EDITORIAL – O exemplo vem de cima? Ou não?

21 de agosto de 2012

 

A verdadeira guerra travada entre bandidos e polí­cia aqui em Torres nesta semana mostra uma perigosa realidade da sociedade brasileira. Bandidos riem ao se darem conta que estão sendo filmados; mostram que basta um bom planejamento para que assaltos espetaculares possam ser realizados, e vulgarizam, afinal, o valor da vida das pessoas se relacionado com os riscos que crimes ao patrimí´nio as leva, como o que ocorreu aqui na cidade.  Mas a questão que mais deveria preocupar a sociedade é a possí­vel causa que estas atrocidades sugerem. Ladríµes roubam banco temendo tão somente não serem flagrados, assim como polí­ticos flagrados embolsando dinheiro mantêm suas empreitadas tão somente preocupadas em não produzirem provas para que sejam condenados. Esta é a triste realidade brasileira.

Na mesma semana que a cidade de Torres foi palco de uma verdadeira guerra entre ladríµes de banco e a polí­cia, a TV mostra, ao vivo, o julgamento do Mensalão. Advogados vão í  TV e juram que as imagens e provas levantadas contra seus clientes, amplamente divulgadas em emissoras de TV, jornais e rádios de domí­nio da mí­dia nacional, não passam de ficção bem feita, com trilha sonora e direção de arte incluí­das. Pelos discursos dos nobres defensores da liberdade dos polí­ticos e empresários envolvidos no agora suposto Mensalão, não existiu o Mensalão. Tudo que foi mostrado para o povo brasileiro foi armação, talvez da mí­dia, talvez de oponentes de todos os partidos envolvidos.

Para o advogado de Roberto Jeferson foi o contrário. Seu cliente estaria louco quando afirmou em ní­vel nacional que recebeu R$ 4,5 milhíµes do esquema de corrupção. Estaria louco em prestar depoimento a uma CPI repetindo isto e acusando outros comparsas do esquema. Seu cliente somente estaria se vingando de Lula. Lula que era presidente do Brasil. Para o mesmo defensor do presidente nacional do PTB, o ex-presidente foi o chefe de uma quadrilha. Seu cliente somente inventou que recebeu dinheiro para mostrar para o presidente que ele possuí­a força, o que mostrou ter mesmo. Mas Jeferson foi ví­tima do Mensalão. Portanto, a afirmação dos advogados dos outros, que dizem que não houve Mensalão, também seria fruto de uma crise psicótica.

Toda a sociedade está assistindo a cobertura do processo, considerado o maior escândalo de corrupção existente na história do Brasil, pelo envolvimento de pessoas de vários partidos e de várias atividades empresariais, sem preconceito.   Certamente, o exemplo que a mesma sociedade está levando para definir os paradigmas de suas vidas é o que vem de cima, das autoridades. Filhos de famí­lias, muitas sem pai, que hoje possuem 20 anos, possuí­am apenas 12 ou 13 anos quando do estouro do processo. Portanto, os í´nus e os Bí´nus que os polí­ticos estão recebendo durante este processo, certamente podem ser os valores que estes jovens estariam aprendendo em suas vidas: Os polí­ticos são í­dolos ocultos dos pouco aculturados. E isto deve gerar preocupação das autoridades sérias e da sociedade como um todo.

Não se sabe de um presidente americano que sobreviveu imune a um escândalo desta envergadura como foi o Mensalão no Brasil. Certamente seria deposto, ou renunciaria em nome da ética. Mas no Brasil, o presidente da nação do Mensalão, além de ser reeleito, saiu do governo com í­ndices de aprovação de 80%. E, mais ainda, afirma que nada aconteceu em seu governo.

O exemplo vem de cima. Não podemos exigir de pessoas incultas e submissas í  programas de governo, como é a maioria dos brasileiros, que assistam esta verdadeira parafernália de mentiras estampada na TV sem levar a sério o que estão assistindo. Por um lado, vêem homens eleitos pelo povo que ganham salários milionários acusados de roubar do povo; por outro, advogados ganhando R$ milhíµes mentindo para defender os polí­ticos; e de outro, juí­zes que se mostram incapazes de provar os crimes, juí­zes estes também recebendo de subsí­dios mensais do povo,  o teto dos salários públicos, R$ 24 mil por mês, fora as mordomias da função. Algo tem de mudar. Que seja para um rumo ao menos coerente com o tamanho do Brasil e que respeite e valorize a inteligência dos brasileiros.  

 


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