EDITORIAL – O que falta éMercado…

25 de junho de 2010
 

Assistimos anualmente saudáveis açíµes do SENAC, SEBRAE e outras entidades privadas e públicas no sentido de preparar a mão de obra da cidade de Torres & região para possuir atributos pessoais e poder ficar disponí­veis para trabalhar nas várias atividades ligadas diretamente ao turismo, nossa principal atividade. Parcerias publica-privadas também são feitas com a prefeitura de Torres ou com o Ministério do Turismo no mesmo sentido. São garçons, camareiras, atendentes, guias, cozinheiros, copeiros, coqueteleiros, dentro outras profissionais, que são ensinados para terem suas profissíµes, e isto acontece tanto para quem está entrando ou trocando de posição do mercado de trabalho, quanto para í queles que já trabalham de alguma forma nos empreendimentos pequenos, médios e grandes ligados ao turismo da cidade, como Hotéis, Restaurantes, Bares, Agências de viagens e na prestação de serviço local.  

 Mas a cidadania em geral enfrenta um problema crí´nico quando quer se valer destes vários treinamentos e aperfeiçoamentos realizados de forma sistêmica e insistentes por aqui.  í‰ que não existe mercado para que os empreendedores consigam pagar salários com leis sociais durante todo o ano para os profissionais. E, o que é pior, não existe sequer trabalho para toda esta força profissional recém formada no próprio veraneio. Os recursos dos empreendedores são limitados, obras de reforma e manutenção são obrigadas a serem feitas, sob pena dos locais ficarem depreciados e perderem a pouca clientela que visita Torres no verão, e os donos dos estabelecimentos acabam tendo que contratar pouco e pagar salários não muito altos para os profissionais insistentemente treinados por aqui, que sonham em ter definitivamente uma profissão coerente com o mercado de trabalho de onde nasceram e moram.    

O resultado desta diferença entre pessoal treinado e emprego formal acaba gerando um problema maior ainda, e para o municí­pio como um todo. Pessoas treinadas que não conseguem emprego tendem a se transferir para centros que oferecem vagas em suas funçíµes durante todo o ano, ou que pelo menos tenham menor sazonalidade  que a sentida aqui na cidade. Não deve ser difí­cil encontrarmos torrenses trabalhando e hotéis de Porto Alegre, Gramado, Florianópolis, Rio de Janeiro ou Salvador. E trabalhando com o treinamento que obtiveram aqui na cidade de Torres, fruto de uma polí­tica pública saudável, mas que é rechaçada pela alta sazonalidade. Não deve ser difí­cil ouvir de um dono de hotel ou restaurante em Torres que perdeu seus melhores profissionais justamente para a sazonalidade. Bons funcionários podem ter se transferido em março de algum ano para outra cidade mais estável no turismo e acabaram não voltando, causando um problema para o empresário, que pode ter o mesmo problema se repetindo no próximo veraneio, num ciclo vicioso.

í‰ neste momento que dirigentes do trade do turismo do setor da hotelaria, do SEBRAE, do SENAC e da prefeitura de Torres deveriam avaliar melhor suas açíµes públicas. Colocar a quebra da sazonalidade como meta maior e trabalhar para trazer para a cidade eventos de negócio, de profissionais, cientí­ficos, dentre outros, parece que é a única fórmula coerente de quebrarmos de uma vez por todas o fantasma da sazonalidade,  que assombra Torres e a região todos os anos. Não adianta treinarmos torrenses para que eles vão trabalhar fora da cidade, mesmo que seja uma polí­tica social interessante, pois suas famí­lias recebem apoio. Devemos, sim, trabalharmos urgentemente com uma polí­tica publica consistente, integrada e forte, no sentido de transformar a cidade de Torres em um municí­pio especializado e ativo para trazer eventos do chamado Turismo de Negócios e Profissional para cá. Aí­ estaremos treinando pessoas que ficarão por aqui, pois o mercado dará recursos para que os empresários consigam os segurar na cidade.

 Não deverí­amos acreditar que massas de pessoas podem, como em um passe de mágica, virem para a praia no inverno: Praia é turismo de verão no mundo inteiro… Temos o Turismo Ecológico, de esportes radicais, dentre outros, que devem, sim, continuar a serem incentivados. Mas o turismo de negócio, que não depende do clima, é a única saí­da que a cidade possui para ativar sua principal atividade econí´mica: o Turismo.    

 


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