Histórias de sucesso efêmero no futebol

6 de maio de 2012

 

Por Lucas Aguirre

 

O futebol é marcado de glórias, e sua história descreve os vencedores. O sucesso, no entanto, escapa de alguns atletas que se mostraram promissores, mas acabaram não decolando, por diferentes motivos: lesíµes, psicológico, falta de sorte ou, simplesmente, por não serem tão talentosos quanto imaginava-se. Essa é uma lista em homenagem a um grupo de talentos promissores cuja glória futebolí­stica lhes escapou.

 

 

Nwankwo Kanu “ o carrasco africano

 

Kanu, o homem que acabou com o sonho olí­mpico do futebol brasileiro, em ação contra Roberto Carlos, pelas olimpí­adas de 1996

 

 Na semi-final das Olimpí­adas de 1996, o povo brasileiro foi apresentado, da pior maneira possí­vel, a um atacante de 1,95m e 20 anos de idade chamado Kanu. Aos 44 da segunda etapa e aos 8 da prorrogação, Kanu empatou e virou a partida no golden goal (gol de ouro), eliminando a seleção olí­mpica de Roberto Carlos, Bebeto (o veterano) e Ronaldinho (antes de virar o Ronaldo Fení´meno). A Nigéria se tornaria a primeira campeã africana em qualquer ní­vel intercontinental, e Kanu foi eleito melhor jogador de seu continente para o ano. A Inter de Milâo, que o havia comprado do Ajax dias antes do iní­cio das Olimpí­adas parecia ter tirado a sorte grande. Foi a partir daí­ que a carreira de Kanu sofreu um grande baque: em um teste fí­sico de rotina, foi acusado um defeito congênito na aorta, obrigando-o a operar o coração e, praticamente, abandonar o futebol.

 Entre 1996 e 1998, atuou apenas 12 vezes pela Inter, sendo vendido para o Arsenal para a segunda metade da temporada de 1998-1999. Apesar de encontrar relativo sucesso na Inglaterra, a evolução de Thierry Henry foi mais marcante que a de Kanu. Com o tempo, tornou-se reserva de luxo, foi liberado para o West Bromwich, aonde foi rebaixado em 2006. Encerrou a carreira no Portsmouth, longe daquilo que se esperava para o jogador que desmoralizou a seleção brasileira sozinho.

 

 

Saeed Al-Owairan “ um gol e nada mais

 

No último jogo da fase de grupos da Copa do Mundo de 1994, Saeed Al-Owairan, meio-campista da Arábia Saudita, entraria para história com seu gol contra a Bélgica. Não só o tento classificaria sua seleção para a segunda fase, pela primeira e única vez (até hoje), como seria visto milhíµes de vezes nos próximos anos: saindo do seu campo defensivo, driblou cinco belgas e marcou contra Michel Preud™homme, eleito melhor goleiro da competição. Chamado o Maradona das arábias, Al-Owairan foi eleito melhor da ísia no ano.

Dois anos depois, durante o feriado sagrado de Ramadã, foi pego consumindo álcool em companhia feminina dentro em território nacional “ uma transgressão severa suficiente para mantê-lo seis meses sob custódia do governo religioso, em uma espécie de prisão em domicí­lio. Retornou para a Copa de 1998, aonde a Arábia não foi capaz de replicar o sucesso de 1994. Sob o comando de Parreira, um gordo Al-Owairan seria substituí­do nas primeiras duas partidas, e não entraria em campo para a terceira, aonde a Arábia marcaria seus únicos gols na competição, em um empate em 2 a 2 contra a ífrica do Sul. Impossibilitado de jogar fora do paí­s por normas locais para jogadores de seleção, Al-Owairan será lembrado, eternamente, pelos 8 segundos quando atravessou o campo em Washington e marcou um gol memorável.

 

 

Mozer “ sucesso parcial

 

O zagueiro Mozer, em ní­vel de clubes, é um dos mais bem-sucedidos defensores brasileiros da década de 80 e iní­cio da de 90. Campeão brasileiro, da Libertadores e Mundial pelo Flamengo, cultuado e respeitado no Benfica e Olympique de Marseille. O que frustrou a carreira de Mozer foi a sequência de desventuras que o tiraram da memória do torcedor brasileiro, pelo menos em ní­vel de seleção; poucos zagueiros são lembrados fora de seus clubes senão nas respectivas seleçíµes.

 Em 11 anos de convocaçíµes, jogou apenas 32 partidas. Lesíµes raras e repentinas o tiraram das copas de 1986 e 1994. Em 1990, na desgraçada campanha brasileira sob o comando de Sebastião Lazaroni (ainda é o pior resultado brasileiro em copas), foi afastado do time titular após o primeiro jogo. De possí­vel í­cone da camisa amarelinha, Mozer, a Muralha tornou-se nota de rodapé.

 

 

Santos de 1995 “ Jamelli, Narciso e Giovanni

 

Sensação com o Santos de 1995 (foto) Giovanni teve bons momentos como jogador, mas nunca firmou-se na Seleção Brasileira

 

Antes do Santos de Robinho e do Santos de Neymar, havia o Santos de Giovanni. Em 1995, o time vice-campeão brasileiro colocou três jogadores na seleção: o exí­mio passador Jamelli, o eficiente zagueiro Narciso e a estrela, o genial Giovanni, todos com menos de 23 anos de idade.

 Jamelli acabou não encantando, e estacionou a carreira em times médios da Espanha. Narcí­sio foi diagnosticado com Leucemia e chegou a abandonar o futebol no seu apogeu fí­sico. Giovanni, a estrela, chegou a ter boa passagem pelo Barcelona, mas inconsistência e uma boca grande o fizeram perder favorecimento no clube catalão, e passou o grosso da sua carreira internacional na Grécia. Na seleção, nunca foi considerado o futuro dono da folclórica camisa 10 depois do ano de 1996.

 

Senegal de 2002 “ o time inteiro

 

Ao eliminar na primeira rodada os atuais campeíµes do mundo (França), Senegal conseguiu uma classificaçâo inesperada para a segunda fase, eliminando os franceses e os uruguaios do grupo A. Nas oitavas, contra uma seleç^ ¨ao sueca que havia derrotado a Argentina na última partida, as expectativas eram pequenas “ por essa razão, o mundo inteiro torcia para Senegal. Na prorrogação, Henri Camara marca seu segundo gol e vira sobre os Suecos. O agora extinto Gol de Ouro classificou os africanos para as quartas, aonde sucumbiram para a Turquia na prorrogação. Após a Copa, grande parte dos jogadores senegaleses migrou para pastos mais verdes. O Liverpool comprou Diouf e Salif Diao. A Inter de Milâo comprou o habilidoso Fadiga. Nenhum deles deu tão certo quanto na Copa. Desde então, a seleção de Senegal não se classifica para a competição. O curioso é que, apesar de alcançar as quartas-de-final, o time senegalês não venceu nenhuma partida, oficialmente, a não ser contra a França “ empatou com Uruguai e Dinamarca, e venceu a Suécia nos acréscimos. O frenesi criado para a seleção africana foi decididamente exagerado.

 

Diego Latorre, o primeiro Novo Maradona

Na longa lista de promessas para substituir o craque da Mâo de Deus, o pioneiro fazia parte de um ataque dinâmico do Boca Juniors no final dos anos 80. O centroavante era Batistuta. O baixinho era Diego Latorre. Habilidoso e ousado, alguns o consideravam ainda melhor que Maradona “ jogava com as duas. Rapidamente ascendeu í  Seleçâo, em 1991, e foi para a Europa jogar na Liga Italiana. í‰ aí­ que a carreira de Latorre para de se parecer com a de Maradona. Na Fiorentina, Batistuta se firmou e Latorre foi negociado com o Tenerife. Em 1997 retorna ao Boca, e daí­ vai ao México. Latorre nunca mais foi chamado para a seleção argentina, e muitos outros novos Maradonas decepcionaram, até que um Lionel Messi finalmente cumpriu a profecia. Os argentinos devem ter aprendido a dura lição de que Maradonas não dão em árvore.


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