Revelados os primeiros resultados (ainda sujeitos a revisão) do Censo 2010, o habitante brasileiro tem motivos para ficar contente. Em todos os indicadores sociais já revelados na 12 ª edição do Censo realizada no Brasil, há bruscas guinadas em dados considerados cruciais para observar qualidade social em determinado território. Houve mudanças positivas em medidores como educaçâo, renda média, mortalidade infantil, ocupação e carteira de trabalho assinada. Apesar das francas melhorias, o Brasil ainda está aquém dos níveis esperados para países completamente desenvolvidos.
Mudanças positivas
Há muito que comemorar nos resultados do último censo. O fator mortalidade infantil, há décadas um dos mais flagrantes indicativos de miséria e ineficiência do sistema de saúde brasileiro reduziu um recorde de 47,5% em uma década. De quase 30 mortos por mil nascidos com menos de um ano de idade, o dado está agora em 15,6 para a mesma proporção. Houve redução em todas as regiíµes do país, sendo a mais notável a da Regiâo Nordeste, que recuou quase 60% neste indicador. Para o IBGE, apesar de o país ainda estar longe da taxa padrão para países de primeiro mundo (cerca de 5 para cada mil nascimentos), a queda reflete diminuição das desigualdades sociais e regionais.
No ensino, a porcentagem de habitantes com instrução superior cresceu de 4,4% para 7,9%. Os jovens fora da escola também diminuíram. Para a população entre 7 e 14 anos, o número se encontrou, em 2010, em 3,1%. A Regiâo Norte, apesar de apresentar maior queda no número de jovens fora de instituiçíµes de estudo (queda de 50%), ainda possui os piores dados no país.
Dois dados separados mostram a maior equalidade entre os sexos. O primeiro, um dado econí´mico, apresenta um aumento real na renda das mulheres de 13,5%, comparado com 4,1% da população masculina; em 2010, a média de rendimento com trabalho das mulheres ultrapassou os mil reais mensais pela primeira vez na história. O outro indicador é a taxa de fecundidade, que despencou de 2,38 filhos por mulher para 1,9 “ número inferior aos Estados Unidos, por exemplo. Estes dados demonstram, entre outros fatores, o aumento da participação da mulher na força de trabalho, um indicador bem-vindo pela comunidade feminina.
Em 2010, o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada cresceu para 63,9%, de 54,8% no ano 2000.
Os Aglomerados Subnormais
Pela primeira vez em sua história, o Censo apresentou dados de população residente em Aglomerados Subnormais – assentamentos irregulares com mais de 50 domicílios “ que atende padríµes corretos para identificá-los. Entram nessa categoria favelas, invasíµes, palafitas e etc. Nestas categorias, que apontam miséria, vive 6% da população brasileira. Quase metade dos domicílios aglomerados se localiza na região sudeste, e 88,6% do total se encontram em Regií´es Metropolitanas. A Regiâo Metropolitana de Porto Alegre é composta de 6,2% de residências aglomeradas, enquanto mais da metade da população da Regiâo Metropolitana de Belém reside em aglomerados subnormais.
A situação mais carente em comunidades deste tipo é o esgoto sanitário. Apenas 67,3% dos domicílios possuíam esgotamento adequado.


