Indignação

11 de abril de 2012

   

 

             

Maria Helena Tomé Gonçalves

 

  A Páscoa tem um significado especial porque relembra a atitude pacificadora de Cristo diante das injustiças e das traiçíµes praticadas pelos lí­deres da época histórica vivida por Ele e seu povo. Jesus não foi apenas um lí­der injustiçado, foi um exemplo de retidão, de caráter, de coerência, de veracidade em sua pregação que consistia no amor aos outros, tão intenso quanto o amor por si mesmo. Uma regra muito simples e também muito difí­cil. Amar aos outros como a si mesmo. Nem precisarí­amos fazer tanto, são dispensáveis sacrifí­cios fí­sicos, bastaria não fazer mal ao nosso próximo, bastaria ter uma responsável consciência social e tudo seria melhor para a humanidade.

                      A Páscoa é comemorada todos os anos no mundo cristão onde as religiíµes seguem a pregação de Cristo. O Brasil é oficialmente e por tradição um paí­s espiritualista cristão, mesmo tendo forte influência das religiíµes de origem africana e a brasileira Umbanda, nelas estão presentes os sincretismos com as igrejas cristãs e os santos católicos e Cristo e sua mensagem de amor e paz estão na base de todos os dogmas e de todas as normas. A regra é uma só: amar, fazer o bem a si mesmo e a todos os outros, í s pessoas e a todos os seres da natureza. Tão simples…

                      Nesse Brasil tão cristão, organizado polí­tica e administrativamente para fazer apenas o bem para toda a sua população, se reproduz diariamente a história cristã, os Judas estão presentes em todos os escalíµes, a postos para trairem aqueles que lhes ofertaram sua confiança através do voto posto nas urnas do paí­s periodicamente, os Pilatos estão aí­ a lavarem suas mãos das responsabilidades que buscaram ao candidatarem-se a cargos de governantes em qualquer ní­vel e que no exercí­cio do poder esquecem dos compromissos assumidos nas campanhas eleitorais, os ladríµes estão espalhados em todos os ambientes e nem sempre são pegos para serem punidos e crucificados ao lado do Cristo inocente e, como a Roma antiga, continuamos sendo o paí­s da impunidade que crucifica apenas os Cristos, o povo brasileiro.

                      O escândalo mais recente envolve um Senador da República, explicitamente dito um fiel guardião da moral e dos bons costumes, pego em flagrante envolvimento com um bicheiro, um contraventor contumaz já envolvido em outros escândalos e roubalheiras oficiais, um Senador que tem a cara de pau de continuar lutando para preservar seu cargo de Senador da República, enlameando o Partido pelo qual foi eleito e ao qual representa, enlameando o Poder ao qual integra pela força do voto, voto dos trouxas que ainda acreditam na fachada dos seus polí­ticos já que não há o dom de ver lá dentro de cada candidato sua verdadeira í­ndole. Esse Senador não passa de mais um Judas do povo brasileiro, traidor infame que nos vende por um saco de moedas de ouro, que não respeita seu juramento de fazer apenas e tão somente o bem, o bem do povo diga-se de passagem, não apenas o bem do seu próprio cofrinho de moedas que encheu tanto não apenas com o seu gordo salário e penduricalhos dito legais, mas encheu também a custa de propinas advindas da corrupção, que acabou estourando e deixou suas moedas desonestas escorrerem para fora do cí­rculo viciado do poder e expí´s sua mais feia face, a face da desonestidade, da roubalheira, das manobras, dos relacionamentos escusos. Apesar do flagrante em que foi pego, o Senador não quer deixar o cargo, pensa invalidar as provas cabais obtidas através dos grampos telefí´nicos pois esses não foram autorizados…

                      Mais uma Páscoa do povo brasileiro, mais um Judas pego com o saco de moedas obtidas ao custo da traição aos princí­pios da moral e da ética, traição aos compromissos com os votos recebidos, mais uma lastimável Páscoa respingada pela desonra de um dos mais altos escalíµes do Poder, o Senado. Lastimável Páscoa. Apesar de tudo, Feliz Páscoa para nós que ainda conseguimos amar nosso próximo como Jesus ensinou a amar, fazendo o bem, apenas e tão somente o bem. Feliz Páscoa!


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