OPINIíO – Iniciaram as campanhas para a prefeitura

22 de novembro de 2011

 

Fausto A. Santos Jr.      

 

 

 

Nesta semana do feriadão, fui convidado para duas manifestaçíµes partidárias em Torres. Na terça-feira (15) í  noite, o PMDB promoveu um jantar para militantes na Vila São João. Na quarta-feira (16), também í  noite, foi a vez de o PT realizar um jantar.

 

Os dois encontros trouxeram pessoas importantes de ambos os partidos, o que parecia ser mais uma vez um nivelamento dos lí­deres em seus trabalhos em Brasí­lia, no Congresso Nacional, e na Capital, Porto Alegre, na Assembléia, em nome das siglas. Mas não. Os encontros ambos mostraram que o PDB e o PT já iniciam suas campanhas para o pleito í  Prefeitura Municipal de Torres no ano que vem. Os ilustres das agremiaçíµes colocaram suas agendas estaduais e federais de lado e trataram de, principalmente, fazer polí­tica pura, de partido, de sigla, em clima de Grenal, como sempre ocorre nos meses antecedentes í s eleiçíµes, mas que foi adiantado pelos partidos justamente pela grande concorrência que deverá ser o pleito vindouro.

   

Iniciaram as campanhas para a prefeitura II

   

Os discursos das lideranças do PMDB se aproximaram muito de discursos de comí­cios pré- eleitoras. O deputado estadual peemedebista Edson Bruhn, bom de microfone, tratou de soltar o verbo contra o PT. Falou do inchaço do Estado do RS; falou as promessas de ajustes salariais na Segurança e Saúde não cumpridas pelo governo Tarso e, afinal, sintetizou o PT do RS como uma praga de lavoura, que quando entra come tudo, inclusive os talos, e vai embora deixando o prejuí­zo como legado…  

 

Ele citou o exemplo da perda da Ford no RS encaminhada pelo governador do PMDB Antí´nio Britto e rechaçada pelo governador Olí­vio Dutra no ano seguinte, após derrotar o peemedebista nas urnas. E disse que o PT que quer entrar em Torres tem o mesmo perfil; PT este que inclusive, conforme ele, já está distribuindo CCs para os candidatos ao pleito do ano que vem, que estão ocupando postos não necessários para guardar dinheiro para suas disputas através de salários de R$ 10 mil ou mais, dinheiro pago pelo povo, disse.

 

Já o deputado federal Alceu Moreira, conhecido por seus discursos impactantes, lembrou que a cidade de Torres não pode perder a possibilidade de dar continuidade ao projeto do governo João Alberto. O João já é um lí­der estadual em ascensão e não pode nem merece sair de seus oito anos desta bela gestão em Torres com uma derrota. Vamos levar a sério a eleição, pois ela será difí­cil, mas se quisermos está na nossa mão, discursou Moreira.

 

   

Iniciaram as campanhas para a prefeitura III

   

No encontro do PT não foi diferente. A idéia do jantar era de receber o Senador Paulo Paim para que mais uma vez falasse sobre seu trabalho em Brasí­lia para os militantes, mas não foi isto que aconteceu. A reunião se transformou em um comí­cio de iní­cio oficial de campanha para a virtual candidata da sigla í  cadeira da prefeitura de Torres, Nilvia Pereira, e os discursos foram contundentes também.

 

O assessor institucional do PT no RS Márcio Espí­ndola falou da sua impressão sobre a cidade de Torres, criticando buracos e dizendo que faltam açíµes de turismo de beira de praia. Notamos já há tempos que Torres é uma cidade superada, mal cuidada e que necessita de um projeto como o do PT, que parte do povo, das bases, disse o assessor.   E sabemos que este governo não trabalha para os pobres, para os que mais necessitam, continuou.   Com o PT em Brasí­lia no Planalto, em Porto Alegre no Piratini, com a presidência da Câmara Federal e da Assembléia Legislativa estadual, fica fácil conquistar Torres, encerrou Espí­ndola.

 

Já o Senador Paim fez cálculos práticos. Ele citou os partidos que sentavam í  mesa com eles, que de certa forma já se aproximaram para coligar com a chapa que Ní­lvia se apresenta como cabeça, e calculou: São 11.500 votos se somarmos o que aconteceu na última eleição com a soma dos votos do PT, PP, PSB e PDT. A eleição está ganha, basta manter esta coligação, encerrou.

 

Até a junção das bandeiras do Brasil, do RS e de Torres foi feita como um ato de encerramento do jantar. Partidos pré-alinhados não recusaram em pousar para uma foto digna de convenção de coligação formal, mesmo sabendo-se que isto só poderá ocorrer de direito nos últimos dias de junho de 2012, como reza a lei.

   

Iniciaram as campanhas para a prefeitura IV

   

Eu continuo achando difí­cil a coligação entre PP e PT aqui em Torres. Os pepistas estão fracos e flertam sem formalizar, mas continuam flertando. Acredito que a sigla deve ir sozinha em 2012; ou se coligar, não imagino que seja com o PT, em minha opinião, é claro…

 

Por outro lado existem outros partidos que estão atualmente coligados com o PMDB que podem com o andar das carroças virarem de time e apoiar o PT ou até o PP em um lançamento de chapa formal mais adiante. Sabe-se que próximo í  data “ limite, a fidelidade passa longe dos partidos. O PPS, o PTB, o PSDB, o PRB, o PC do B e o PV estão coligados, muitos há oito anos, mas podem em cima da hora mudar de lado. Algumas siglas estão inclusive acostumadas a fazer isto: vão para o lado que mais está próximo de ganhar o poder.

 

Até o PP pode resolver coligar com o PMDB. Os discursos de seus vereadores na Câmara na última sessão mostraram que com o PT é difí­cil da sigla fechar acordo de projeto de governo. O vereador Rogerinho e Tenora criticaram peremptoriamente este governo do RS liderado pelos petistas. Rogerinho até chegou a dizer que estava com saudades do governo Yeda no RS.

 

 O PDT também é sempre o fiel da balança. Embora pequeno, seu pessoal faz barulho e eles não vão querer ficar fora do governo por mais um mandato.   Se as pesquisas mostrarem vantagens para o PMDB no iní­cio do ano, não é de se alarmar se o PDT viera a apoiar o PMDB ou até o PP em uma possibilidade de chapa dos progressistas, o que eu não vejo como não ter. Veremos.

   

Motobeach e razoabilidade

   

O evento Motobeach, que teve mais uma edição aqui em Torres no feriadão recebeu crí­ticas de vários setores da comunidade, principalmente dos veranistas, pessoas que não sobrevivem de Torres, mas que colaboram, afinal, para a sobrevivência da cidade, pois pagam impostos e consomem bastante no veraneio e em alguns finais de semana.   Alguns torrenses moradores também pegaram carona e reclamaram muito da barulheira do encontro, principalmente por ser feito em um lugar aonde a maioria das pessoas que vêm para cá no feriadão quer usufruir sem influências externas: a beira de praia.   Até um abaixo assinado parece que foi oferecido dentro do Restaurante Cantinho do Pescador parece que para atender ao pedido de seus clientes. Pelo menos foi o que foi divulgado na rede social Facebook.

 

O vereador Tiago Souza utilizou seu espaço na tribuna da Câmara Municipal na última sessão da casa, realizada na segunda-feira, para, ao contrário, criticar os que criticaram o Motobeach. Ele disse que recebeu o convite para assinar o abaixo assinado e que não entendeu, porque para ele a cidade de Torres precisa cada vez mais de evento. Disse ele também que as pessoas que estão contra o Motobeach estaria na contramão da vontade geral.

 

Acho que os dois lados estão errados. O vereador Tiago poderia, sim, e até deveria defender a vontade de seu eleitorado. Provavelmente em consulta í s suas bases ele constatou que a maioria dela não questionaria de forma alguma o Motobeach. Pelo menos foi isto que ele demonstrou em seu discurso, objetivo, franco e direto…

 

 Mas Tiago deveria respeitar a opinião dos que acham que este tipo de evento não é do perfil de uma cidade de veraneio, de turismo de final de semana de beira de praia. Pelo menos não deveria dizer que os que assim o acham estão na contramão da vontade dos torrenses, pois os veranistas também são torrenses de direito: pagam impostos.

 

O lado que soltou o verbo nas redes sociais também foi radical demais. Não é por um evento de um final de semana que a cidade mudará de perfil: o Motobeach não se instalou para ficar lá nos Molhes para sempre, só esteve aqui por três dias.

 

Portanto, não é saudável chamar os gestores da cidade de tudo quanto é palavrão e taxar os motociclistas de nomes preconceituosos somente porque foram atrapalhados durante dois ou três dias. A cidade está aí­ para ser usada, sem encontro de Motociclistas nos outros 362 dias do ano. Tratou-se de uma manifestação elitista e pouco cidadã.  

 

 A cidade precisa de evento, sim, principalmente fora de temporada, pois a própria temporada já é um grande evento, onde o sol, o mar, as ruas e a bela infraestrutura da cidade são protagonistas.    Os veranistas têm o direito, sim de reclamar, pois são pessoas com os mesmos direitos. Os incentivadores de um Turismo de eventos barulhentos, mesmo no veraneio, também têm o direito de defender seus pontos de vista. O que não é bacana é a radicalização, principalmente com taxaçíµes dos que estão em lados opostos. Cabe í  secretaria de Turismo ouvir as duas partes e resolver o que faz no ano que vem.


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