A insistente postura de praticamente todos os partidos políticos do Brasil mostra que, no fundo e infelizmente, os políticos em geral, com raríssimas exceçíµes, buscam um emprego remunerado ao militarem ou ao permanecerem na política. As posturas estampadas na mídia diariamente das bases partidária da nação, de trabalhar sempre para diminuir o opositor no poder quando está na oposição, e de fazer exatamente aquilo que demonizou como oposicionista quando a agremiação partidária está na situação, leva qualquer cidadão a crer que a política no Brasil se transformou em um grande balcão de emprego. Pior que isto, em muitos casos, ainda, um balcão de vagas para maus feitores subtraírem dinheiro público para seus bolsos. As técnicas utilizadas para tirar o emprego do oponente não respeitam nenhum princípio sério de educação familiar anterior: O que vale á e vitória. Aquele ditado que diz que os fins justificam os meios, se trata de frase de cabeceira da classe política atual. Mentir, exagerar, inventar, qual seja, fofocar, é coisa pouca para o arsenal da artilharia de interessados em retirar uma vaga do outro por indicação política ou por voto. Geralmente implicaçíµes criminais fazem parte das denúncias, e infelizmente fazem parte também da verdade, já que a maioria que está no poder é obrigada a entrar no jogo, se não sai do time, í s vezes perde até o fio da meada da vida em alguns casos, e em situaçíµes mais extremas, se vê a perda até de vidas por conta das brigas por poder e dinheiro na política.
No recrutamento e seleção modernos, utilizados nas empresas, nos conteúdos de concursos públicos, dentre outras forma de selecionar uma pessoa dentre várias interessadas, o critério é técnico. Força geralmente em cima dos conhecimentos e da experiência dos candidatos, mas passa cada vez mais pelo temperamento e pelo caráter dos interessados na mesma vaga. Perder neste processo é um aprendizado, uma forma de se auto-avaliar, uma forma de trabalhar ou estudar mais, o real processo de treinamento para competir.
Já na forma utilizada pela sociedade para escolher as pessoas que irão gerenciar os orçamentos e decidir as prioridades de suas cidades, Estados e país, a política partidária, a atual e quase total desobediência í princípios ideológicos dos principais partidos políticos do Brasil, que se repete de forma freudiana nos Estados e nos municípios, acaba tornando as eleiçíµes e a militância política em um mercado de troca de emprego. Quando assistimos os comentários e os releases publicados nos jornais, nas TVs e nos rádios, sobre as estratégias partidárias em geral, nota-se somente que os impasses estão nos números de CCs que uma agremiação deseja para se coligar com outra, ou, de outro lado, o reclame do partido maior, o contratante, afirmando que a agremiação não está seguindo a cartilha da situação, embora existam inúmeros CCs daquele partido coligado empregados na administração pública no poder.
Em países avançados na política, a população possui um lado. Os partidos, portanto, se diferenciam em seus embates pela busca de realizaçíµes que vão de encontro a estas bandeiras. Os embates nos legislativos são ideológicos. As bancadas da oposição, quando têm maioria desaprova projetos e açíµes governamentais que confrontam seus ideais. Diferente do Brasil… Aqui, independentemente do que está sendo votado nos legislativos federal, estaduais ou municipais, o resultado dos embates está sempre diretamente relacionado í s relaçíµes de empregos. Para um evangélico, não interessa se a votação é sobre temas considerados caros para os dogmas de sua religião: interessam os cargos, os ganhos financeiros. Se um liberal por excelência quer apoio de servidores públicos para se eleger como prefeito em sua cidade, não interessa o ideal de liberdade, o ideal da busca de um estado pequeno. Ele é capaz de votar temas completamente contrários í seu partido, tudo para conseguir seu emprego como prefeito, í s vezes sua vaga de prefeito para manipular os orçamentos e desviar dinheiro publico para seu próprio bolso.
Se existem várias secretarias abertas em uma administração como ocorrem atualmente em várias cidades, por conta da obrigatória indisponibilização dos secretários e CCs de gerencia seis meses antes da eleição, as vagas em aberto se tornam moeda. O partido no poder procura pegar uma agremiação pelo significado pragmático do impacto que um emprego com salário garantido possui para simples viventes, muitos desempregados e desesperados, mas ligados í partidos. Agremiaçíµes oportunistas, por outro lado, aparecem do nada pedindo emprego nas vagas e prometendo fidelidade ao partido no poder. O processo técnico, o processo ideológico, a fidelidade de anos ou a infidelidade, todos vão para o espaço: O que interessa é o fim, o emprego em troca da fidelidade momentânea.
O eleitor em tudo isto fica tonto. Não sabe o que é política. E para não errar, acaba espalhando estas atitudes oportunistas e fúteis dos políticos com o conceito de política. E, assim, acaba, além de votar com este espírito, sem nenhum ideal, passando a implementar isto em suas vidas privadas. Um envenenamento do mal para qualquer sociedade.
Portanto, estaria na hora de agremiaçíµes sérias se posicionarem e manterem suas bandeiras partidárias de forma incondicional. O processo seria saudável, inclusive para a elaboração dos planos de governo. Eles obrigatoriamente seriam mais factíveis, para que as siglas consigam patrocinadores para suas idéias de poder.


