EDITORIAL – TURISMO FUTURO: o verdadeiro legado” da Copa…

10 de março de 2014

 

Em ano eleitoral e em meio a manifestaçíµes de desagrado por todo o Brasil, a Copa do Mundo acabou virando tema de uso polí­tico para promover mudanças na cidadania do paí­s. O chamado Padrão FIFA virou ironia dos militantes das mudanças que querem (com toda a razão) promover uma melhor distribuição de recursos públicos, mas nas áreas fundamentais e até vitais de qualquer nação: o sistema de infraestrutura urbana e logí­stica; o sistema de Saúde Pública (que pela constituição brasileira é para todos e gratuito); o sistema de Educação (também obrigatoriamente tendo de ser grátis e universalizado em nosso paí­s) e o sistema de Segurança Pública, dever básico de Estado em qualquer nação e de qualquer regime polí­tico ou econí´mico do planeta. O padrão FIFA virou ironia para comparar nossas polí­ticas púbicas nestas áreas vitais com os investimentos e apoios dos governos federal, estaduais e municipais para construir o que é exigido pela instituição mundial que promove a Copa do Mundo de quatro em quatro anos pelo planeta afora, ironizando e expondo a total falta de coerência entre o que o brasileiro precisa e o que, quanto e onde estão sendo gastos os recursos exigidos pela Fifa para que a Copa saia no Brasil.

A Copa do Mundo é um evento de Turismo clássico.   E qualquer destino turí­stico no mundo sobrevive da satisfação de seus visitantes e do retorno dos mesmos ao destino em evidência. O tal de Padrão FIFA, nada mais é do que um manual de comportamentos básicos que uma local precisa para receber turistas. Ele (manual) não exige champanhe com filés ou salmão, não exige passeios de iate em lugares paradisí­acos, não exige hotéis de diária milionária e com atendimentos dignos de reis e rainhas. O Padrão Fifa exige estruturas básicas de segurança de civilidade que se resumem em abordagem minimamente educada e acessibilidade aos visitantes, tema de casa básico para qualquer lugar no mundo que queira receber turistas e sonhe que eles (turistas) voltem assim como passem adiante para seus pares de sociedade sobre as caracterí­sticas do local visitado (boas e ruins). E a Copa, por ser um evento turí­stico de âmbito mundial acaba sugerindo em seus manuais que o atendimento básico nestes quesitos seja cumprido, uma atitude responsável e que acaba ficando de legado para os lugares que a recebem como exemplo de comportamento de um destino que quer ao menos ser inserido no roteiro de turismo moderno e de cidadania civilizada.

O Brasil é, certamente, um dos lugares do mundo mais bem equipados naturalmente para ser um destino turí­stico campeão mundial. Por sermos uma nação jovem e ainda cheia de problemas para promover o crescimento e a justiça social internos, nossa abordagem no Turismo mundial ainda é pí­fia se comparamos í s abordagens de paí­ses tradicionais promotores do turismo internacional como Itália, França, Espanha e EUA, por exemplo. O número de turistas internacionais que visitam o Brasil anualmente é ridí­culo ao ser comparado com os números de naçíµes que aproveitam esta indústria como verdadeiras formas de buscar divisas para os seus paí­ses através do Turismo e, consequentemente, colher resultados práticos e financeiros para seus povos. Temos um litoral de milhares de quilí´metros onde o clima tropical e equatorial possibilita que o Turismo de praia & mar seja realizado doze meses por ano; temos a maior floresta equatorial do mundo. Estes são dois exemplos que diferenciais brasileiros na abordagem de Turismo internacional que estão dentro de vários outros diferenciais nacionais, como o de sermos um povo alegre e sermos um lugar onde a liberdade de ir e vir faz parte da cultura interna. E a Copa do Mundo vai ser realizada aqui, no Brasil. Trata-se, portanto, da chance de nossa nação receber fisicamente e televisivamente os bilhíµes de expectadores da copa durante 30 dias ininterruptos.

Quando uma determinada seleção estiver jogando em um determinado lugar do Brasil, a população daquele paí­s estará atenta ao dia-a-dia de seu time por aqui. Certamente, matérias televisivas, artigos de jornais e revistas, programas de rádio, além de exposição nas redes sociais (realidade moderna de mí­dia) definindo as caracterí­sticas e a hospitalidade do povo brasileiro í s seleçíµes aqui hospedadas e aos turistas que optaram por vir ao Brasil assistir ao vivo seu time jogar a competição serão espalhadas diariamente em todas estas mí­dias, lá na Europa, na Oceania, na ísia, nas Américas… E todos os destinos de todas as seleçíµes são desta vez dentro de nosso Brasil. Praias paradisí­acas, hotéis de luxo e simples, cidades e seu povo, dentre outros atributos brasileiros estarão entrando nas casas de mais de quatro bilhíµes de pessoas pelo mundo afora, que assistem e acompanham a cobertura da Copa do Mundo no Brasil durante 30 dias, ininterruptamente e várias vezes ao dia. Quer uma propaganda mais funcional e positiva para o Turismo do nosso paí­s do que esta realidade, que irá acontecer em junho no Brasil? Não existe, definitivamente…

O verdadeiro legado que a realização de uma Copa do Mundo deixa para uma nação qualquer é o conhecimento do mundo inteiro de suas caracterí­sticas. Como as nossas são excelentes para o turismo, certamente o legado da Copa trará outro contexto para a captação de turistas internacionais após o evento. O legado da copa não é somente o público que participa fisicamente assistindo ao vivo e presencialmente a competição, o maior legado é a propagada gratuita que nosso Brasil terá pelo mundo e a oportunidade que teremos futuramente de receber gente de todo o planeta visitando nossos destinos, que são diferentes e positivos no cenário mundial dos destinos turí­sticos, com certeza.

Pedir, sim, melhorias para a estrutura básica nacional de Saúde, Educação, Segurança e infraestrutura urbana do paí­s é a obrigação do povo. Propiciar esta demanda é a obrigação dos governantes. E a Copa do Mundo será uma forma de conseguir isto: se tivermos o dito Padrão FIFA para os turistas, certamente milhíµes deles voltarão ao Brasil, e o turismo na nação passará de um sistema produtivo ainda incipiente para um padrão Fifa de Turismo, onde encostaremos em números de visitantes os principais destinos mundiais, pois temos tudo para isto: basta aproveitar o verdadeiro legado da copa do Mundo.

 

 

 


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