Justiça proí­be canil de Torres de receber animais e sociedade fica engessada no problema de encaminhamentos de cães abandonados

25 de fevereiro de 2014

 

 

Por Fausto Araújo Santos Junior

 

Uma ação coordenada por protetoras de animais radicais aqui em Torres acabou gerando justamente mais problemas, para os próprios animais e agora para a sociedade torrense. As protetoras denunciaram perigo de concentração de cães em casos pontuais dentro do canil, levaram imagens de cachorros mal tratados pelos seus próprios pares alegando superpopulação local, o MP acabou pedindo a interdição judicial do estabelecimento municipal e a justiça da comarca acatou o pedido.

O resultado de tudo isto é o engessamento nas alternativas da própria sociedade torrense em encaminhar alternativas para o sempre presente problema de cães que são achados abandonados nas ruas e em residências de cidadãos conhecidos como protetores de animais, que não conseguem resolver o problema sem a possibilidade de o Canil acolher os novos bichos de rua abandonados por donos irresponsáveis. A juí­za despachou que os casos novos devem ser tratados pela ATPA (Associação Torrense de Proteção aos Animais) e outras entidades similares, uma decisão questionável porque estas entidades são voluntárias e não têm nenhuma obrigação formal para com a sociedade, somente ajudam.

O secretário do Meio Ambiente de Torres Roger Maciel está proibido formalmente de receber mais cães no Canil Municipal, que é de competência da prefeitura desde janeiro de 2013. Antes o estabelecimento que acolhe animais de rua se donos e abandonados era gerenciado por ONG, com apoio financeiro da municipalidade através de convênios. Os cães abandonados sofrem mais agora do que antes.

 

Uma ninhada é um dos vários casos que devem existir em Torres

 

 O caso de Liliana é um caso real e atual. A veranista de Torres, que já acolheu vários cachorros de rua deixados em sua casa, justamente por ela ser conhecida como uma alma iluminada, que abriga os animais abandonados e ajuda a encaminhar as adoçíµes, recebeu mais um presentinho durante uma madrugada há duas semanas. Foram seis cachorros de uma ninhada que foram colocados em uma obra ao lado de sua casa por outros veranistas que acharam os cachorrinhos na rua com perigo de ser atropelados. Ela acabou ficando com os filhotes, pois até agora nenhuma entidade formal ou informal resolveu o problema de encaminhar as adoçíµes ou de receber os animais em outro espaço qualquer.

Dona Liliana espera que sua filha (militante da causa de proteção) chegue a Torres no próximo final de semana para que ela e a filha participem de uma feirinha de adoção, prometida para ela por protetoras locais, que deve acontecer neste final de semana (21 e 22), mas que não garante que toda a ninhada seja encaminhada para novos donos. E daí­?

 

 Seria uma decisão apressada da justiça?

 

Mas o problema é sério e deve haver outros vários casos similares em Torres. E a cidade está engessada por uma decisão no mí­nimo apressada e que pode até ser considerada arbitrária e, talvez, pouco responsável da Justiça. Em um paí­s que os presí­dios recebem seres humanos muito acima de sua capacidade, não é coerente que um canil municipal seja interditado por uma vontade talvez romântica de protetores radicais de animais de rua. Os possí­veis estresses que cães sofrem em canis por conta de superpopulação, que eventualmente causam agressíµes até com mortes, deve ser mais bem estudado por técnicos especialistas no setor para que seja a interdição a única alternativa.

A prefeitura municipal, agora, se obriga a investir com celeridade em aumentos de espaço no canil, está proibida de receber mais animais, e a sociedade sofre com este engessamento de um sistema. Está sem apoio público nenhum, de jeito e forma alguma.

 Cabe aos vereadores que se posicionem e peçam o recuo do judiciário í  interdição.


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados