A cidade de Torres está chegando a mais um final de temporada de veraneio. Temporada esta que representa a colheita de uma safra plantada com muita determinação por todos os moradores da cidade, que dependem do Turismo de verão, praticamente a única atividade altamente produtiva da economia local. Mas não é saudável que convivamos mais um ano enxergando a produção a pleno vapor da atividade principal produtiva da cidade ficar restrita há no máximo três meses, quando o ano tem doze e os equipamentos produtivos estão ai, prontos para servir turistas que visitam Torres. Não dá mais para os torrenses se conformaram com a receita similar í s dos ursos, que se alimentam por um pequeno período anual e hibernam durante o resto do ano.
Não é saudável que nossa comunidade tenha expectativa no sentido que vá conseguir trazer turistas para a cidade durante as estaçíµes climáticas menos quentes por pura vontade que turistas ou veranistas terão de vir passear em Torres durante o inverno. Expectativa utópica gera decepção. E decepção não é bom alimento para a auto-estima de nenhuma comunidade. A cidade deve urgentemente implementar um projeto de turismo de negócios. Este segmento é crescente em todo o mundo e tende a aumentar cada vez mais. E a característica das cidades necessária para que os encontros técnicos e de negócios aconteçam, cada vez mais vêm de encontro a características de locais como Torres. Os concorrentes no segmento de turismo de negócios são na maioria centros urbanos grandes, e as complicaçíµes no trânsito e na segurança nestes centros acabam sendo um ponto negativo para o sucesso e a satisfação dos turistas. E aí aparecem lugares como nossa cidade, que têm infraestrutura hoteleira eclética (vários formatos e preços), têm um sistema viário razoavelmente simples e de fácil locomoção e, para dar mais charme aos encontros, atributo muito valorizados pelos turistas de eventos, que gostam de unir o trabalho nos encontros profissionais com o lazer nas horas vagas, Torres tem suas belezas naturais ímpares, muito difíceis de serem encontradas pelo mundo afora, muito menos no RS.
Nosso calendário de eventos já possui o Festival de Balonismo. Mesmo ele ainda sendo mais uma festa com balíµes para enfeitar o cenário, quando podia, ao contrário, ser explorado nacional e internacionalmente como um evento ímpar de apresentaçíµes de balíµes vindos de todo o mundo, e, com isto, trazer para a cidade um público mais qualificado, que utiliza mais hotéis, restaurantes e comércio, e fica na cidade mais tempo, nosso Balonismo já pode, sim, ser considerado um evento torrense fora da estação. E deve ser valorizado e vangloriado por nós por ter sido criado pela comunidade, e criado para atenuar a alta sazonalidade de nosso turismo, que se concentra no verão. Outros eventos com esta amplitude podem ser fomentados por nós, a sociedade. E não é saudável que esperemos que a prefeitura tenha a iniciativa assim como não é saudável que coloquemos na mesma prefeitura os í´nus da falta de eventos em Torres. O Turismo da baixa estação pode muito bem acontecer com a mobilização da classe hoteleira e do comércio, onde a prefeitura pode entrar somente como apoiadora. Basta vontade dos empresários da cidade de fomentarem sua atividade econí´mica principal: o turismo, e passarem a utilizar mais seus equipamentos hoteleiros gastroní´micos e comerciais junto com o bom equipamento urbano que temos, equipamentos estes que ficam estagnados durante nove meses no ano.
Mas a formatação de um calendário firme, robusto e crescente no segmento de Turismo de Negócios ou Técnico é a saída mais coerente para que, definitivamente, a sazonalidade produtiva de nossa cidade vire passado, fique nos anais da história local para comentários do passado difícil que enfrentamos.


