Maria Helena Tomé Gonçalves
Gramado tem sido minha inspiração como cidade que se planejou e se construiu para viver do Turismo. Dispenso dizer tudo que nela vejo de bom e apesar de nesse fatídico ano de 2011 ter vivido um dos seus momentos mais difíceis em relação a sua maior conquista entre tantas obtidas, o Natal Luz, a cidade se ergueu como gigante, ultrapassou barreiras, enfrentou a vergonha da constatação do roubo escrachado do dinheiro público e está fazendo um dos seus mais belos natais de todos os tempos. A cidade está maravilhosamente esplendorosa.
Tudo em Gramado é pensado para encantar o turista e dele tirar receitas invejáveis de divisas públicas para reaplicar naquilo que já está bom. O grupo responsável pela sedimentação do Natal Luz teve seus méritos, pois criou uma estrutura invejável de operários do belo que souberam explorar ao máximo produtos recicláveis e fazer com eles enfeites que se transformam e voltam í s ruas a cada ano mais suntuosos e originais. Em Gramado nada se repete, tudo se recicla.
Toda vez que vou a Gramado volto para casa com inveja, já declarei que descobri ser uma pessoa invejosa. Invejo sobre tudo a previdência, a previsibilidade, os prazos criteriosamente impostos e obedecidos. Os eventos, cada vez em maior número, que ocorrem na cidade são previstos com antecedência, planejados e realizados nos prazos estabelecidos. Embora enfrentem percalços como o último e lastimável roubo de valores de ingressos pagos nos eventos e que não iam registrados na contabilidade oficial, o trabalho de preparação do Natal Luz continuou, a abertura aconteceu na data prevista e a cidade está perdoada publicamente por aninhar em seu ventre também maus filhos.
Eis a questão que me aflige ao olhar a nossa Torres: será tão difícil seguir bons exemplos, ter bons modelos, buscar mais resultados satisfatórios, aprender com quem faz sucesso com sua fórmula real de fazer bem feito? Por que mágica não há, atrás de cada evento existe planejamento, esforço, empenho, trabalho, muito trabalho. Existe avaliação, feed back, correção de rotas, realimentação, retomada, mais trabalho, muito trabalho. Quem sabe importamos cursos de como aprender a fazer turismo, já que esta é a vocação de Torres? Não temos e parece que não queremos indústrias, nossa maior fonte de renda e empregos está ainda centrada no veraneio, até hoje temos sido incapazes de criar eventos durante o ano todo, então parece que o que nos falta é escola, é aprendizagem, é estudo e claro, humildade, empenho, vontade pública política, vontade pessoal e de grupos, vontade empresarial de fazer bem feito. Gramado é um exemplo. Vamos aprender com eles. Humildemente, vamos aprender!


