Mais História: Os escravos brasileiros que voltaram para a ífrica e prosperaram

5 de maio de 2012

 A viagem de volta para a ífrica também foi feita por ex-escravos brasileiros, no século 19. A expatriação começou após Revolta dos Malês, que ocorreu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, na cidade de Salvador

   

– Na Revolta dos Malês, organizada em torno de propostas radicais (e praticamente suicidas), os negros pediam a libertação dos escravos africanos que fossem muçulmanos na Bahia. "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos. A rebelião foi rápida e duramente reprimida pelo poder público e militar baiano. Cerca de 70 pessoas morreram e mais de 500 foram punidas com deportaçíµes para a ífrica.

 

– Após a Revolta dos Malês, o governo baiano ficou assustado com o poder de organização dos ex-escravos, e criou uma lei que permitia reexportar africanos libertos sob simples suspeita de promover, de algum modo, a insurreição de escravos. O governo também dificultava a vida destes ex-escravos, que foram proibidos de alugar imóveis e tiveram seus tí­tulos de propriedade anulados.

 

– Quase compulsoriamente, entre 5 e 8 mil pessoas voltaram da Bahia para a ífrica nos anos posteriores, principalmente aos paí­ses do Benim e Nigéria. A chegada dos brasileiros provocou muitas mudanças. Para começar, os imigrantes constituí­ram uma elite de comerciantes e artesãos, atividades que exerciam no Brasil. Muitos enriqueceram com seus ofí­cios, e ainda revolucionaram os hábitos locais. As casas, quase todas térreas e sem janelas, foram substituí­das pelos sobrados com dois ou três andares, tí­picos do estilo colonial brasileiro.

 

– As moradias também ganharam móveis, como sofás, camas, mesas e cadeiras de balanço, desconhecidos dos africanos da época. As visitas eram recebidas com sucos de frutas colhidas no pomar, coisa que eles também nunca tinham visto. A vida cultural também mudou muito. A comunidade brasileira passou a organizar seríµes musicais e peças teatrais. Os africanos também foram apresentados í s festas brasileiras, como a Epifania e o Carnaval. Mesmo a culinária, sofreu grandes transformaçíµes. Pratos tí­picos da Bahia no século 19, como o mingau e o pirão de caranguejo, foram perfeitamente inseridos na cozinha local.


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