Não é mais admissível que a sociedade continua convivendo diariamente com fileiras de notícias de envolvimento de políticos em desvios de dinheiro público. Situaçíµes patéticas afrontam a inteligência de alguns e, o que é pior, deixa a grande massa de brasileiros, que são menos cultos, se perguntando: Será que ser vitorioso na realidade não quer dizer que necessariamente tem de se estar envolvido com corrupção? Que futuro terão os jovens desta geração? Não se trata do chamado jeitinho brasileiro, infelizmente ainda presente na cultura do país; não se trata de flagrantes de pequenos envolvimentos em beneficiamento da algumas pessoas ligadas ao poder: trata-se de inúmeras descobertas de verdadeiras quadrilhas envolvidas em desvios sistemáticos de dinheiro, muitas vezes de recursos que seriam gastos para alimentar crianças carentes, para comprar remédios para enfermos críticos, dentre outras demandas urgentes da sociedade brasileira.
Nos últimos oito anos os brasileiros já se defrontaram com verdadeiras torneiras abertas, que levam recursos financeiros dos orçamentos públicos para o bolso de políticos inescrupulosos. Mensalão, (do PT e do DEM, o que mostra que devem existir outros mensalíµes por aí) e operaçíµes sensacionais realizadas pela polícia federal, que estamparam nomes de ícones de partidos, de todas as correntes, espalhadas por todos os Estados da federação. Neste ano, somente em dez meses do governo Dilma, três ministros já foram demitidos por indícios de envolvimento direto com a mesma mazela: desvio sistêmico de dinheiro público. E a resposta do judiciário? Por que não temos respostas ao menos coerentes ao tamanho dos estragos feitos com nomes nacionais e contra a sociedade? Por que a sociedade não recebe respostas exatas í s perguntas que ficam no ar a cada escândalo?
O próprio ex-presidente Lula, há sete anos, por conta do Mensalão, que foi denunciado funcionando dentro de seu governo, afirmou para uma jornalista francesa que o problema estava diretamente ligado ao sistema de financiamento de campanhas eleitoras no Brasil. Ou seja: Lula admitiu de certa forma que as mazelas existiam e sugeriu nas entrelinhas que elas continuariam a existir se não fossem feitas mudanças do sistema eleitoral da nação. Lula também sempre teve a dissimulação de afirmar que não sabia de nada, quando acontecia uma ou outra denúncia envolvendo seu governo, o que mais uma vez testa a tolerância dos inteligentes, mas o ex- presidente está sendo coerente com seu discurso ao afirmar e fazer campanha para a reforma política atualmente, mesmo após sair da presidência, pois ele propíµe o financiamento público de campanha, a pesar da pouca aceitação por parte do povo. Mas a questão que fica é a seguinte: Por que não se faz uma reforma profunda nas leis que iluminam o tratamento do crime de desvios de dinheiro público feito por parte de políticos no poder? Mesmo com a difícil implantação do financiamento público para as campanhas eleitorais, sabe-se que o envolvimento em falcratuas de mal intencionados continuará, portanto há de se ter uma fórmula mais rígida de apurar, investigar e julgar estes casos.
A presidente Dilma nesta semana defendeu o Ministro dos Esportes Orlando Silva após mais um escândalo denunciado em eu governo. Mais uma vez ela utilizou o princípio saudável da presunção da inocência como sugerida para que a sociedade agisse em mais este caso em seu governo, que poderá sair marcado neste primeiro ano como sendo o campeão de escândalos envolvendo os primeiros homens das pastas ministeriais. Dilma de certa forma foi ética ao proteger seu servidor, afirmando que não irá deixar que a demonização do caso abata a imagem do seu governo. Mas a sociedade não agí¼enta mais este tiroteio vindos de todos os lados. Não é saudável que assistamos diariamente casos sérios de desvio de dinheiro público sendo utilizados com a forma de fritar pessoas ou partidos em seus postos de trabalho; e só isto, pois não se tem nenhum registro no Brasil de um ícone da política que tenha sido obrigado a pagar os recursos devolvidos e condenado pela justiça, política e criminalmente.
Urge que se crie uma área no sistema jurídico do Brasil para que se apure e julgue rapidamente todo e qualquer envolvimento de políticos em falcratuas. Que se puna o político por um lado, mas que se puna e apure também a fonte das acusaçíµes do outro, com puniçíµes exemplares aplicadas em ambos os lados. í‰ muito mais barato para a sociedade e muito mais democrático que o judiciário crie um setor especial, que não precise esperar os trâmites de outros processos, para apurar e julgar estes temas.
Não é coerente que casos como estes continuem servindo somente como arma de ataque de agremiaçíµes e pessoas í desafetos ou concorrentes seus na política. Não é mais admissível que a sociedade continue sendo tratada como palhaço, quando os verdadeiros palhaços são os corruptos.


