EDITORIAL – NO BRASIL NíO Hí, AINDA, BOLHA DE CONSUMO NOS IMí“VEIS

9 de dezembro de 2013

 

A alta dos preços dos imóveis volta a preocupar o mercado brasileiro. Pelo segundo mês consecutivo, o preço do metro quadrado dos imóveis prontos, a maioria usados e anunciados na internet, subiu 1,3% em média em 16 cidades, segundo o índice FipeZap de novembro. Em 12 meses, os preços subiram 13,8%. Descontada a inflação esperada de 5,9% para o perí­odo, segundo o Boletim Focus do Banco Central, o aumento real foi de 7,9%.

De acordo com dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o preço médio anual do metro quadrado de apartamentos novos em São Paulo saltou de aproximadamente 2,5 mil reais, em 2002, para 8,2 mil reais em novembro deste ano “ uma variação de mais de 200%.

A existência de uma bolha imobiliária no Brasil é tema para discursos acalorados entre economistas brasileiros. E, mais recentemente, também para os grandes pensadores estrangeiros. Os vencedores do Nobel de Economia Robert Shiller e Joseph Stiglitz escreveram sobre o assunto. O economista Nouriel Roubini, conhecido por ter previsto a crise financeira de 2008, também falou í  respeito do tema na semana passada.

O assunto é complexo porque não envolve apenas o aspecto da rápida subida de preços em relação í  variação da renda dos brasileiros. O déficit habitacional, ainda muito alto no Brasil (em torno de 6 milhíµes de moradias), e os altos juros de financiamentos imobiliários, se comparados aos de outros mercados, tornam a percepção de bolha pouco crí­vel no paí­s. Contudo, o tema exige atenção ” não só no Brasil, como em outros paí­ses.

A rápida subida dos preços de imóveis na Austrália, por exemplo, fez com que o Fundo Monetário Internacional (FMI) fizesse um alerta, em novembro, sobre a possibilidade de bolha. Em Sidney, a cidade mais populosa daquele pais, o preço de uma moraria média avançou 13% no ano, para 718 mil dólares ” valor superior ao de Londres e próximo ao de Nova York, que está em cerca de 800 mil dólares.

O Banco Central australiano também se pronunciou sobre o tema: pediu cautela aos investidores do setor, que se valem das taxas de juros baixí­ssimas praticadas no paí­s para especular na compra e venda de imóveis.

 Mas o Brasil é uma nação que tem tudo para apostar na sustentabilidade do setor imobiliário. O governo atual já tem feito isto, com certo sucesso.  Conforma Rodrigo Constantino, colunista da revista Veja –   especialista em assuntos de economia, o financiamento no setor está centrado em quase 40% nos bancos estatais. Isto é bom em um primeiro momento, pois mostra que as autoridades estão fomentando um setor que ainda exige muito investimento para que a sociedade tenha acesso í  moradias. Mas por outro lado pode gerar um alerta: uma bolha de preço, se não for sustentada por aumentos de renda médios pelo menos similares, o buraco pode ser grande na frente e a inadimplência do setor pode virar um fantasma, tanto para empresários que fazem empréstimos diretos quanto para os bancos “ principalmente estatais – que atualmente têm fomentado sobremaneira o crescimento da indústria da construção civil no paí­s.

A Construção Civil é uma indústria que é mágica socialmente falando: gera ao mesmo tempo milhares de empregos í  trabalhadores de pouca instrução; gera fluxo de investimento para as famí­lias utilizarem sua poupança;   e gera bilhíµes de mais impostos para as prefeituras anualmente, impostos estes que serão revertidos em demandas sociais conforme a realidade de cada cidade.

Com informaçíµes da revista Veja.  


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