EDITORIAL – Erro estratégico

27 de agosto de 2011

 

 

As suspeitas de irregularidades que apareceram no Ministério do Turismo não estão mostrando somente mais um braço no escopo das falcratuas no Brasil. As declaraçíµes públicas e as opiniíµes estampadas nos jornais mostram também o descaso que o segmento do Turismo é tratado em nossa nação. Na semana passada, comentaristas de polí­tica dos meios de comunicação em massa gaúchos chegaram a sugerir que o Ministério sequer deveria existir em nosso governo. Alguns afirmaram até que a pasta surgiu como um penduricalho e que ela poderia muito bem funcionar como uma secretaria em outro ministério qualquer.    

Em tempos de entrada da China no mercado industrial com seus preços praticamente imbatí­veis, por conta do modelo contábil de um paí­s que é de economia planificada, mas que está aberta aos investidores capitalistas, urge que a questão da expansão da indústria de transformação como tema de casa de qualquer paí­s seja revista como uma premissa vital por ser o setor gerador de maior valor agregado. Até naçíµes altamente desenvolvidas em tecnologia estão se rendendo í  competição com a China. Ao invés dos industriais manterem suas posiçíµes em paí­ses desenvolvidos, buscam implantar plantas justamente na China, para poderem usufruir dos benefí­cios do paí­s e  da mão de obra barata de lá, e conseguirem consequentemente se manter competitivas no mercado internacional de produtos acabados.  No Brasil não é diferente. Aqui no RS, por exemplo, já se vê empresários fechando fábricas no Estado e migrando para a China, simplesmente porque avaliaram suas situaçíµes e chegaram í  conclusão que não podem insistir no modelo atual, sob risco de falirem por conta da concorrência vinda do Oriente. O setor de calçados é um exemplo tí­pico, sem falar da fase quase falimentar do setor de máquinas pesadas, por exemplo, que perde diariamente mercado para os chineses, que oferecem a mesma mercadoria pela metade do preço. Somente uma verdadeira guerra mundial poderia frear a expansão da indústria chinesa no mundo, o que parece que não seria inteligente…  

í‰ nesta hora que as vocaçíµes naturais das naçíµes deveriam entrar para serem utilizadas como diferenciais competitivos no mercado global.   E o setor de Turismo no Brasil entra aí­ como um expoente. Junto com a Agricultura e a extração mineral, o setor se caracteriza para os brasileiros como uma mina de ouro ainda a ser explorada. Temos um litoral de milhares de quilí´metros com belezas naturais que em poucos locais do mundo são encontradas. Temos na maioria do paí­s a temperatura alta como predominante, outra diferença essencial para o turismo de beira de praia. Temos a Amazí´nia, o Pantanal, a Serra gelada no Sul, dentre outras várias alternativas secundárias de turismo. Temos um povo alegre, empreendedor e trabalhador, portanto altamente preparado para assumir com prazer a expansão da atividade de Turismo em toda a nação. Praticamente fomos construí­dos por Deus para receber pessoas como visitantes em nossas cidades, espalhadas por toda a nação.    

Mas as polí­ticas públicas para a expansão do Turismo no Brasil são pí­fias. Não temos um plano de captação internacional para redes de hotéis, por exemplo; não temos sequer uma polí­tica pública para incentivar os atuais empreendedores do turismo para que cresçam. Os números de visitantes europeus e americanos do norte em nosso paí­s perdem de longe para vários pequenos paí­ses europeus e para a Ilha da Nova Zelândia, por exemplo, locais onde o calor acontece somente durante dois meses do ano.  

Não adianta termos somente polí­ticas públicas estruturais e de fomento í  tecnologia voltadas para um modelo de crescimento da indústria de transformação, quando as ameaças dos chineses mostram provas cabais que este modelo, da forma que está desenhado, está fadado a falir logo ali na frente.   Temos de ter polí­ticas públicas agressivas que aproveitem o que é somente nosso, do Brasil, para concorrermos em vantagens naturais no competitivo mercado do mundo. Fomentar as atividades de Turismo e da Agricultura seria uma saí­da natural da nação para equilibrar a busca positiva de divisas para o Brasil, missão de qualquer polí­tica econí´mica responsável.

 E não é rebaixando o status do ministério de Turismo que conseguiremos isto. Ao contrário, a pasta poderia ser considerada uma das mais importantes do governo brasileiro. Trata-se de uma atividade que por si só distribui renda, é limpa ecologicamente e fomenta o espí­rito natural do povo brasileiro: o espí­rito empreendedor e inovador, além da termos tido o presente divino de sermos criados para ela.  


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