Ganho excessivo de peso na gestação : mitos e verdades

9 de janeiro de 2012

Antoniela Vieira  

 

Pesquisa da Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostra que mais de um terço dos óbitos relacionados í  gestação correspondem a mulheres obesas. E são elas as mais acometidas por desconfortos tí­picos do perí­odo, como mal-estar e inchaço.  

Ironicamente, apesar da ingestão calórica excessiva, muitas mulheres obesas são deficientes em vitaminas vitais para uma gravidez saudável. Mas há muitas outras estatí­sticas alarmantes que surgem quando obesidade e gravidez coincidem. Juntas, elas apresentam um conjunto único de desafios que as mulheres e seus médicos devem enfrentar para alcançar o melhor resultado possí­vel para a mãe e para o bebê.  

Os seguintes mitos e verdades destacam alguns dos obstáculos para se ter em conta antes, durante e após a gravidez com obesidade. Alguns são bem comuns, mas alguns chegam a ser surpreendentes.

   

– Muitas mulheres obesas apresentam deficiência de vitaminas: Verdadeiro.

   

Quarenta por cento são deficientes em ferro, 24% em ácido fólico e 4% em vitamina B12.  

Esta é uma preocupação porque certas vitaminas, como o ácido fólico, são muito importantes antes da concepção, diminuindo o risco de problemas cardí­acos e defeitos da coluna vertebral em recém-nascidos.  

Minerais, como cálcio e ferro, são necessários durante a gravidez para ajudar os bebês crescerem.  

A deficiência de vitaminas tem a ver com a qualidade da dieta, e não com a quantidade. E mulheres obesas tendem a fugir dos cereais fortificados, frutas e legumes, e comem mais alimentos processados, que são ricos em calorias, mas pobres em valor nutritivo.

   

– Pacientes obesas precisam ganhar pelo menos 7 quilos durante a gravidez: Meia verdade.

   

Em 2009, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos revisou suas recomendaçíµes para ganho de peso gestacional de mulheres obesas de "pelo menos 7 quilos" para "de 5 a 9 quilos.  

O detalhe é que, além de um menor limite inferior, agora há um limite máximo.  

De acordo com pesquisas anteriores, as mulheres obesas com ganho de peso excessivo durante a gravidez têm um risco muito elevado de complicaçíµes, incluindo o nascimento prematuro, cesarianas, falha na indução do parto, bebês grandes demais para a idade gestacional e recém-nascidos com baixo teor de açúcar no sangue.  

Se uma mulher começa a gravidez com sobrepeso ou obesa, não ganhar muito peso pode de fato melhorar a probabilidade de uma gravidez saudável. Falar com seu médico sobre o ganho de peso adequado para a sua gravidez é fundamental.

   

– O aumento de peso excessivo durante a gestação triplica a probabilidade de desenvolver a sí­ndrome do túnel do carpo (STC): Verdadeiro.    

A STC é uma doença caracterizada pelo inchaço no pulso, dormência, dor, enfraquecimento e até falta de coordenação nas mãos.

   

– Mulheres obesas têm maior probabilidade de parto prematuro recomendado: Verdadeiro.    

Um parto antecipado por razíµes médicas, como diabetes materno ou pressão arterial elevada, pode ser indicado nestes casos.

   

– A obesidade aumenta em dez vezes o risco de a gestante ter infecçíµes respiratórias: Verdadeiro.

   

– Doenças respiratórias da obesidade aumentam risco de complicaçíµes não pulmonares na gravidez: Verdadeiro.    

As doenças respiratórias na obesidade incluem a asma e apneia obstrutiva do sono, enquanto as complicaçíµes não-pulmonares na gravidez incluem o parto cesáreo e a pré-eclâmpsia (pressão alta).  

Mulheres obesas têm taxas de complicaçíµes respiratórias mais elevadas, e até 30% têm uma exacerbação da asma durante a gravidez, um risco quase uma vez e meia maior do que as mulheres não-obesas.

   

– As taxas de amamentação são elevadas entre mulheres obesas: Mito.  

As taxas de amamentação são baixas entre as mulheres obesas, com apenas 80% amamentando nos primeiros dias, e menos de 50% indo além de seis meses, ainda que a amamentação esteja associada com menor retenção de peso pós-parto.  

Em mulheres obesas o leite leva mais tempo para descer e elas podem ter menor produção, pois o tamanho do peito não tem nada a ver com a quantidade de leite produzido.

 

 Devido a estes desafios, as mães precisam ser educadas e motivadas a trabalhar com seus médicos, enfermeiros e profissionais de lactação para caprichar na amamentação. Mesmo que só seja possí­vel fazer o aleitamento parcial, ainda é melhor do que amamentação nenhuma.


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