Mãe: profissão eterna (Dificuldades, questionamentos e prazeres da maternidade)

14 de maio de 2014

   Por Maiara Raupp

 

Ser mãe não é tarefa fácil. No Brasil, 51% das mulheres são mães e para 68% delas conciliar trabalho, maternidade e casamento é uma atividade árdua. Segundo pesquisa do Ibope, mais da metade das mães que trabalham gostariam de se dedicar apenas aos filhos, sendo que 84% delas acreditam que sua casa é o melhor lugar do mundo.

Esse cenário não vem se concretizando somente no Brasil. As mães americanas estão revertendo uma  tendência  histórica e ficando cada vez mais tempo em casa. A proporção de mães que não trabalham fora de casa subiu para 29% em 2012, frente ao pico negativo da era moderna de 23%, registrado em 1999, conforme um relatório publicado pelo Pew Research Center. A pesquisa mostra ainda que as mães que ficam em casa têm maior formação do que as de décadas atrás. Atualmente, 1/4 delas possui diploma universitário, em comparação com 7% em 1970.

O que está mudando? Há apenas duas décadas no Brasil a inserção de mulheres no mundo do trabalho transformou radicalmente a economia. O principal motivo foi a crise econí´mica da década de 80, no entanto elas também passaram a encarar a realização profissional como um direito, e a famí­lia tinha de ser repensada. O que parece estar ocorrendo agora é uma nova reviravolta na escala de valores da sociedade.

í‰ importante ressaltar que a mesma pesquisa que revela que a maioria das brasileiras tem vontade de largar o emprego para cuidar dos filhos, mostra que 90% delas trabalham porque querem atingir a realização pessoal. A escolha, no entanto, exige um profundo questionamento sobre o que é sucesso, felicidade e até sobre o significado de ter filhos.

 

Foco: maternidade

FOTO: A mãe Bruna e Pedro

 

A torrense Bruna Borges, de 25 anos, não teve dúvidas quando sua licença maternidade acabou e ela teria que retornar ao trabalho. Quando completei meu quarto mês de licença, senti que não era hora de voltar a trabalhar. Não queria colocar o meu filho tão pequeno em uma escolinha. Em comum acordo com meu marido não voltei, afirmou Bruna, que é formada em Publicidade e Propaganda desde 2011 e sempre atuou na área.

Não me arrependo nem um pouco da escolha que eu fiz. Pude acompanhar o desenvolvimento do meu filho de perto. í‰ uma fase tão importante da vida, então aproveitei, disse ela, acrescentando ainda que Pedro, que hoje tem 1 ano e 7 meses, por enquanto continuará em casa com ela, mas quando completar 2 anos a intenção é colocar ele na escolinha para fazer amizades e se desenvolver mais ainda.

Com relação as questíµes financeiras, Bruna conta que ainda não viu necessidade de voltar ao trabalho. Meu marido dá conta das despesas da casa e, como também não temos gastos com a escola pro Pedro, é mais fácil de administrar. Mas sinto necessidade de fazer alguma coisa útil financeiramente, então comecei a vender bijuterias e gerenciar uns sites. Como não preciso cumprir horário, minha prioridade ainda é o Pedro, garantiu ela.

 

 

Ser mãe depois dos 40

 

FOTO: Berenice e seu filho

 

Entre 2003 e 2012 o número de mulheres que engravidou entre 40 e 44 anos passou de 53.016 para 62.371, um aumento de 17,6% de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatí­stica (IBGE). Conforme aponta o relatório, esse crescimento advém das mudanças sociais que acontecem em todo o mundo. No Brasil, o acesso maior í  universidade e consequentemente a vida profissional começando mais tarde, o esforço para ter uma carreira estruturada e a total independência da mulher influem diretamente nessa escolha.

A questão que se discute é a idade biológica da mulher para segurar uma gravidez. O senso comum é cheio de histórias sobre as implicaçíµes para a saúde da mãe e do bebê em casos de gravidez tardia. Mas quais as consequências reais dessa mudança social? O que é fato e o que é exagero? Segundo pesquisas realizadas na área da medicina, as ameaças estão muito mais relacionadas ao estado de saúde da mulher do que í  sua idade: Uma mulher de 25 anos com pressão alta, sobrepeso e fumante tem menos chance de ter uma gravidez tranquila do que outra acima dos 40 anos que não fuma, não tem pressão alta ou diabetes.

Exemplo disso é a professora aposentada Berenice Abreu, que aos 42 anos teve seu segundo filho. Minha gravidez foi super tranquila. Não senti nenhuma diferença com relação í  primeira gravidez, que foi 7 anos antes, ressaltou ela.

Segundo Berenice, que é moradora de Torres, além do parto ter ocorrido tudo dentro da normalidade sua recuperação foi estupenda. A bolsa rompeu antes do esperado, mas não tive nenhuma preocupação. Viajei ainda até Osório para ganhá-lo, pois minha médica era de lá, explicou ela, contando ainda que amamentou normalmente seu filho até os dois anos e meio de idade. Voltei a dar aulas e nos intervalos meu marido o levava para mamar. Criei-o normalmente e hoje ele nos dá muitas alegrias, concluiu ela.

   


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