadãos voltassem de suas merecidas férias de verão.

Não é necessário ser gênio para se deduzir que os veranistas querem ficar longe do Estado durante suas férias. Preferem, com certeza, ver a presença pública em um bom sistema de limpeza urbana nas praias onde veraneiam ou passam férias; ver guardas nas ruas  e salva-vidas dando segurança aos seus e a seus bens patrimoniais quando passeiam nos locais onde não conhecem í  fundo, pois são visitantes; ter um sistema judicial que o atenda em caso de cair em falcratuas; enfim: o veranista quer liberdade e paz de espí­rito. Não é coerente que se deduza que cidadãos gaúchos deixem para tirar carteira de identidade na praia, ou que interrompam seu descanso para checar como está seu plano de saúde ou previdência público.

O momento é agora. A sociedade deve saber medir bem o que quer. A democracia só funciona quando nós, seres viventes de uma nação, morando num Estado federativo e numa cidade, nos sentimos livres. E aí­ o conceito de liberdade de cada um que impera para nossas consciências. Liberdade é sentir o Estado aos seus pés os se sentir nos pés do Estado? Ou liberdade é justamente o contrário: se sentir feliz longe dele sabendo que o sistema coletivo está funcionando, ao menos melhorando? O veraneio dá a nós a chance deste questionamento…


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