A Assembléia Legislativa do RS votou nesta semana a aprovação de um pacote tributário do Governo Tarso Genro. Na prática, os gaúchos terão, todos, mais impostos a pagar. As taxas de emplacamentos de veículos subiram. E os funcionários públicos do Estado também serão descontados em mais 2,5 pontos percentuais quando recebem seus salários. O aumento de entorno de 25% na taxa serve para todos, os chamados marajás do serviço público e os simples servidores da base, que percebem salários baixíssimos.
A medida do governo do RS não tem nada de idealitária, tão pouco busca reais sustentabilidades na gestão financeira da Coisa Pública do Rio Grande. Deduz-se que as açíµes foram mais uma empreitada do governo no sentido de reforçar seu caixa. Mesmo em Campanha Tarso Genro tendo prometido que não aumentaria imposto, o governo assim o fez, enganando mais uma vez o simples vivente. Após engordar o Estado com contrataçíµes de executivos caros e aumentar o número de Cargos em Comissão, o governo, agora, cobra a conta de suas próprias açíµes, sempre no sentido de engordar o tamanho da máquina estatal.
Na outra ponta, na Assembléia Legislativa, infelizmente nota-se que os partidos no Brasil, e aqui no RS, definitivamente abandonam seus estatutos, desconsideram suas bandeiras, colocam de lado toda e qualquer vontade de mostrar para o povo qual seria a diferença entre uma agremiação e outra.
O PT de certa forma estampa sua incoerência. Talvez esta postura de busca do poder pelo poder, acabe sendo seu ideal atual. Quando oposição execra tudo, mas quando situação defende sem corar tudo í quilo que execrava anteriormente. Os outros partidos também perdem chances de se mostrarem coerentes. Parece que escolhem o PT como Benchmarking e, ao invés de atacar o partido alegando incoerência, acabam imitando a incoerência do principal adversário, praticamente eliminando as diferenças partidárias poucas que ainda apareciam no horizonte.
O DEM, que milita a liberdade, o Estado pequeno, a diminuição de impostos, erra ao não concordar com o aumento do desconto do funcionalismo para equilibrar a Previdência do Estado, que sangra mensalmente ao ter de pagar aposentadorias integrais a mais de 50% dos servidores, votou contra o aumento dos descontos dos servidores. O PP o mesmo. Como defende a prioridade em obras, deveria militar pelo arejamento do caixa do Estado, o que a medida ajuda. O PSDB peca mais ainda por perder a oportunidade de se destacar perante seu principal adversário, o PT. Poderia mostrar que o caminho militado pelo partido em níveis nacionais é justamente a desoneração do Estado. Mas não, votou a favor da falta de sustentabilidade do sistema ao rejeitar em bloco o aumento das taxas cobradas dos servidores, que ainda são pífias perante sua necessidade, mas que mostram caminhos de sustentabilidade. O PMDB também perdeu mais uma chance de mostrar, na prática, uma ideologia nova no horizonte. Principal partido adversário do PT no RS, acabou imitando seu oponente ao votar contra ele somente para se opor, perdendo a chance de discursos mais modernos, que poderiam projetar melhor a agremiação no RS. Votou em bloco contra uma busca do equilíbrio de caixa do Estado.
O PDT, defensor do trabalhismo votou a favor do desconto maior dos funcionários, indo totalmente contra seus princípios. Mostrou que mais quer emprego no governo Tarso e se comportou como um soldado, batendo continência para o general, o PT. Somente a deputada Juliana Brizola votou contra o governo e a favor dos princípios do partido.
Na questão do aumento do DETRAM, o comportamento foi mais próximo dos ideais. Os partidos que sempre serão a favor dos aumentos de impostos como o PT, o PDT, o PTB, o PC do B e o PSB votaram a favor do tarifaço. Já os partidos mais de centro (pois no Brasil não existe direita), votaram contra o aumento da taxa de emplacamento. PMDB, PSDB, PP PPS, DEM se posicionaram em bloco contra o crescimento dos valores do tributo.
Parece que os próprios partidos não sabem o significado da palavra autosustentabilidade. Ao se contradizerem, abandonam toda e qualquer chance de se mostrarem coerentes, retos, sustentáveis nas idéias. A sociedade (representada justamente por estes partidos), acaba sendo pouco sustentável. O sistema falido atual não dá chances que o cidadão civil definitivamente seja considerado ao menos igual í seus pares da sociedade: os funcionários públicos e os políticos, eleitos e indicados (os CCs). Parece que definitivamente o sistema irá continuar melhorando a vida dos seres ligado de certa forma ao sistema público, e retirando de quem produz, o cidadão civil, os recursos para pagar as farras públicas que assistimos infelizmente sendo as protagonistas dos noticiários diariamente. O sistema no Brasil, principalmente no RS, retira dinheiro de quem trabalha para melhorar e até ‘mordomizar" a vida dos que não produzem. Isto é o inverso do conceito de sustentabilidade.


