EDITORIAL – O frenesi intervencionista

5 de janeiro de 2013

 

Com apoio de :www.mises.org.br

 

 

O ano de 2012 certamente já tem seu lugar garantido na história econí´mica brasileira: foi o ano em que o governo mais exacerbou suas intervençíµes na economia.

Sim, é verdade que a economia brasileira da década de 1980 e da primeira metade da década de 1990, com seus congelamentos de preços, monopólios estatais e hiperinflação, era muito mais estatizada e bem menos livre que a atual.   Porém, mesmo naquela época, havia uma tendência de adoção de medidas de desestatização.   Se, de um lado, o governo congelava preços e hiperinflacionava a moeda, de outro, ele reduzia tarifas de importação, extinguia reservas de mercado e privatizava estatais deficitárias.   Se o governo se intrometia demais em alguns campos, em outros ele dava sinais de que iria se retirar.

Em 2012, só houve notí­cias ruins.   O estado se agigantou em todos os setores da economia. Mesmo a única notí­cia aparentemente positiva: A redução do IPI dos automóveis veio acompanhada de um aumento sanguinário das tarifas de importação e do IPI para automóveis estrangeiros, fazendo com que a carga tributária total sobre eles chegue a soviéticos 340%;  Por exemplo, a imposição de quotas para a importação de automóveis do México; a proibição de demissíµes por parte das montadoras;  e finalmente a ideia ainda não descartada de que o governo iria supervisionar os balancetes das montadoras, estipulando um teto para suas margens de lucro.

Qual foi a consequência de tamanho protecionismo e intervencionismo no setor automotivo?   Com a palavra, a própria beneficiada: "A ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veí­culos Automotores) calcula uma queda de 1,5% na produção  de 2012 ante 2011. Esta será a primeira queda na produção desde 2002."Ou seja, ocorreu exatamente o oposto do intencionado pelo governo, que era aumentar a produção e o emprego.

Adicionalmente, o câmbio em 2012 foi substancialmente desvalorizado em relação a 2011 (de R$1,60/US$ para R$2,10/US$). Pela lógica dos intervencionistas, tamanha desvalorização cambial em conjunto com toda aquela cornucópia de medidas protecionistas deveria ter colocado a indústria em estado de extrema pujança.   E o que houve?   Tanto a produção industrial quanto o emprego na indústria caí­ram em relação ao ano passado.

í“bvio: desvalorizar a moeda e encarecer importaçíµes serve apenas para reduzir o poder de compra da população, que agora terá de gastar mais dinheiro com produtos de menor qualidade, e consequentemente terá menos dinheiro para gastar em outros bens e serviços.   Isso é um ataque direto ao padrão de vida.   Uma população com menos poder de compra não ativa indústria nenhuma.

O que vimos em 2012 foi mais um exemplo da arrogância fatal de burocratas e planejadores que juram saber exatamente como os indiví­duos irão reagir em decorrência de suas intervençíµes no mercado.   Para eles, empreendedores e consumidores padecem do condicionamento clássico do cão de Pavlov: estão sempre prontos a agir estritamente de acordo com estí­mulos recebidos do governo.   Porém, quando o plano dá errado e tudo sai exatamente ao contrário do planejado, em vez de humildemente reconhecerem o erro e reverterem suas intervençíµes, eles simplesmente dizem, com toda a arrogância, que o que fizeram foi certo mas insuficiente, de modo que mais estí­mulos se fazem necessários.

O atual governo Dilma, o qual reinstituiu a figura do czar da economia ” Guido Mantega é, ao mesmo tempo, Ministro da Fazenda, presidente do Banco Central, ministro do Planejamento e ministro do Desenvolvimento ” já é, sem rivais, o mais intervencionista desde a criação do real.   Ela conseguiu a façanha de fazer seu antecessor parecer um moderado.

Enquanto a imprensa se ocupa em alardear os previsí­veis e desimportantes números do PIB, fatores realmente importantes e decisivos estão sendo ignorados. Por exemplo, a destruição do poder de compra da moeda em conjunto com as proibitivas tarifas de importação.   Temos hoje uma moeda continuamente inflacionada e desvalorizada em relação í s outras moedas, o que encarece sobremaneira as importaçíµes de bens de capital e bens de consumo.   Além de a unidade monetária comprar cada vez menos, o governo ainda impíµe tarifas de importação para encarecer ainda mais as compras do exterior.   Ou seja, ao mesmo tempo em que encarece as coisas aqui dentro, o governo proí­be a população de comprar barato do exterior.

O que se deduz é que mais uma vez a realidade prova cabalmente que quanto mais se intervém em uma economia, mais ela fica submissa í  remédios. A economia é como um organismo. Tratar ela com intervençíµes artificiais sugere ví­cios e, como em tudo, os ví­cios matam. A dependência é crescente e fatal.

A liberdade deveria ser uma lei nos paí­ses que se dizem democráticos, como o Brasil. O Estado deveria ficar somente dentro de suas funçíµes; prestar serviços de saúde, educação, segurança e infraestrutura coletivos. O sistema produtivo deveria ficar livre, aberto, pensando sempre em propiciar aos cidadãos o aumento da possibilidade de se adquirir bens e serviços com qualidade crescente e preços decrescentes, busca individual de qualquer cidadão informado e saudável.

Espera-se que o ano de 2013, o governo diminua sua entrada no sistema produtivo. Ideais sociais podem muito bem ser conseguidos somente com polí­ticas públicas, sem entrar na vida dos que produzem.

 


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