EDITORIAL – Torres estáno limbo das polí­ticas públicas para o Turismo

12 de novembro de 2010

Estamos entrando em novas administraçíµes públicas no Brasil e no Estado. Está na hora, portanto,  da cidade de Torres dar um ultimato em ambas as administraçíµes no sentido de demandar o que lhe é de direito: polí­ticas públicas de fomento í  sua principal atividade geradora de emprego e renda, o Turismo.    

Por vários fatores, nosso municí­pio fica colocado no meio de duas realidades distintas que o transforma em um tipo de limbo de polí­ticas públicas para o setor e, em geral também, no limbo das polí­ticas públicas de fomento ao desenvolvimento em geral do Estado do RS.  

Para o Brasil, o turismo de beira de praia no Rio Grande do Sul não existe. Mesmo nossa cidade sendo a campeã como receptora de visitantes portenhos, as regiíµes da Serra e da Capital são as únicas cadastradas no Ministério do Turismo como regiíµes indutoras do turismo no Estado, que, portanto, recebem verbas do orçamento do turismo da nação. Talvez pela diferença do clima de nossa região se comparada com o restante de território de beira de mar, ou por convivermos com pouquí­ssima cultura de turismo se comparada nosso Estado com os do Sudeste e Nordeste, por exemplo, não se cogita no MTUR incluir o RS em polí­ticas públicas de fomento ao turismo de verão.  

O Rio Grande do Sul é um Estado que coloca em seu orçamento pouquí­ssimos recursos para serem investidos na atividade de Turismo. O fato da tradição de nossa produção provir da agricultura, da pecuária e da Indústria acaba colaborando para o outro fato: o de acabar não sobrando verbas para fomento da atividade turí­stica. E o pouco que sobra, acaba tendo de ser dividido, ainda, equanimente entre outras várias regiíµes que se consideram turí­stico, mas que afinal só acolhem visitantes de regiíµes próximas para seus turismos como a Costa Doce, as Missíµes e a região das águas termais. E a Serra e o litoral acabam recebendo as minguadas verbas, ainda tendo de dividi-las com municí­pios que pouco representam na indústria do turismo do Estado. Torres recebe verbas como parte do Litoral Norte, quando com exceção de nossa cidade, as outras não são cidades turí­sticas: são balneários que abrigam veranistas do Estado que buscam o mar no verão para as férias.  

Nosso vizinho Estado de Santa Catarina, ao contrário do RS, conta com verbas voltadas para o fomento da atividade turí­stica equivalente a 10 vezes a utilizada no RS para o setor. E mais: a maioria dos recursos são colocados no turismo de beira de praia, deixando a concorrência entre Torres e o litoral catarinense consequentemente desigual.   E é esta verdadeira salada de fatores negativos conjugados que acaba deixando nosso municí­pio verdadeiramente órfão de pai e mãe no que se refere í s polí­ticas públicas para fomentar a atividade, atividade esta que é a única que, se fomentada, consegue gerar emprego e renda de forma direta e imediata.  

A questão é complexa. Não podemos pedir para sermos indexados ao Estado de Santa Catarina para usufruirmos das gordas verbas de investimento em turismo do Estado vizinho sob pena de sermos taxados de antipatriotas pelos gaúcho. Não podemos criar expectativa de o Estado do Rio Grande do Sul de uma hora para a outra retirar subsí­dios e investimentos implementados para a Indústria, Agricultura e Pecuária  que invista na atividade do turismo, principalmente de beira de praia, já que nosso verão de movimento dura um pouco mais de três meses. Podemos muito menos esperar que, de uma hora para a outra,  o Ministério do Turismo do Brasil deixe de investir nas praias do Nordeste e do Sudeste para colocar nossa cidade nos orçamentos de polí­ticas públicas de fomento ao turismo.   Mas temos o dever de mostrar para as autoridades públicas do Brasil e do Rio Grande do Sul justamente esta região de vácuo de energia empreendedora que nos encontramos. E a hora é agora. Novo presidente e novo governador.

 Possuí­mos provas cabais que somos uma cidade turí­stica completa, com natureza, estrutura razoável de urbanização, com coleta de esgoto de primeiro mundo, com uma cultura gastroní´mica bem implantada e com uma rede de hotéis razoável, se comparada com cidades que recebem fomento para o desenvolvimento da atividade hoteleira. Somos também muito conhecidos na Argentina, o que prova mais ainda que somos potencialmente geradores de divisas para a nação através da hospitalidade de turistas internacionais,   que deixam aqui seus dólares. Vamos í  luta.


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