Em geral, vemos o quanto é difícil para filhos de pais com baixa escolaridade, seguirem sua trajetória escolar na busca de crescimento pessoal e sociocultural. í‰ possível compreender quais os fení´menos inconscientes determinantes para a atitude pouco ambiciosa e baixo rendimento escolar destes filhos. Por mais que tenham acesso material para sua formação intelectual, os próprios filhos sofrem pela auto- discriminação, fruto do seu próprio preconceito frente a sua condição de afiliação em relação í diferença do grau sociocultural de sua família tem relação í sociedade ou comunidade a qual estão inseridos, mas não se sentem pertencentes. Por isso, tendem a se excluir, pelo constrangimento que podem sentir pelo temordo olhar social que podem vir a sofrer, no sentido de se verem diminuídos ou desfavorecidos. Na verdade, este olhar pejorativo, denegrido vem de si mesmos, e projetados no social. O temor é da autocrítica proveniente de um sentimento de baixa autoestima, vergonha, e medo de sentirem-se marginalizados.
Alguns filhos, por exemplo, de caminhoneiros os quais não tiveram oportunidade de estudarem, podem se sentir indignos de terema oportunidade de estudarem, já que seus pais não o tiveram.
í‰ provável, que demonstrem desinteresse, baixa motivação para o crescimento, pouca socialização, inibição social, crise em sua identidade pessoal: Quem sou? O que quero? Ou seja, muitas vezes se sentem compelidos aseguirem os passos de seus pais, e com dificuldade de se diferenciarem dos mesmos como pessoas e profissionais.
í‰ possível, algumas vezes, que isto se deva í culpa inconsciente destes filhos de poderem superar seus pais, ou seja, serem melhores que eles no sentido econí´mico ou sociocultural. Isto significaria, em termos edípicos (quando o menino compete com o pai para ter a mãe), derrotar seu pai, ou aniquilar com ele, nesta rivalidade a qual o filho se coloca. Neste sentido teme ter sucesso, ser bem sucedido, mesmo que deseje, já que sentiria um grande desprazer pela culpa, assim buscando a punição, através de uma derrota como, por exemplo, a perda de um emprego, um acidente, o qual ele mesmo poderá provocar pelas condutas de risco e autosabotadoras. Assim, alivia a culpa e mantém-se num lugar inferior ao pai, porque assim se mantém inofensivo, mas vítima de si mesmo. Por outro lado, sentira-se frustrado, insatisfeito consigo, com a vida, se posicionando como vítima, na verdade de si mesmo, passando a crer que a vida não lhe foi generosa ou que ele mesmo é incapaz de ter sucesso e de ser feliz. Na verdade, não se sente merecedor de grandes conquistas, travando seu crescimento como ser humano. Mas, com a psicoterapia é possível que possa se libertar desta prisão da culpa, a qual leva ao boicote, a trair-se a si mesmo!


