Em oito anos, Lula gastou quase R$ 10 bilhões em publicidade

25 de dezembro de 2010

Amanda Costa  

Do Contas Abertas  

   

Se propaganda é a alma do negócio, não í  toa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrará o mandato com uma aprovação popular recorde de 83%, segundo pesquisa do Instituto Datafolha. Em oito anos de mandato, Lula gastou pouco mais de R$ 9,3 bilhíµes dos cofres públicos no intuito de manter a sociedade informada sobre os atos de governo ( em valores corrigidos pela inflação). Um balanço preliminar da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), divulgado na última semana, informa aplicaçíµes de R$ 1,1 bilhão em publicidade neste ano, apenas até o iní­cio de dezembro, uma média diária de R$ 3 milhíµes. A cifra refere-se a todos os ministérios, autarquias, fundaçíµes, empresas estatais e sociedades de economia mista.    

A mí­dia mais procurada pelos órgãos públicos federais foi, mais uma vez, a televisão, que respondeu por R$ 707,2 milhíµes, ou 64% de todos os anúncios feitos neste ano. A publicidade nos jornais obteve investimentos de R$ 100,1 milhíµes, o que representa 9% dos gastos com propaganda. Bem próximo, os anúncios em rádios chegaram a quase R$ 100 milhíµes.    

As revistas foram responsáveis por R$ 83 milhíµes. A Internet e os outdoors receberam anúncios de R$ 36,6 milhíµes e R$ 5,8 milhíµes, respectivamente. Já a publicidade governamental em cinema, mobiliário urbano, carro de som, telas digitais em shopping, elevadores, supermercados e aeroportos respondeu por R$ 68,4 milhíµes, ou 6% do total investido no perí­odo.  

O órgão que mais desembolsou recursos neste ano com publicidade foi o Ministério da Saúde, que dispensou R$ 137,8 milhíµes para anúncios. Já as aplicaçíµes da Secom chegaram a R$ 100,8 milhíµes. Ministério das Cidades dispensou R$ 60,3 milhíµes. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econí´mico e Social (BNDES) aparece na quarta colocação, tendo um consumo publicitário de R$ 23 milhíµes. Um pouco mais abaixo na lista dos maiores investidores em mí­dia, a Infraero aplicou R$ 842,3 mil.    

Na outra ponta, o Ministério do Trabalho e Emprego desembolsou R$ 363,2 mil, seguido do Banco Central com R$ 328,9 mil e da Eletrobras Eletronuclear com R$ 48 mil (veja tabela). O governo federal não divulga individualmente os gastos publicitários das estatais que concorrem no mercado sob o argumento de que a divulgação faria com que empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil perdessem competitividade.  

Apesar de não constarem os valores individuais, no cálculo global estão incluí­das as aplicaçíµes em campanhas publicitárias de todos os órgãos da administração direta e indireta em açíµes de publicidade institucional e de utilidade pública. Os dados, contudo, não computam informaçíµes sobre publicidade legal, produção e patrocí­nio.  

A publicidade institucional e a de utilidade pública, objetos do levantamento da Secom, diferenciam-se nos fins almejados. Enquanto a publicidade de utilidade pública prevê informar, orientar, prevenir ou alertar a população para que adote um comportamento especí­fico, visando benefí­cios sociais, a publicidade institucional se limita a divulgar informaçíµes sobre atos, obras, programas, metas e resultados do órgão público.

   

Década

   

Em 10 anos, o maior valor registrado em anúncio publicitário foi no ano passado, quando o governo aplicou quase R$ 1,7 bilhão em campanhas. A média diária de investimentos chegou a R$ 4,6 milhíµes, recorde desde o iní­cio da década. A cifra representa um incremento de R$ 519,7 milhíµes na comparação com 2008, quando foi aplicado R$ 1,2 bilhão em propaganda. O principal responsável pelo acréscimo foi a Internet, que teve aumento de 101% no ano passado em relação a 2008. Em números, a Internet recebeu R$ 30,3 milhíµes a mais de investimentos em 2009.

   

Expansão

   

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, 7.047 veí­culos “ entre rádios, jornais, TVs e revistas “ de 2.184 municí­pios estão incluí­dos no plano de mí­dia do governo federal e, portanto, aptos a divulgarem campanhas. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a quantidade de veí­culos estava limitada a 499 em 182 cidades brasileiras.  

Ao longo de seu mandato, o presidente Lula inovou e estabeleceu contatos diários com a imprensa, enviando recados a todos o paí­s. Entre as criaçíµes midiáticas de Lula está o programa semanal de rádio Café com o Presidente, a coluna impressa O presidente Responde, além da publicação bimestral Caderno Destaques e o boletim diário Em Questão, que visa orientar a sociedade sobre as polí­ticas públicas do Poder Executivo.  

O cientista polí­tico e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, Fernando Azevedo ressalta que um dos princí­pios que rege as democracias modernas é a transparência e a prestação de contas do governo perante o cidadão. Neste sentido, portanto, a publicidade seria um instrumento de transparência governamental. Por outro lado, Azevedo não descarta a possibilidade de autopromoção de autoridades públicas. A tendência é que os governos ampliem seus investimentos nessa área porque a divulgação governamental beneficia o partido ou a coalizão partidária que controla o governo, avalia.

   


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