EDITORIAL – Um peso, duas medidas

25 de julho de 2011

A sociedade não pode mais aceitar este verdadeiro circo que a questão da coisa pública relacionada com a necessária legalidade passou a ser nas últimas décadas. As pessoas não sabem mais distinguir o que é real do que é simples vontade de aparecer de alguns ou estratégia polí­tica de partidos e corporaçíµes para desmoralizar nomes. O judiciário e o Ministério Púlico também parecem que não se importam com isto. Como dificilmente eles investigarão a si mesmo, deixam que manobras exageradas sejam feitas pela polí­cia federal e pelo próprio MP (o que é estranho), mesmo que nomes de polí­ticos importantes, empresários importantes, dentre outras autoridades da sociedade sejam envolvidos nas açíµes, expondo nomes aos sete ventos, mesmo que a seguir nada seja provado contra as pessoas, o que mostra incompetência no inquérito ou, o que é pior, orquestração polí­tica.    

 Na semana retrasada, prefeituras de todo o RS foram literalmente invadidas por policiais civis e membros do MP na madrugada.   A justificativa dada pelas autoridades foi a que uma investigação de um ano teria dado indí­cios de envolvimento de uma agência de publicidade em falcratuas envolvendo dinheiro público e as prefeituras escolhidas. Mas após duas semanas passadas, a mí­dia, através da continuidade de cobertura das investigaçíµes, tem mostrado que somente a prefeitura de Alvorada que estaria realmente envolvida na manobra criminosa. Prefeituras como a de Osório, aqui no lado de Torres, por exemplo, nada mostram para que sejam consideradas parte do esquema, mas foram invadidas da mesma forma. O prefeito e os secretários destas mesmas prefeituras aqui do litoral, consequentemente foram atingidos em sua moral ao serem tratados como se bandidos fossem, em operaçíµes que se assemelham í s invasíµes de casa de assassinos. E quem paga esta conta e dano moral? Quem vai pagar por um dano que um prefeito e presidente de agremiação partidária como Romildo Bolzan, de Osório, sofreu e sofrerá por não se sabe quantos anos pós aparecer na TV como se fosse um bandido, quando da invasão por policiais em seu local de trabalho?  

No ano de 2009, o governo Yeda sofreu vários ataques do mesmo tipo. Após serem descobertas falcratuas no Detran, envolvendo pessoas na maioria de outro partido, que não o da governadora, o CPERGS pegou no pé da ex-governadora do RS. Colocou out doors a chamando de ladra e até fazendo um ato violento de fronte sua residência, na frente de seu neto. Os denunciantes diziam que tinham filmes com qualidade de cinema mostrando a participação da governadora nas falcratuas e a mí­dia não deixou de repetir isto. Mas não houve prova nenhuma contra Yeda. Ao contrário, a governadora está sistematicamente sendo inocentada de tudo que foi acusada.    E os ví­deos com qualidade de cinema foram, portanto, mentiras tí­picas de psicopatas, que inventam provas que já sabem que não existem para ter sucesso em suas causas doentias. E quem paga o dano moral que a governadora teve?    

O governador Tarso Genro afirmou nesta última quarta-feira que confia totalmente em seu parceiro de partido que está sendo demitido do Ministério dos Transportes por suposto envolvimento em desvio de dinheiro público e corrupção. Ele disse ainda que não sabia como as irregularidades não apareceram na época de sua estada no Ministério da justiça, quem investiga as irregularidades através da Polí­cia Federal.  Disse também que não se pode confundir roubo com possí­vel denúncias caluniosas ou polí­ticas de opositores ou empresários desgostosos. Casualmente,  na época a Polí­cia Federal estava aqui, no RS, desvendando justamente as operaçíµes que denegriram a imagem da ex-governadora Yeda, uma coincidência estranha entre as duas afirmaçíµes. E a denunciante foi a filha do governador Tarso Genro, outra coincidência.

 A sociedade já está cansada de ver diariamente polí­ticos e partidos envolvidos em denúncias de corrupção, quando paga impostos de quase metade do que produz para sustentar esta verdadeira gandaia feita com seu dinheiro. Não é admissí­vel, portanto, que, além disto, a mesma sociedade constate que os polí­ticos insistam em afirmar que quem é ladrão é o vizinho, que quem rouba é quem interessa que seja dito que rouba, ao passo que quando se fala de suas casas ou de membros de suas agremiaçíµes polí­tica ou parceiros dela, colocam a coisa como manobra da oposição. A sociedade não é boba e a imprensa deveria ajudar a desfazer esta manipulação circense com ares de magia, onde coelhos aparecem nas cartolas ou somem dela por vontade do mágico e o público somente aplaude.  


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados