Educação: Apenas 26% dos brasileiros são plenamente alfabetizados

8 de agosto de 2012

 

Por Guile Rocha*

 

Apesar de avanços em ní­veis iniciais de alfabetismo, a maioria da população brasileira ainda encontra dificuldade para interpretar e analisar informaçíµes mais complexas, ou ler textos longos

 

 

 

No Brasil, somente 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas, e 38% dos brasileiros com formação superior têm ní­vel insuficiente em leitura e escrita. í‰ o que apontam os resultados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa produzida pelo Instituto Paulo Montenegro e pela organização não governamental Ação Educativa.

A pesquisa avaliou (de forma amostral) por meio de entrevistas e um teste cognitivo, a capacidade de leitura e compreensão de textos, além de outras tarefas básicas que dependem do domí­nio da leitura e escrita. A partir dos resultados, a população é dividida em quatro grupos: analfabetos, alfabetizados em ní­vel rudimentar, alfabetizados em ní­vel básico e plenamente alfabetizados.

Os resultados da última edição do Inaf (lançado recentemente) mostram que apenas 26% da população do paí­s pode ser considerada plenamente alfabetizada “ mesmo patamar verificado em 2001, quando o indicador foi calculado pela primeira vez. Os chamados analfabetos funcionais representam 27%, e a maior parte (47%) da população apresenta um ní­vel de alfabetização apenas básico. A pesquisa envolveu 2 mil pessoas, de 15 a 64 anos, em todas as regiíµes do paí­s.

Os resultados evidenciam que o Brasil já avançou, principalmente nos ní­veis iniciais do alfabetismo, mas não conseguiu progressos visí­veis no alcance do pleno domí­nio de habilidades que são hoje condição imprescindí­vel para a inserção plena na sociedade letrada, aponta o relatório do Inaf 2011-2012.

 

 

Renda x Alfabeitzação

 

O estudo também indica que há uma relação entre o ní­vel de alfabetização e a renda das famí­lias: í  medida que a renda cresce, melhora o ní­vel de leitura. Na população com renda familiar superior a cinco salários mí­nimos, 52% são considerados plenamente alfabetizados. Na outra ponta, entre as famí­lias que recebem até um salário por mês, apenas 8% atingem o ní­vel pleno de alfabetização.

De acordo com o estudo, a chegada dos mais pobres ao sistema de ensino não foi acompanhada dos devidos investimentos para garantir as condiçíµes adequadas de aprendizagem. Com isso, apesar da escolaridade média do brasileiro ter melhorado nos últimos anos, a inclusão no sistema de ensino não representou melhora significativa nos ní­veis gerais de alfabetização da população.

Novos estratos sociais já chegam í s etapas educacionais mais elevadas, mas provavelmente não gozam de condiçíµes adequadas para alcançarem os ní­veis mais altos de alfabetismo, que eram garantidos quando esse ní­vel de ensino era mais elitizado. A busca de uma nova qualidade para a educação escolar em especial nos sistemas públicos de ensino deve ser concomitante ao esforço de ampliação de escala no atendimento para que a escola garanta efetivamente o direito í  aprendizagem, resume o relatório.

                     

 

          A formação educacional deve ser trabalhada desde a base

 

                      Com a experiência de mais de 20 anos como professora, Rosa Maria Lummertz é a competente Secretária de Educação de Torres. Segundo a secretária, por mais que os últimos anos tenham sido de melhoras na área da educação brasileira, ainda há muito que ser feito para assegurar um ní­vel de formação mais qualificado aos estudantes. A formação de bons alunos é um processo trabalhoso, que deve começar na ainda educação infantil, na formação da identidade da criança. Durante os últimos anos, aqui em Torres, temos dado especial atenção nesta área, fazendo o possí­vel para que toda a criança, independente de classe social,   tenha seu direito a educação básica garantido, assegura Rosa.

Ainda nesse processo de formação educacional da criança, Rosa lembra a importância do desenvolvimento da motricidade dos jovens alunos, através, por exemplo, da valorização do rigor na caligrafia (ainda que muitas pessoas hoje estejam mais familiarizadas com teclas do que com um lápis). Aos 6 anos de idade, espera-se que o aluno aqui em Torres saia da educação infantil bem preparado para ser alfabetizado, já tendo desenvolvido as primeiras noçíµes de escrita e leitura.

A importância da leitura também é indiscutí­vel para a secretária de educação de Torres, uma prática que deveria ser cada vez mais incentivada por todas as classes sociais para o crescimento dos ní­veis de alfabetismo pleno. O conhecimento vai crescendo a partir de um maior contato com a literatura e a informação escrita. A leitura estimula a pessoa (e principalmente a criança) a desenvolver sua criatividade e seu posicionamento frente ao mundo, formar opiniíµes e gostos culturais. Este deve ser um dos objetivos principais da escola: trabalhar com os alunos o desenvolvimento de um pensamento crí­tico e autí´nomo, transmitindo o conhecimento que o faça crescer também como um cidadão participativo na sociedade, analisou Rosa

Outro ponto importante para a formação de um aluno mais capaz, e que está também recebendo destaque nas escolas aqui de Torres, é o contraturno escolar. O contraturno propicia a criança uma maior carga de estudos e um acúmulo de conhecimentos, além de manter os jovens (principalmente das classes sociais mais carentes) ocupados e   livres do ócio ressalta Rosa Maria Lumertz. Porém, com o aluno passando tanto tempo dentro da escola, é necessário fazer que os estudantes sintam-se acolhidos pela instituição de ensino.

E neste ponto, a secretária de educação de Torres lembra da importância de uma harmonia entre a escola, o aluno e sua famí­lia. Para o desenvolvimento de uma relação forte entre as escolas e seus alunos, é essencial que os pais participem da educação de seus filhos, façam-se presentes nas escolas, prestem atenção aos talentos e dificuldades de seus filhos. Pois tanto a famí­lia quanto a escola tem o papel de direcionar os jovens í  formação de valores positivos, que vão ajudar a definir seu caráter e sua participação social no futuro, finalizou Rosa

 

 

Rosa Maria Lummertz, Secretária de Educação em Torres

 

 

Um exemplo alemão

 

Alina Vennekí¶tter é alemã, tem 21 anos e está prestes a começar a faculdade de assistência social em seu paí­s de origem. Alina é uma jovem com gosto por leitura desde cedo, que certamente estaria enquadrada entre as pessoas com ní­vel pleno de alfabetização. Comecei a ler muito cedo, devia ter uns seis ou sete anos. Meus pais sempre me deram livros, e fui gostando cada vez mais de literatura com o tempo, indica. A jovem explica que, na Alemanha, o sistema de ensino é rigoroso, exigindo bastante do aluno. Os estudantes são divididos pela sua capacidade de aprendizagem: os que tem maiores dificuldades ficam em uma turma, e aqueles que aprendem mais facilmente ficam em outra.

Em ní­vel de interpretação de textos, Alina indica que as escolas em seu paí­s tem o hábito de fazer provas escritas e orais frequentemente, buscando avaliar o aprendizado dos alunos. Além disso, as atividades em turno inverso já são uma realidade consolidada na Alemanha, os alunos já sabem estarão na escola durante quase todo o dia. A estudante acrescenta que, assim como no Brasil, a Alemanha também possui pessoas que estão distantes de um ní­vel de alfabetização pleno. As pessoas estão   mais distantes de livros, e acostumadas com informação curtas e pouco relevantes na internet. Acho que esse problema é mundial,   muitas pessoas são preguiçosas ou alienadas, não se importam em aprender coisas novas.

 

 

NíVEL DE ALFABETIZAí‡íƒO NO BRASIL

 

Veja quais são os quatro ní­veis de alfabetização identificados pelo Inaf 2011-2012:

 

Analfabetos (8% da população): não conseguem realizar nem mesmo tarefas simples que envolvam a leitura de palavras e frases, ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (dinheiro, placas).

 

Alfabetizados em ní­vel rudimentar (19%): localizam uma informação explí­cita em textos curtos, leem e escrevem números usuais e realizam operaçíµes simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias.

 

Alfabetizados em ní­vel básico (47%): leem e compreendem textos de média extensão, localizam informaçíµes mesmo com pequenas inferências, leem números na casa dos milhíµes, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operaçíµes e têm noção de proporcionalidade.

 

Alfabetizados em ní­vel pleno (26%): leem textos mais longos, analisam e relacionam suas partes, comparam e avaliam informaçíµes, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sí­nteses. Resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporçíµes e cálculo de área, além de interpretar tabelas, mapas e gráficos.

 

 

*com informaçíµes da Agência Brasil


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