Maria Helena Tomé Gonçalves
Tanto como mãe e mais ainda como professora de Didática na escola de formação de professores “ a antiga Escola Normal, nunca fui muito adepta do tradicional e fatídico tema de casa. No início da minha carreira profissional, ainda em Pelotas, lecionei na Escola São José, tradicional instituição de ensino e já dizia í s nossas alunas professorandas para terem o máximo cuidado ao prescreverem temas de casa. O mesmo dizia anos mais tarde í s alunas torrenses na Escola São Domingos. Ao analisarmos a função exata do tema de casa devemos ter presente que ele deve ser um reforço e uma complementação ao que foi trabalhado em sala de aula, deve conter atividades curtas e agradáveis í criança que ainda não tem estrutura para muitas horas consecutivas de trabalho mental, deve ser incentivo ao estudo e não punição, deve estar relacionado ao que vem sendo apresentado em sala e não uma novidade completa, deve trazer orientaçíµes claras e precisas para que a criança aja sozinha e não precise de uma nova aula ministrada pelos pais que nem sempre estão preparados para a função. Infelizmente, o tema de casa acaba se tornando um castigo, uma atividade desagradável e, muitas vezes, uma punição para os próprios pais (e avós) cansados, extenuados de suas próprias tarefas profissionais e dos seus próprios temas de casa que são os afazeres domésticos essenciais í s rotinas diárias e que vão bem além de suas jornadas de trabalho. Hoje, professora aposentada há mais de vinte anos, mãe de quatro filhos formados e mãe/avó de netos reforço minhas concepçíµes a respeito do assunto.
O tema de casa bom de ser feito pela criança (e pelos adultos monitores) é aquele que se torna leve por ser interessante, agradável por não ser monótono e curto para ser rápido e proporcionar horas de descanso e lazer nos horários em que a criança está em casa acordada. Hoje o tema de casa da nossa neta que pernoita em nossa casa algumas noites da semana em função dos horários de trabalho dos pais em suas escolas, ambos professores, foi extremamente agradável, porque, exatamente porque falava do Recife e dos Holandeses no Brasil, cidade visitada por nossa neta junto conosco no ano passado. Fizemos um Cruzeiro Marítimo pelo Nordeste até Fernando de Noronha, visitamos três capitais além de Ilhéus “ agora em alta e se tornando íntima da população atual pela nova versão do romance Gabriela de autoria de Jorge Amado, um dos maiores escritores brasileiros e o maior escritor baiano de todos os tempos. Voltando ao tema, o livro de História traz foto do Recife e fotos de obras de arte da época de Nassau, a menina tentou identificar na foto panorâmica lugares que ela visitou, o porto, as pontes, os museus, os arrecifes. Lembrou dos quadros apreciados nos museus visitados, lembrou das construçíµes e questionou porque não fomos í Olinda também e quer ir até lá de novo. Isso é a verdadeira aprendizagem. Ver in loco referências í nossa História. Infelizmente, inacessível í maioria da população.
Se os professores das escolas brasileiras forem espertos e sábios, adotarão o romance Gabriela como tema de aula e de casa. Embora Jorge Amado seja um escritor de linguagem safada e malcriada, é muito bom, embora seus livros possam não ser os mais indicados para determinadas faixas etárias, mostra uma faceta histórica do Brasil inusitada para nós, sulistas, mostra os costumes, as linguagens, a moral, a indumentária de uma época não muito distante, mas muito realista. O povo baiano tem o maior orgulho do autor, assim como os pernambucanos tem o maior orgulho de Nassau e lastimam tê-lo perdido e ficado sob o jugo de Portugal. História ao vivo e a cores é outra coisa. São felizes os alunos e os professores de hoje com toda a tecnologia e possibilidades oferecidas. Por isso caros colegas, tornem os temas de casa de seus alunos felizes temas de casa, usem e abusem do que a modernidade oferece: a TV, a Internet, o celular e tudo de bom que podem oferecer se bem utilizados. Vamos viajar e aprender melhor sem sair do lugar.


