Especialistas querem motivar cadeia turí­stica para a acessibilidade”

3 de dezembro de 2012

 

Hoje no Brasil, cerca de 45 milhíµes de pessoas possuem total ou parcialmente algum tipo de deficiência. Foi com esse dado que o coordenador-geral de Segmentação do Ministério do Turismo, Wilken Souto, iniciou   sua palestra sobre acessibilidade, em Gramado (RS). O evento, que contou com a presença de especialistas da cadeia turí­stica, fez parte da programação do 24 Festival de Turismo de Gramado, que aconteceu no final de emana passado.

De acordo com Souto, esse número engloba também as pessoas com mobilidade reduzida, como idosos, gestantes, crianças, pessoas obesas ou com baixa estatura, entre outras. Todas elas necessitam de algum tipo de facilidade ou adaptaçíµes especí­ficas para se locomover com autonomia, lembrou.

Atento a essa causa, o Ministério do Turismo, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Embratur, lançou oficialmente, no dia 23,  o Programa de Turismo Acessí­vel. Segundo o representante do MTur, uma das linhas de atuação do programa envolve a realização de estudos e pesquisas para entender melhor esse público. O MTur também vai atuar com gestores públicos e privados para a realização de cursos e seminários. Nosso objetivo é capacitar e sensibilizar cerca de oito mil gestores até 2014, além de premiar as açíµes de empreendedores voltadas í  acessibilidade, afirmou Wilken Souto.

 

Adequação da infraestrutura

 

Por meio do Programa de Turismo Acessí­vel, o objetivo do governo federal é adequar a infraestrutura turí­stica nos atrativos, principalmente, das 12 cidades-sede da Copa do Mundo da FIFA 2014. Outras açíµes serão organizadas junto aos empresários da cadeia produtiva do setor para ampliar oportunidades no mercado de trabalho para esse público.

Um dos principais desafios, segundo o coordenador, é a qualificação dos serviços turí­sticos. O governo estuda a implantação de um sistema online com informaçíµes acerca da acessibilidade de empreendimentos e atrativos turí­sticos de destinos brasileiros. Além disso, o programa pretende aumentar para 5% o número de unidades habitacionais acessí­veis nas cidades-sede da Copa 2014. Não se trata, no entanto, de um esforço apenas do governo. Precisamos do apoio da iniciativa privada e da sociedade, esta atuando como fiscalizadora dessas açíµes, pontuou.

 

Exemplos pelo Brasil

 

Algumas cidades já incorporaram a importância de se adaptar a esse público. Socorro (SP), por exemplo, é referência quando o assunto é acessibilidade, principalmente no segmento de turismo de aventura. Isso fez a cidade ser considerada pelo MTur um dos dez destinos referência em turismo adaptado. Buscamos primeiro conhecer o perfil do nosso consumidor e, acima de tudo, trabalhar com a qualidade de nosso destino, explicou Carlos Toledo, diretor do Departamento de Turismo e Cultura do municí­pio, que tem hoje 37 mil habitantes.

Referências Internacionais

Não é apenas o Brasil que tem buscado se tornar exemplo na área do turismo acessí­vel. A Itália também está trabalhando para ganhar espaço junto a este público. O nosso grande desafio é de transformar a Itália acessí­vel a todos, disse o diretor para a América Latina da Agência Nacional Italiana do Turismo, Salvatore Costanzo. Ele explica que o paí­s tem desenvolvido estruturas para acesso a monumentos históricos e cita Veneza, uma cidade sob as águas, como exemplo. Costanzo adiante que a capital Roma tem seguido estes passos, com a ajuda de empresas italianas que estão focadas no assunto.

Apesar dos visí­veis avanços, o diretor da empresa Turismo Adaptado, Ricardo Shimosakai, acredita que ainda falta muito para o Brasil evoluir quando o assunto é acessibilidade. Cadeirante, ele falou com propriedade das dificuldades enfrentadas no dia a dia por um deficiente. Segundo ele, a adaptação nos sistemas de transporte (aéreo, metroviário, urbano, etc) pode ser uma das formas de reverter esse quadro. Muitos serviços, produtos e hotéis dizem que são acessí­veis, que têm banheiros adaptados, mas só quando chegamos no local é que descobrimos que não são, e isso acaba tornando a viagem uma grande frustração, afirmou.

 

Dois objetivos em uma ação

 

A capacitação de profissionais para atender os deficientes e manusear os equipamentos de forma adequada é imprescindí­vel. A mão de obra entre as pessoas com deficiência ou alguma mobilidade reduzida também pode ser muito bem aproveitada no turismo. í‰ o que explica Guilherme Paullus, presidente do Conselho de Administração CVC Turismo e presidente do Grupo GJP Hotéis. Para isso, precisamos exigir o cumprimento das leis e cobrar apoio das autoridades para projetos em empreendimentos, sugeriu.

Orientaçíµes para a adaptação de estabelecimentos turí­sticos estão previstas na norma técnica NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sobre Acessibilidade a Meios, Edificaçíµes, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. O engenheiro Frederico Viebig, diretor da Arco Sinalização Ambiental, presente na palestra, apontou a sinalização como avanço indispensável para que o paí­s se desenvolva no quesito acessibilidade.

Ele explicou que os estabelecimentos devem oferecer quartos com alarmes; sanitários adaptados; placas de rotas de fuga e portas de quartos acessí­veis, entre outros. Atualmente, 70% das mortes de pessoas com mais de 75 anos é devido í  queda, e o nosso principal turista hoje é formado por idosos. Por isso, precisamos desenvolver um desenho universal com projetos que tenham em mente esta realidade, disse o engenheiro.


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