A qualidade da educação sempre aparece em períodos eleitorais. Como eles acontecem de dois em dois anos, o tema insiste, também, em aparecer de dois em dois anos nos debates, na mídia de massa, nas casas. Afinal de contas, qual o candidato a alguma coisa pública, que depende de votos para conseguir seu pleito, que, consequentemente, não se vê obrigado a ter uma definição própria sobre como resolver os problemas da Educação no Brasil?
Nosso país está há décadas em posiçíµes pífias em todo e qualquer ranking de medição da qualidade da Educação entre as naçíµes do mundo. A única coisa que se pode constatar com certeza é que o rumo que tomamos foi (e ainda é) o errado. E ponto final. A mudança do caminho escolhido, portanto, é a única solução. E enquanto o tema Educação for mensurado somente como uma obrigação do Estado, como funciona em países com alta intervenção estatal como o Brasil, o processo insistirá em continuar sendo o mesmo. Não há como mudarmos o rumo sem trocarmos a estrada que optamos lá atrás.
Os chamados movimentos progressistas sociais venceram saudavelmente a maioria das batalhas no Brasil. Hoje, as leis invadem nossas casas obrigando-nos a nos comportar de forma afirmativa no que diz respeito í s chamadas desigualdades. Ser Negro, Gay, portador de necessidades especiais ou ser Mulher é considerado ser desigual no Brasil. Temos que tratar de forma desigual os chamados desiguais, embora a política sugira que os desiguais não sejam desiguais, sejam iguais. E neste contexto todo, onde o Estado e as leis intervêm de forma afirmativa dentro da educação dos lares dos brasileiros, com o saudável objetivo de retirar da cultura educacional os preconceitos raciais, de gênero e de exclusão enraizados nas educaçíµes conservadoras das famílias, o próprio conceito de família acabou sendo atacado, destruído, denegrido, praticamente esfacelado. Este é o ponto. Uma saudável intenção de melhorias de direitos humanos acabou invadindo o conceito de família de forma desorganizada, mas afirmativa e invasiva.
O eixo de qualquer família, qual seja, a responsabilidade dos pais perante os filhos nos lares foi colocada de lado. Afinal de contas, as políticas públicas atuais no Brasil pegam para si í responsabilidade dos pais perante os filhos, í responsabilidade dos maridos perante as mães dos filhos da casa, a responsabilidade, afinal, que a entidade família tem sobre a educação dos lares inteiros, principalmente sobre os filhos menores de idade. Os indivíduos foram tragados de dentro de suas estruturas familiares pelo Estado, com promessas de Educação, Saúde, Ação Social gratuitos, mas acabam ficando nas ruas perambulado, pois não existe mágica. Não há possibilidade de o Estado ser família. Além da total falta de organização para proporcionar segurança í s pessoas demonstrada pelas políticas públicas brasileiras, principalmente nos grandes centros urbanos, o modelo estampa uma constatação: Não existe a menor possibilidade de o Estado substituir a família na Educação de seres humanos.
Uma mãe, um pai, uma avó, um aví´, atualmente acham que o dever sobre a educação de seus descendentes está com o Estado. Em ambas as classes sociais. Enfrentar a educação de frente, falar com os filhos e netos, vivenciar presencialmente o processo de aprendizagem dos valores que devem nortear a formação do caráter das pessoas, não se trata mais de tarefa necessária dentro das famílias. Tudo é terceirizado. Para quem tem dinheiro, terceirizado para escolas caras, psicólogos e psiquiatras, creches, babás. Para que não tem dinheiro, para o Estado. O Estado que dê creches para as crianças a partir dos seis meses. A final de contas não é dois pais a responsabilidade de vivenciar o crescimento de seus filhos, muito menos dos aví´s. Os pais devem trabalhar ou se divertir se não quiserem trabalhar. Devem buscar os SEUS anseios pessoais, nunca os dos filhos.
As crianças da sociedade dita civilizada atualmente acabaram se transformado em bandos de vira-latas. Alguns levados para o canil do Estado; outros, perambulado pelas ruas na busca de valores morais, procurando nas latas de lixo ou nas esquinas das ruas urbanas, muitas delas ocupadas por bandidos. O conceito de família foi jogado no ralo, dilacerado, esmagado, estereotipado, demolido. Morar em um centro urbano dito civilizado é morar em um imenso jardim de infância, onde o professor, líder da turma, é o Estado. Basta sair na rua. Ficar em casa não é moderno, não é civilizado. Afinal de contar o que iriam fazer estes milhares ou milhíµes de pessoas contratadas pelo Estado para cuidar de seus filhos?
O Brasil sofre na carne as consequencias de um Estado que consome em tributos metade do que os trabalhadores produzem para cuidar das famílias dos trabalhadores. E dos vagabundos também. Não queremos que desta forma nossas famílias se sintam responsáveis em cuidar de seus filhos, de planejar o futuro daquele ente família, já esquecido, ultrapassado… Afinal de contas, viver é trabalhar, se divertir, ganhar e gastar dinheiro. A família? Deixa para o Estado ou a conta bancária resolver, educar.


