Estrutura e História em Torres: AS PEDRAS QUE ME PERDOEM, MAS PARALELEPíPEDO í‰ FUNDAMENTAL!

15 de julho de 2014

 

Roni Dalpiaz

Mestre em Marketing, Administrador e Turismólogo.

e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

 

 

Torres surgiu a partir de duas ruas: a rua de cima e a rua de baixo. Simples assim. Ruas de barro, como contam os historiadores, que quando chovia viravam grandes lamaçais. A pequena vila foi crescendo, encorpando e suas ruas como raí­zes se estenderam rumo a parte baixa.

Com o passar dos anos o barro foi aos poucos sendo substituí­do por pedras ferro retiradas das torres, principalmente da beira mar. Os resultados dessa ação ainda podem ser vistos pelas marcas deixadas nos rochedos a beira mar da praia grande e da prainha. Essas pedras foram e ainda são a principal matéria prima e base das ruas da cidade.

Me lembro claramente da primeira camada de asfalto colocada na Avenida Barão do Rio Branco. Muito parecido com o que ocorre hoje em dia, foi feito uma limpeza superficial e em seguida vieram jatos de uma substância preta grudenta (o piche) que lambuzou a avenida inteira. Alguns desavisados, pois era realmente novidade, cruzavam por cima daquilo perdendo seus chinelos na gosma. Após, foi despejada a manta (fininha) asfáltica, que depois de espremida por um grande rolo, deixou a avenida renovada e pronta para a festa.

Muitas ruas foram abertas e pavimentadas a partir da necessidade dos moradores. Normalmente a prefeitura ajudava com a mão-de-obra desde que o interessado ou os interessados fornecessem as pedras (estas não mais oriundas das nossas torres). Meu sogro foi um destes interessados, pois tinha construí­do um dos poucos bons hotéis da cidade e precisava de uma rua pelo menos pavimentada a frente de seu negócio. Pagou pelas pedras e ainda por grande parte da mão-de-obra para tê-la pronta em tempo de abrir seu hotel. E ela permaneceu quieta, intocada, impávida e com o tempo esburacada durante trinta e poucos anos. Há poucos dias, finalmente lembraram dela. E faceira como na primeira vez da velha avenida Rio Branco, recebeu sua fina camada de asfalto por cima daquela sofrida cobertura de pedras.

Assim como esta antiga travessa, muitas outras ruas foram sendo cobertas com finas ou generosas camadas de asfalto, expurgando de vez qualquer resquí­cio de barro ou lamaçal nas principais ruas e avenidas da cidade. O asfalto tornou-se essencial, transformando-se não no principal tipo de revestimento na pavimentação das ruas, mas o único.

O asfalto virou sí­mbolo da modernidade e é caracterí­stica marcante nas áreas urbanas de Torres, no estado e no paí­s. De acordo com os especialistas na área, esse tipo de pavimento se faz necessário onde prevalece a alta velocidade, o trânsito intenso e onde não haja interesse urbaní­stico. Porém as ruas com asfalto, para manter o conforto do motorista, precisam ser recapeadas ou até refeitas com bastante frequência, pois esse pavimento tem durabilidade de no máximo 5 anos.

Houve, em Torres, uma tentativa de colocação de pavimento com revestimento de blocos de cimento com algum sucesso na volta da Lagoa do Violão e com total fracasso na beira do rio (já substituí­da por asfalto).

As velhas pedras disformes nunca deram um bom aspecto as nossas ruas. Por diversos motivos elas não permaneciam no lugar certo formando buracos e ondulaçíµes repetidamente. Porém tinham a vantagem de auxiliar na drenagem das ruas, mas era só isso. O asfalto, além de impermeabilizar a cidade, ele ajuda a elevar a temperatura dos locais onde está presente.

Será que não existe outra forma de pavimentação que não impermeabilize a cidade? Formas que deixem a cidade respirar e transpirar. Formas que embelezem e deem mais charme e beleza a esta cidade/balneário que apesar da vocação turí­stica cada vez mais se afasta dela.

Talvez o paralelepí­pedo seja uma solução. Bonito, durável e permeável.

O paralelepí­pedo pode ser utilizado em ruas periféricas, postos de combustí­veis, pátios industriais, condomí­nios, loteamentos. Ele tem alta durabilidade e, além disso, é resistente, de fácil colocação e manuseio e não tem um processo de industrialização de alto impacto ambiental com o asfalto.

Que fiquem na história as antigas pedras disformes e que cheguem os paralelepí­pedos que tanto deram certo em outros lugares.

O asfalto que me perdoe, mas os paralelepí­pedos são fundamentais!


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