Freud disse: Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais, somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos, somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos sem querer conscientemente.
Quando acordamos, nos levantamos da cama, vamos até o armário, esolhemos uma roupa para nos vestir e temos a certeza de que esses simples comportamentos tiveram sua origem em nossa vontade consciente. Muitos atos que acreditamos ser derivados de nossa vontade consciente na verdade são comandados ou modulados pelo nosso inconsciente. A ilusão da vontade consciente é tão forte que muitos têm dificuldade em aceitar que atos inconscientes existem. Para convencer os incrédulos, nada melhor que examinar os mais simples. Nosso coração bate regulado por um mecanismo sobre o qual praticamente não temos controle consciente. O mesmo ocorre com o movimento dos intestinos.
Outros atos são controlados pelo inconsciente durante a maior parte do tempo, mas podemos assumir seu controle. í‰ o caso do ato de respirar. Assim acontecem atos í s vezes insanos, inconsequentes, os quais nos arrependemos mais tarde. São palavras as quais proferimos, impensadas, mas muito verdadeiras, até capazes de nos causar espanto, assim com nossos pensamentos, sentimentos. Enfim, a descoberta de Freud que nossos atos não são apenas regidos pela nossa consciência é tão importantes como a do astrí´nomo Copérnico, que descobriu que o Planeta Terra não é o centro do universo, ou seja, os planetas não giram em torno dela.
Estas descobertas marcaram uma nova era para humanidade, importante o bastante para quebrar nossa ilusão onipotente de que temos pleno controle de tudo, ou que o universo só existe para nós, em torno de nós. í‰ incrível como apesar de sermos frágeis, passageiros para a existência do universo, podemos ser tão vaidosos e pedantes ao ponto de achar que dominamos e conhecemos toda a verdade, ou queremos explicar tudo a partir de uma única verdade absoluta.
Gosto muito de conversar com gente que sabe que não sabe, e posso arriscar dizer que gosto de não saber muitas coisas, mas ao memso tempo sou uma amante da busca pela verdade, e creio que jamais a encontrarei em toda sua essência, posto que somos limitados mentalmente para perceber a realidade tal qual ela é, com toda sua profundidade e complexidade, assim já dizia Kant, filósofo do século XIX, que a razão é limitada.
Assim, não somos totalmente donos de nossos atos, isto é ser humano, é ser biológico, é ser parte do mistério da vida. Por mais consciente que nós tentemos nos manter, existirão uma sempre uma infinidade de atos que serão motivados pela força inconsciente dentro de nós, e se a desconhecemos, ela torna-se repetitiva em nossas vidas, como se insistisse por ser reconhecida, gerando uma sensção de estármos patinando, sem sair do lugar, pois o inconsciente também a parte de nós que pode nos boicotar.
O que importa não é saber tudo, mas estármos aberto í s mudanças, ao novo, para assim podermos chegar mais próximo da verdade. Quanto mais nos aprofundamos no conhecimento, maior o sentimento de que nada sabemos. Brilhante a frase do filósofo Sócrates que ilustra sua humildade em admitir sua ignorância So sei que nada sei, pois nada nos afasta mais do conhecimento, da verdade, do que nossa ilusão do pseudo conhecimento, ou do pré conceito. Podemos buscar a verdade partindo de nós mesmos, através do autoconhecimento, da análise.


