ENTREVISTA: com Alziro Ramos

17 de junho de 2011

 

 

                                Torres, apesar de todo empenho e cumprimento por parte da Prefeitura Municipal í s exigências realizadas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), corre o risco de perder o repasse de R$ 3.1 milhíµes para execução do projeto que visa modernizar a polí­tica de coleta e manejo dos resí­duos. O prazo limite para repasse do recurso termina no dia 30 deste mês, mas empecilhos e solicitaçíµes pouco convencionais podem atrapalhar o desenvolvimento do Municí­pio e prejudicar mais de 80 famí­lias que têm na coleta e reciclagem do lixo a principal fonte de renda. Na entrevista a seguir o secretário Municipal de Meio Ambiente, Alziro Ramos, fala mais sobre o assunto e as preocupaçíµes da Administração.

 

   

1.                                           Qual a importância do recurso da Funasa para Torres?

   

Alziro Ramos “ Trata-se de um conjunto de mecanismo e procedimentos para implementação da polí­tica pública do governo Federal, através da Funasa, que visa melhorar o sistema de manejo de resí­duos nos municí­pios, tema de Saúde Pública. Em Torres a destinação do recurso financeiro é para ampliação da coleta seletiva e limpeza urbana. Com ele poderemos adquirir os equipamentos necessários, além de qualificar e humanizar o trabalho dos catadores de resí­duos. Torres entrará em uma nova era de destinação da coleta seletiva, com a inclusão dos catadores dentro do processo.

 

   

2.                       Existe um prazo para liberação do recurso?

   

A.R.: Este recurso é proveniente de uma aproximação entre o prefeito de Torres e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho, em 2009, ou seja, dos restos a pagar do Governo passado. Assim, nós temos até o dia 30 de junho para que o repasse da Funasa seja disponibilizado para o convênio, sob pena de o Municí­pio perder os recursos. Isto porque, por meio de Decreto a presidente Dilma comunicou que os processos que passarem desta data serão retornados ao orçamento. No entanto a impressão que se tem é que movimentos contrários dentro do Governo têm dificultado o trâmite normal do processo. í‰ inadmissí­vel que nos dias de hoje interesses eleitoreiros e pessoais sejam colocados em primeiro plano comprometendo o desenvolvimento dos Municí­pios.

 

   

3.                   Mas a Prefeitura de Torres cumpriu as etapas exigidas pela Funasa para captação do recurso?

 

A.R.: Há vontade e empenho da Administração em criar um sistema eficiente de coleta, limpeza urbana e saneamento. Todas as solicitaçíµes feitas í  Prefeitura de Torres pela Fundação foram cumpridas desde a elaboração de projeto, plano de trabalho, capacitação dos catadores, melhorias na Usina de Reciclagem de Lixo (Recivida) com a construção de mais um galpão, audiência pública, convênio com a Associação dos Catadores que já retornam as funçíµes na Recivida, documentos adicionais… Enfim, a cada semana exigem de nós mais informaçíµes e documentos.

 

   

4. Quando a Administração percebeu que entraves estavam ocorrendo?

   

A.R.: O processo tramitou normalmente até que, nos últimos cinco meses, empecilhos foram surgindo. Então começaram a solicitar documentos e procedimentos que entendemos não habituais a liberação deste tipo de recurso. Mesmo assim, estamos empenhados em cumprir as solicitaçíµes, mesmo que fora do normal, pois reconhecemos que este recurso permitirá a Torres avançar dez anos em apenas um, por meio da promoção do desenvolvimento com respeito ambiental.

 

   

5. Quem são os principais prejudicados por esses entraves?

   

A.R.: Engana-se quem pensa que é o prefeito, o vice-prefeito ou os secretários os prejudicados. Quem perde é Torres. Quem será privado de tal avanço na limpeza urbana e na coleta seletiva são os quase 34 mil moradores, que nasceram, trabalham ou escolheram Torres para viver. Perdem também os mais de 200 mil visitantes que durante a alta temporada vem a Torres para aproveitar o verão. Perde o meio ambiente, o turismo, a saúde…, e principalmente, as 80 famí­lias de catadores que encontram no recolhimento do resí­duo reciclável o sustento da famí­lia.    

   

6. E o que o senhor pensa desta situação?

   A.R. Lamentavelmente nos criaram uma expectativa falsa. Hoje a sensação que tenho é a de que não passamos de meros fantoches nas mãos deles. E deixo aqui os seguintes questionamentos: caso o recurso não venha, o que dizer í s famí­lias que dependem da coleta seletiva para viver; quem ganha e quem perde com esta situação? Tomara que eu esteja errado, mas não sei como iremos comunicar a estas famí­lias de recicladores e a toda comunidade torrense se o convênio não se concretizar. Todos nós temos muito a perder caso isso realmente ocorra.    


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