Jovem torrense não mostra vontade de se profissionalizar

29 de janeiro de 2011

Existe oferta de capacitação e de trabalho, mas a cultura na cidade é por um emprego.

 Empresários também não ajudam disponibilizando estágios

 ou premiaçíµes de remuneração

 

 

A FOLHA foi í s ruas verificar como está aqui em Torres a questão do apagão de mão de obra qualificada observado em todo o Brasil com o crescimento econí´mico observado com mais força em 2010. E parece que por aqui a questão é mais séria ainda. Existe demanda por profissionais, existe curso de formação, mas os jovens de Torres mais demonstram buscar um emprego com remuneração garantida e fixa do que de buscarem uma porta para a entrada no mercado de trabalho, ou uma forma de se realizarem profissionalmente.    

O SENAC abriu sua sede aqui em Torres há cinco anos, comemorados na semana passada. Desde então, cursos de qualificação nas áreas do comércio e do Turismo são ministrados lá, muitos deles de forma gratuita.   Mesmo assim a demanda por mão de obra qualificada profissionalmente não consegue ser suprida. Conforme informou para A FOLHA a diretora do SENAC local Aline Lentz, o SENAC tem, sim, contribuí­do para a qualificação de jovens, mas o que falta talvez na cidade seja também uma cultura empresarial para que os jovens possam ter chances de trabalhar nas empresas após o treinamento, principalmente na área do comércio e serviços.    

No turismo temos tido ótimas experiências de jovens que aqui são treinados e trabalham em estágios nos hotéis e restaurantes da cidade, afirma a diretora do SENAC. Já no comércio nos defrontamos com uma vontade mais pragmática do empresariado, continua Aline. Eles exigem anos de experiência e buscam a contratação em cima da época de aumento de trabalho, o que dificulta a vida de um jovem bem intencionados profissionalmente, que treinou no SENAC e quer uma chance de experimentar sua bagagem recém construí­da, diz. Talvez se houvesse uma polí­tica pública de subsidiar a contratação de estagiários por parte do Ministério do Trabalho, o problema se resolveria, sugere. O empresário teria seu ganho na atitude de dar chance aos novatos e os jovens que querem se profissionalizar com experiência pós- qualificação teriam a chance de mostrar serviço, e mostrar logo após a qualificação, o que é muito importante, encerra Lentz.

 

   

Pouco interesse cidadão dos jovens, pouca atitude

 altruí­sta dos empresários

   

Para o consultor em RH do Sindilojas de Torres, Jorge Palauro, o maior problema dos torrenses que demandam emprego no sindicato é a falta de comprometimento com as demandas de trabalhos. Ele afirma que os comerciantes e prestadores de serviço querem comprometimento com os resultados da empresa; querem disponibilidade de horários nos finais de semana, inclusive aos domingos em alguns casos, mas querem, acima de tudo, que os jovens busquem ver no emprego uma chance de crescimento profissional através de realizaçíµes práticas no dia a dia das empresas. Palauro afirma de forma peremptória que a maioria dos jovens que buscam vagas no Sindilojas quer um emprego com salários fixos acima de tudo, mostrando de certa forma que deixam em segundo plano a possibilidade de aprendizado dentro das rotinas das empresas.    

Depois que o SENAC se instalou em nossa cidade, nós tivemos uma maior qualificação em nossa mão-de-obra, porém ainda é muito deficitária, não por falta da entidade, que nos oferece ótimos cursos de aperfeiçoamento, mas sim por falta de visão e vontade de se qualificar das pessoas, afirma Palauro, consultor de RH do SINDILOJAS de Torres. í‰ que a qualificação não pode se dar tão somente através de cursos, se dá através de leitura de jornais, revistas, livros, sugere o consultor. Mas nas entrevistas constatamos que poucos sabem o que acontece na economia da cidade, região, ou do mundo, mas sabem quem foi eliminado no paredão do Big Brother, lamenta o consultor.  

 Ele também coloca um pouco de culpa na cultura empresarial da cidade, sugerindo mais reconhecimento financeiro para os bons trabalhadores. Se os empresários quiserem ter pessoas motivadas e bem preparadas, devem também remunerar a altura, dando exemplo e espalhando uma cultura de reconhecimento no mercado, até porque bons colaboradores exigem bons salários, encerra.  

 


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