Após passar duas semanas do término das apresentaçíµes da primeira proposta de modificação do Plano Diretor para a sociedade e para grupos técnicos de interesses específicos, iniciam-se as reuniíµes para tratar de possíveis pedidos de alteraçíµes ao projeto. Nesta sexta-feira (14) a CDL e o Sindilojas reunirão técnicos e empresários do comércio e do turismo para fazer uma avaliação os pontos mal entendidos ou divergentes í proposta. Já na terça-feira (18) será a vez da Associação dos Corretores da cidade fazer sua reunião para preparar as propostas de modificação í planta inicial do projeto de desenvolvimento.
Outros grupos como o dos engenheiros e arquitetos, representados pela ASENART e pelo CREA também estão elaborando uma proposta integrada de ajustes, conforma a compreensão da maioria, para ser apresentada para participarem do elenco de transformaçíµes ao Plano. Veranistas interessados em manter a baixa densidade construtiva na beira da Praia Grande também esboçam um movimento de demandas ao seu favor.
índices propostos inviabilizariam economicamente a Construção Civil
Para os corretores de imóveis a questão está basicamente nos índices construtivos. Para o empresário Osmar Pinto, a proposta apresentada irá inviabilizar econí´mica e tecnicamente as construçíµes na cidade. í‰ que a junção entre recuos laterais, frontais e de fundos, misturados com os índices máximos de aproveitamento de terrenos, misturados também com o aproveitamento construtivo, acabariam para ele na maioria dos casos impossibilitando que se edifiquem prédios maiores. Para Pinto, a proposta apresentada vai transformar Torres em uma cidade com prédios pequenos, apertados e feios, além de desvalorizar terrenos e supervalorizar o metro quadrado construído, o que inviabilizaria que terrenos fossem vendidos, o que de certa forma é antagí´nico, mas que o empresário acredita que será a realidade caso sejam aprovados os índices atuais.
Muita padronização poderia terminar com criatividade na arquitetura
O construtor e corretor de Imóveis Eliseu Padilha, também acredita que a construção irá parar em Torres. Um levantamento feito por uma consultoria contratada por Eliseu fez observaçíµes que para ele assustam. Por exemplo, em um terreno de esquina, na zona da Praia Grande, onde se pode construir hoje um prédio normal, o pavimento tipo de da construção em um terreno de esquina de 12 por 30 metros teria apena 50m2, o que não permite que se construa nada por andar. Eliseu sugere que caiam as propostas de fomento í s construçíµes sem aberturas laterais, pois os prédios seriam grades caixas. Ele afirma com segurança que a arquitetura na cidade sumiria no que diz respeito í s belezas de prédios. Outra sugestão do empreendedor e corretor torrense é da derrubada dos recuos obrigatórios de 4 metros nas frentes e de 6 metros nos fundos de terrenos. Para ele isto não permite inclusive que uma pessoa, ao construir uma casa, possa ter piscina na frente da casa, além de deixar as ruas muito iguais, com construçíµes emparelhadas, que formariam conforme ele outro paredão, pois o recuo é obrigatório e absoluto.
Padilha também questiona a falta clara de definiçíµes de fórmulas para as chamadas compras de áreas e compensaçíµes ambientais caso o empreendedor queira utilizar o chamado envelope máximo construtivo. Para ele a cidade irá errar mais uma vez em ficar na mão do conselho do Plano Diretor para a aprovação de projetos especiais, o que pode dar chance para que as aprovaçíµes sejam políticas, sem critérios fechados e absolutos.
Para a Praia Grande Eliseu sugere que se mantenham os índices atuais ao invés de paredíµes sem recuos propostos. Ele aconselha que a Praia da Cal, para trás da Alfieiro Zanardi, receba índices mais fomentadores de altura e aglomeração predial, emendando futuramente na entrada sul da cidade.
O acadêmico deve se transformar no político
O Plano Diretor apresentado por professores da UFRGS é fechado. Eles fazem questão de que a proposta inicial seja deles, com direitos autorais. Mas o Pano Diretor em qualquer cidade é político. A comunidade é que, afinal, decide as regras construtivas, desde que, é claro, respeite as leis federais e estaduais vigentes. í‰ na Câmara Municipal que deverá haver os novos debates. Emendas e destaques específicos deverão ser as protagonistas dos embates e dos confrontos de pontos de vista.


