FALTA DE EDUCAí‡íO! Como Funciona a captação e o tratamento do esgoto em Torres

11 de fevereiro de 2011
Parte 2
   

Quando você joga em seu vaso sanitário algo que não é diluí­vel na água, alguma coisa deve acontecer para que, na outra ponta do sistema e tratamento de esgoto, seja derramado no Rio Mampituba somente água pura. E o processo é caro e requer muito planejamento e atenção para que não haja entupimentos de redes, de estaçíµes de captação, dentro outros problemas. Se o Ser Humano se comprometesse a esgotar em suas residências somente fezes, urina, e água usada na limpeza da casa, utensí­lios domésticos e roupas, isto não seria problema para as companhias que trabalham no tratamento dos resí­duos caseiros dispensados pela tubulação. Mas esta não é a realidade, infelizmente.

   

Conforme informou para A FOLHA com exclusividade o Técnico responsável pelo tratamento do esgoto da estação de Torres Altemir dos Santos Lehmann, objetos diversos são encontrados na primeira parte do processo como: camisinhas (a mais prejudicial), absorventes femininos, calcinhas, cuecas, pilhas, dentre outros.  E aqui em Torres este material é obrigado a ser separado sistêmica e quase que diariamente na antiga ETE, localizada no bairro Getúlio Vargas. Lá, vários servidores da Corsan (empresa licenciada na cidade para o serviço) retiram o material quase que de forma manual dos poços da captação de esgoto bruto e, também sistematicamente, se obrigam a encaminhar os dejetos sólidos para um fim que não polua o meio ambiente, através da incineração ou encaminhamento para empresas de reciclagem de lixo, por exemplo.  

   

í“leo de cozinha

   

Outro problema encontrado no sistema de tratamento de esgoto aqui em Torres e na maioria dos similares é o óleo de cozinha despejado nas pias e vasos sanitários. No sistema de Torres, este resí­duo não chega ao rio de volta por conta do tratamento de esgoto que é de 100%, embora em casos de residências que não são ligadas ao sistema de coleta e utilizam fossas sépticas, o óleo de cozinha pode, sim, poluir o meio ambiente, penetrando na terra dos arredores ou sendo jogado em córregos ou direto nos rios, como em ainda existentes casos na cidade, poluindo o local e até o mar que nossos turistas tomam banho, o que certamente não será um fato motivador de sua volta para veranear na cidade.  

Para o mesmo técnico da Corsan, talvez fosse mais barato e eficaz que a sociedade coletasse de forma organizada este óleo, antes de ele ser colocado sistema. Já existem estudos de colocarmos, por exemplo, galíµes em restaurantes e condomí­nios para que seja descartado o óleo utilizado lá, e, após, ser encaminhado para empresas especializadas em utilizar este material como matéria prima para a fabricação de sabão e até de biodiesel atualmente lembra Altemir.  

Para o sistema de esgoto, o óleo despejado nas residências forma outro trabalho para a companhia. í‰ que, como ele não se mistura com a água, acabam se formando paredes de graxa nas estaçíµes de captação inicial, e isto exige que seja retirada esta camada de forma sistêmica, onerando o trabalho e aumentando também riscos de entupimentos.

   

A natureza cuida de tudo

   

Fora os problemas causados pela colocação de resí­duos sólidos estranhos e de óleo de cozinha no sistema de tratamento de esgoto, o resto do trabalho é razoavelmente simples, embora exija investimentos pesados em infraestrutura de captação, bombeamento e de construção das piscinas de tratamento do esgoto.    

Em Torres, o esgoto das casas conectadas sai dos prédios e, por gravidade vão para as cinco estaçíµes de captação espalhadas pelo centro. Uma na Praça João Neves, outra na Prainha, outra na beira do rio, próximo í  Rota Gastroní´mica, outra na Avenida do Riacho no Stan, e outra, a maior, no bairro Getúlio Vargas, onde funcionava a antiga Estação de Tratamento Geral da cidade. Com as obras de ampliação em andamento atualmente, mais duas estaçíµes de captação inicial (chamada também de Estaçíµes Elevatórias ou de Recalque) estão sendo construí­das.  

Destas estaçíµes, o esgoto, ainda bruto, é bombeado para a antiga ETE, que é a quinta estação, e funciona atualmente como uma espécie de estação central. Lá é separada a parte de objetos (citados acima) do esgoto lí­quido. Após, o esgoto é bombeado por um encanamento de 5,4 quilí´metros até a ETE nova, no bairro Salinas.  

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) possui em seu primeiro estagio uma separação da areia do lí­quido do esgoto, pois a areia pode danificar muito os equipamentos. Após, o esgoto entra na Lagoa de Estabilização, onde fica parado e, por pura fí­sica, os resí­duos sólidos (lodo do esgoto) caem para o fundo da mesma. Aí­ inicia um processo quí­mico que transforma este lodo em minério. Isto acontece pelo natural surgimento de uma bactéria anaeróbica (que não precisa de oxigênio), que se alimente do lodo depositado no fundo. Esta bactéria, ao se alimentar, transforma lodo em mineral bruto, que fica depositado no fundo, sem mais poluir a água que está inserido.  

Em outra lagoa seguinte, a agora água suja passa pelo primeiro processo de limpeza também através de um processo natural. Nesta piscina, é formada uma alga, que, em contato com o sol e o calor, libera oxigênio, formando uma nova bactéria na água, esta aeróbica (que necessita de oxigeno para viver). Ela faz a oxidação da água, retirando 98% da matéria orgânica.    

No último processo de limpeza, a água passa por um tanque raso de sete hectares. Por ser raso, o contato com o sol elimina todos os cloriformes fecais restantes. Após passar por este último processo, o esgoto que agora é água ainda fica em tanques chamados de Banhados Ecológicos. Lá o controle de qualidade é medido pela proliferação de peixes, presença de aves se alimentado dos peixes, etc. í‰ nesta fase que a água (que era esgoto ao sair de sua casa) é checada em suas caracterí­sticas e é medida sua qualidade, antes de ser despejada no Rio Mampituba, agora com 99,99% de pureza.

       


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